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Redenção – Parte 4 : Acaso Infortuno

22/01/2010 3 comentários

Den estava deitado no chão ali mesmo, ele tinha sua visão deturpada por vários flashes de luzes cobertos por criaturas que sua mente até então nunca tinha sido capaz de imaginar. Era como se fosse um caminho de trevas que tivesse que percorrer até conseguir alcançar o local onde a entidade das trevas escondia seu conhecimento.

Andou por todo aquele trajeto sentindo coisas misturadas como medo e ansiedade, curiosidade e angústia, para, ao final do trajeto todo, chegar a uma espécie de sala iluminada em meio a toda a escuridão súbita que tomara a sua consciência. E lá estava ele, um homem sentado de pernas cruzadas esperando seu mais novo visitante.

 

– Den, ou devo dizer… Zed, seja bem vindo a nossa humilde residência.

– Mas, onde estamos? – Perguntou o jovem, sem entender nada do que estava acontecendo. – Quem é você?

– Acalme-se, eu entendo sua mente melhor do que imagina, e sei que tem muitas perguntas. Lá fora, fizemos um acordo, e minhas intenções são de cumpri-lo piamente, então vamos por partes. Diga-me suas perguntas, mas uma de cada vez.

Falando isso, juntou as mãos e sentou-se em um trono sombrio, aguardando as perguntas de Den.

– Tudo bem então, começo querendo saber quem é o senhor, e o que houve com a entidade lá fora.

– Isso são duas perguntas, mas estão sob um mesmo contexto, então responderei as duas sem problemas. Primeiro pode me chamar de Zen, é um dos meus muitos nomes. Eu sou aquela entidade que vira lá em cima, mas em uma forma menos espantosa.

– Certo Zen. Que tipo de entidade é você, como pode saber tudo sobre mim?

– Eu sei muito sobre muitas coisas, mas não ouso dizer que sei tudo. Sou um homem bastante velho e com conhecimento o suficiente para lhe responder as perguntas que quer saber, mas vamos lá rapaz, deixe de perguntar sobre mim e comece a perguntar sobre você mesmo. Garanto-lhe que as respostas serão muito mais interessantes.

 

Enquanto os dois homens dialogavam naquele lugar etéreo, os dois mestres estavam prestes a decidir algo que mudaria por completo os planos de Alstev. O mestre Hulter estava pensativo, tão pensativo que sequer prestava atenção no que seu parceiro estava lhe dizendo naquele momento. Ele tomara uma decisão que não ia de acordo com aquilo que Alstev planejava. Ele não aceitava o fato de usar seus pupilos como cobaias para algo tão egoísta. Não que Hulter se importasse com a vingança de seu amigo ou com quaisquer prejuízos que porventura viessem a acarretar em outros reinos. O que ele de fato não admitia era que se fossem usados pessoas sãs para um ritual que lhes custaria muito mais do que simples dor, mas sim sua sanidade, sua integridade e suas consciências humanas.

Zen ficara em pé, observa as feições do seu visitante com bastante curiosidade, como se já soubesse o fim que aquilo tudo teria. Ele estendeu os braços para os lados e convidou o garoto a continuar com as perguntas:

 

– Então me diga, Zen… Por qual motivo está me chamando de “Zed”, sabe das minhas condições com relação ao treinamento?

– Garoto, você não consegue mesmo se contentar com uma pergunta por vez. – Disse, rindo em tom baixo – Sim, Zed será seu nome. Você passou no teste as escuras que fez antes de vir pra cá.

– Heh.. Isso é ótimo. – Disse Den esfregando as mãos juntas com um grande ar de satisfação. – Então eu nem precisaria vir fazer este ritual imbecil. Que poderes ele vai me conceder?

– Ahá! Finalmente chegou na parte interessante. Bom meu jovem, na verdade você não receber poder algum, mas sim uma espécie de “aliado”, um fantasma nefasto que irá facilitar muito a sua vida no campo de batalha. Contudo…

– Bah! – Den o interrompeu fazendo desdém do que acabou de saber. – Um fantasma?! Agora além de ter que carregar o peso das pessoas que eu mato, ainda vou ter que carregar uma assombração. A idéia do mestre Alstev dessa vez não me agradou.

– Hahaha, deixe-me terminar rapaz. Esse fantasma não é uma simples assombração. Ele se alimenta de seu corpo físico, e conforme o tempo passar, ele terá conseguido energia suficiente para de libertar do mundo etéreo e usar seu corpo para abrigar sua existência física. Em suma, você vai irá transformar-se em um monstro horrendo, e sua sede de sangue só vai aumentar depois disso.

– …

 

Silêncio. Den não soube como dar continuidade no diálogo por alguns instantes, precisou organizar os pensamentos e se conformar com a idéia de que fora usado por Altev e Hulter. Era uma experiência humana para saciar sua vingança fútil.

 

– E então garoto. Chega de perguntas? Posso ir-me?

– Bah, fica ai que eu tenho mais uma coisa pra perguntar. Tem como evitar essa transformação?

– Hmm. – Zen hesitou por uns instantes. – Tem. E logo você vai saber como, contudo, essa resposta não virá por mim…

– Está certo então. Obrigado pelo seu tempo. Creio que daqui pra frente eu deva me virar sozinho, então vou indo atrás das informações que me faltam. Não tem graça nenhuma em receber tudo pronto.

– Muito bem Zed… Minha parte do acordo está feita, agora você irá começar a sua…

 

A entidade assim se deu por satisfeita e, antes de dar tempo para Den raciocinar,  começava a se envolver de trevas enquanto caminhava para a saída daquele lugar onde haviam transportado suas consciências. Den aos poucos mergulhava em uma espécie de transe, o qual o deixara apreensivo quanto a seus mestres e todo aquele ritual que desenvolveram ali.

Ao perceber que estava novamente naquela sala iluminada pela luz natural do dia, ficou em pé e deixou o lugar com duas coisas bem fixadas dentro da sua mente: Precisava encontrar Alstev com urgência. E que acabava de fazer uma espécie de acordo com a própria morte.

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Redenção – Parte 3 : Diálogos noturnos

17/12/2009 4 comentários

Depois que ritual havia sido executado, os dois mestres saíram do local rapidamente deixando seus discípulos lá mesmo enquanto agonizavam. Aparentemente tal ritual era doloroso e lento, mas para Alstev isso de fato não importava desde que funcionasse e lhe garantisse os soldados que precisava.

Hulter chamou Alstev para dar uma volta, colocar as idéias em ordem e conversar sobre o futuro de sua guilda de assassinos.
Enquanto andavam sob o luar os dois mestres davam início a uma conversa secreta, a qual tinha um teor bastante amargo, mas que era inevitável agora que as coisas chegaram a tal ponto.

– Diga-me Alstev, você realmente almeja tanto essa vingança contra Brahms e seu império? Kah Lad sempre ficou neutro naquela guerra que os reinos do leste tramam há anos.

– Mas é claro Hulter! Como é que eu poderia desistir da minha tão esperada vingança justo agora que tenho nas mãos tudo o que preciso para realizá-la! Não é de meu feitio deixar de lado algo que começo. E o senhor sabe muito bem disso!

– Claro, sei. Você sempre foi determinado e persistente, mas ultimamente eu tenho pensado e… Sabe, não sei se vale a pena. Realmente…

– Hulter Escorn! Não me venha com essa. Justo você, que já matou mais mulheres e crianças do que estas mãos podem contar. Se me disse que está criando sentimentos agora eu serei obrigado a deixar de lado a sutileza dessa nossa conversa e começar a gargalhar aqui mesmo!

Hulter não teve reação alguma diante da argumentação de seu amigo, mas de fato sua relação com Den havia feito o mestre assassino mudar.
Os dois andaram mais um pouco e pararam sobre uma ponte de madeira para ouvir o som das águas correntes enquanto podiam observar o reflexo da luna cintilando no rio logo abaixo.

– Veja Hulter, o rapaz novo, aquele que eu trouxe por último fez o teste e conseguiu um nome. Eu notei que vocês dois desenvolveram uma relação bastante amistosa, estão sempre juntos. Não seria por causa dele que você está assim, tão dramático e repentinamente humanista?

– Então ele fez o teste? Por que é que não me disse nada, afinal?

– Responda-me primeiro Hulter. É com ele que você está preocupado? Você sabe das conseqüências deste ritual.

– É claro que não! Desde quando você me viu preocupado com pessoas?

– Calma meu amigo, não se exalte. Só lhe fiz uma pergunta…

– Eu apenas não acho seguro fazer isso com pessoas dessa índole. Você sabe que tipo de gente nós criamos aqui, pense se, depois de completos, os monstros se voltarem contra nós?

– Isso é o de menos Hulter. Até lá já teremos dominado Mithra. Quanto aos monstros que eles irão se tornar… Esse problema já está resolvido desde o princípio, afinal, por ai andam algumas celebridades que com certeza não vão querer deixar nosso mundo ser destruído.

– Hmm…

Os homens que foram usados no ritual melhoraram aos poucos dos efeitos colaterais das magias que lhes foram usadas. Com alguma dificuldade Den conseguia  se levantar e dar alguns passos. Ele estava curioso para saber qual qualificação tinha conseguido no teste de Alstev tanto quanto que poderes tal ritual lhe proporcionara. Isso entre muitas outras perguntas que se acumularam em sua cabeça durante os anos que passou treinando com Hulter e Alstev.
Como ele não era muito de conversa mole, não deu a mínima para seus colegas que ali estavam e tratou de deixar a sala para ver se conseguia descobrir algo por si só. Den caminhou por algum tempo dentro daquele lugar em ruínas, se recuperando aos poucos, ele andou até encontrar uma sala escura, mas não era uma escuridão normal, aquilo era uma presença, aquela aura negra capaz de turvar a visão de qualquer um significava a chegada de uma entidade antiga e muito poderosa. O jovem não sabia do que se tratava e, ignorando os seus instintos, entrou na sala perguntando em voz baixa:

– Eu não o temo. Diga-me quem é e qual seu propósito. Se vieres para me levar, que carregue este corpo vazio e deixe minha anima alimentar a terra.

Aquela escuridão toda se moveu, contraiu-se em um espaço muito menor e adquiriu uma forma reconhecível aos olhos do rapaz à sua frente:

– Não. Eu não vim para te levar, tampouco vim para ouvir ordens de criaturas insignificantes. Rapaz, eu tenho as respostas que procura. Elas não são boas e nem as darei de graça, portanto sem mais delongas, responda-me: Você as deseja, ou não?

– Desejo é saber qual o preço vai me cobrar por isso.

– O preço virá com o tempo, ele é caro e irá desgastá-lo a cada dia. A partir do momento que fizer sua escolha, não terá mais volta. Não é algo que eu queira para mim, mas sim algo que irei privar de você mesmo. As respostas que tenho irão custar sua consciência.

– Bah, conversa. Quero as respostas, consciência é algo que poucos se importam de ter, e os que tem não a usam apropriadamente. Não ligo de me juntar a maioria.

– Muito bem garoto. – Disse a entidade rindo em tom baixo – Pode perguntar, mas faço questão de frisar, depois que começar a ouvir as respostas, não terá mais volta!

E sentando-se no chão diante da entidade enegrecida, Den começava a esclarecer suas dúvidas…

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Redenção – Parte 2 : Sombras

25/11/2009 6 comentários

O jovem Den tinha agora algo que há tempos ele desejava, tinha ali alguém para poder chamar de família. Entretanto a intenção do senhor não era a de arrumar um filho…
Depois daquele episódio, passaram-se alguns anos. O senhor, que agora era conhecido de Den, tinha o nome de Alstev Adbin e dizia ter vindo das terras desérticas de Kah Lad. Era um mercenário e estava ali para fundar uma guilda poderosa de assassinos com os quais ele tentaria tomar de volta parte do reino de Mithra, seu lar e que fora devastado pelo imperador Bhrams. Ele sabia que para isso precisaria de muito poder e decidira recorrer a todos os recursos que encontrou.
Começou tentando juntar um número exato de dezessete crianças com potencial para crescerem fortes e ágeis, as quais ele juntamente com seu melhor amigo Hulter Escorn treinariam para serem os mais temíveis assassinos conhecidos.

O treinamento era difícil e extenso, o que fazia com que as crianças voltassem chorando para casa na maioria das vezes, choro este que cessava rapidamente quando eles se deparavam com uma enorme banheira de água quente seguida de uma farta mesa de jantar.
Os jovens eram bem tratados, afinal eles precisavam da sua motivação a todo vapor para os treinos e Alstev queria os melhores, não bastava ser bom, cada um deles tinha que ser um Varenyam, “O melhor” na classificação dos heróis do Reino de Armétia e ninguém mal alimentado ou doente seria capaz de continuar naquele regime severo de disciplina e atividades.

 

Depois de iniciados, todos ali perdiam seus nomes antigos e eram classificados com letras do alfabeto seguindo um certo padrão:
A primeira letra era livre, de escolha da criança, mas precisava necessariamente de um significado, filosófico ou não. A segunda letra era a classificação da arma que o garoto em questão usou para obter seu melhor desempenho. E a última letra, que também poderia ser uma sílaba era formada pela mesma letra ou letras do seu nome antigo com uma lembrança da sua antiga identidade.
Todos ali já tinham definidos seus nomes, com exceção de Den, pois ainda não tinha conseguido aptidão suficiente para fazer o teste que lhe dava a pontuação que determinaria sua segunda letra.
O garoto era um prodígio, não tinha tanta destreza ou força quanto dois de seus companheiros de treino, mas era ágil e desenvolveu algo que nenhum dos outros tinha treinado: seu lado mental. Ele tinha treinado táticas e afiava a cada dia sua inteligência para melhorar o desempenho nos treinamentos.

 

Nos anos que se passaram eles aprenderam a limpar, servir, cozinhar, se curar, sobreviver e matar. Tudo com excelente precisão, pois como teriam de fazer tudo sozinhos não lhes era permitido nem o menor dos erros.Enquanto todos os outros treinavam sua força e habilidade no combate corpo-a-corpo, Den estudava os pontos vitais com muito mais dedicação e treinava sua mente a todo minuto enquanto praticava o arremesso. Ele via as coisas de um modo muito diferente de seus companheiros, talvez tenha sido por isso que não conseguiu o mesmo destaque que outros ali dentro.

 

Hulter Escorn era o mais velho ali dentro, e com toda a sua experiência, ele notou que Den tinha um jeito diferente de ver as coisas, aos poucos ele foi se tornando uma espécie de tutor extra para o garoto e se apegando a ele cada vez mais.
Ele ajudou Alstev a executar o maior de todos os seus planos, o último detalhe que restava para que conseguisse concluir seu plano de ter o maior grupo de assassinos de elite de Khali.
Os dois foram buscar a verdade sobre um círculo de necromantes que diziam existir nas florestas ao sul da cidade-porto de Luna, existiam rumores de que esse círculo detinha um poderoso ritual o qual transformaria pessoas em verdadeiras máquinas de matar, mas eles precisariam de quinze voluntários os quais estivessem dispostos a fazer tal ritual.

Depois de muitos anos o mestre Alstev conseguiria concluir seu maior sonho, mas ele ainda teria de sacrificar dois de seus alunos e ele já tinha em mente como resolver isso.
Sem deixar o mestre Hulter ficar sabendo, ele deu um jeito de fazer com os dois discípulos que tinham os menores desempenhos falhassem fatalmente em uma das atividades e acabassem por morrer em treino. Den estava entre os passíveis de descarte, pois ainda não tinha feito seu teste de aptidão, mas tanto Alstev quando Hulter mantinham grandes esperanças sobre o garoto e por isso O mestre principal decidiu não descartá-lo por hora.
Então estaria tudo pronto, passados sete anos de treinamento, Den estava no grupo que se dispusera a fazer parte de um ritual para adquirirem poderem incríveis, mal eles sabiam no que isso resultaria futuramente.
Hulter era contra isso, ele se sentia culpado por deixar que Den, seu aluno favorito, também tivesse envolvido nessa trama, contudo agora era tarde, o ritual já estava em andamento e em breve todos os quinze presentes ali seriam os assassinos mais poderosos conhecidos até então e o preço por isso não seria barato…

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Redenção – Parte 1 : O Caminho

20/11/2009 4 comentários

Chovia em Halen naquela manhã, pessoas procuravam se abrigar sob marquises, tendas e até mesmo carroças recostadas nas paredes, mas mesmo em um dia como este, o comércio não parava, pessoas de todos os lugares do reino estavam ali tentando expandir seus negócios e conseguir alguns Lins extras para o orçamento familiar.

Naquela época do ano, apesar do frio, a feira de manufaturas da cidade sempre fazia um grande sucesso, e tamanha movimentação dava um pouco de trabalho extra para os guardas, os quais tinham obrigação de manter tudo em paz mesmo com o aumento de pessoas caminhando por ali.

 

No meio daquelas ruas lotadas, o pequeno Den estava com frio e com fome. Ele fora abandonado pelos pais um ano atrás, mas ainda não estava acostumado com a dureza da vida nas ruas durante o inverno.

Apesar de ainda ser novo, o garoto aprendera com certa facilidade a se virar sozinho no meio da multidão e a como encontrar abrigos em tempos difíceis e comida nas horas de fome.

Ele estava abaixado sobe uma grande porta que estava para ser trocada em um salão de jogos que existia na praça central da cidade, mas a chuva não o incomodava, ele estava mais preocupado com o que ia ter pra comer hoje, afinal, o clima não estava cooperando e se aproximava a hora do senhor que vende as tortas de maçã sair para fazer sua entrega diária. Um fato curioso era que alguns minutos antes, um grupo de homens encapuzados entraram na loja onde o senhor vendia suas tortas, provavelmente procurando por abrigo enquanto a chuva não parasse.

 

O menino pensou consigo mesmo que hoje seria um dia fácil para conseguir seu almoço, pois como estava chovendo, a loja ficaria vazia por um período de tempo um pouco maior, então ele poderia sair de lá com mais coisas. Seu plano já estava traçado, e ele só esperaria o velho sair dali, para que pudesse executá-lo, plano esse, diga-se de passagem, muito astuto para uma criança de apenas 11 anos.

Chegara então o momento que Den esperava ansiosamente. A porta da loja se abriu rapidamente e, de dentro dela, saiu um velho usando uma capa de chuva marrom enquanto segurava no braço esquerdo uma caixa grande com um desenho de uma suculenta torta estampado em cores na sua lateral.

 

Den entrou na loja tão logo o velho a deixou, entrou o mais rápido que pôde, esquecendo que os homens encapuzados ainda estavam lá dentro. Ele entrou e antes de despertar qualquer suspeita, foi andando diretamente para os fundos da loja, passando por baixo da portinhola como se fosse dono do local. Contudo, um dos quatro homens que ali estavam resolveu interrogá-lo:

– Ei moleque! O que é que você está fazendo ai?

Den já esperava por isso, então respondeu rapidamente:

– Vim pegar o lixo, o Senhor desta casa ajuda minha família me deixando aproveitar o que sobra no seu lixo.

– Certo. Então ande logo com isso. Se sumir ou quebrar alguma coisa lá dentro ele pode pensar que foi a gente.

– Está bem senhor, serei rápido. – E se apressou em pegar duas caixas de tortas ali para encher de comida.

Contudo um dos homens, desconfiado, foi atrás dele e viu que não era lixo que o garoto estava levando, mas sim comida da despensa.

– Vejam só, encontrei um larápio por aqui, venham aqui e me ajudem a ensinar a ele uma lição.

Dizendo isso, ele pegou Den pelas mãos e o arrastou pela sala até o lugar onde estavam seus amigos, os quais estalaram os dedos e começaram a espancar o garoto.

 

Contudo, um dos homens não se moveu em nenhum instante, ele ficava no canto da sala, apenas observando, aparentava não fazer parte do grupo.

Ele ficou ali sentado, observando e só depois de alguns minutos resolveu se mover, mas os homens já tinham terminado seu “serviço” e estavam saindo dali. Nem se importaram com a chuva e saíram gritando e rindo alto.

O garoto gemia e segurava a barriga com força, sentindo os golpes que recebera. Ele sentia muita dor, mas não estava arrependido de ter tentado conseguir comida ali, afinal, precisava sobreviver de alguma maneira.

Ele olhou o homem que ainda restava naquela sala e tomou um susto. Contudo não ficou muito abalado e se esforçou ao máximo para ficar em pé e tentar sair dali.

– Por que insiste nisso garoto? – disse o homem que restara na sala.

– Tenho que sair daqui logo… Não posso perder este ponto… Não posso ser descoberto… – Ele respondeu baixinho. – Venha senhor, saia daqui também ou o dono deste lugar vai desconfiar de você.

– Hahahaha! Não se importe com isso. Rapaz venha comigo, eu lhe arrumo algo pra comer e te ajudo a tratar destes ferimentos. Você foi realmente muito corajoso e forte por agüentar firme isso que acabou de acontecer.

 

E, pegando o garoto nas costas ele deixou o lugar antes que o dono voltasse…

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