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Sonho

27/06/2011 3 comentários

“As pessoas não sabem mais apreciar o perfume das flores”

Naquela manhã fria do outono em Leyas eu sentia que os ventos estavam pra mudar. Por volta de um ano atrás, eu conheci uma pessoa na minha cidade natal. Mas a história do encontro é o que pode chamar a atenção.

“Eu estava caminhando pela praça na parte central da cidade onde eu nasci. Se bem me lembro estava indo praticar meus tiros com arco e flecha como fazia todos os dias. Tinham muitas pessoas andando por ali naquele dia e em meio a todas elas eu só consegui reparar em uma pessoa. Ela era uma garota branca, com altura normal pra qualquer mulher, vestia-se com roupas pretas, mas em um estilo um pouco diferente do normal e o fato o fato dela usar seus cabelos na cor verde não foi o que mais me chamou a atenção e me fez olhar aquela pessoa com mais carinho.

A primeira coisa que me veio na cabeça foi sonoro “nossa!” E eu só conseguia pensar que precisava encontrar aquela garota novamente, que algo passou pelo meu coração e pela minha anima naquele momento.

Contudo, pra uma cidade pequena e comum como a minha, aquele tipo de pessoa era totalmente diferente e com certeza estaria deslocada ali. Devia ser de alguma capital ou de algum grande feudo e possivelmente eu não a veria novamente.
Meu engano começou no dia seguinte, quando eu saí pra ir a feira comprar legumes que estavam em falta na casa de meus pais. Ao andar pela principal rua da cidade não é que eu me deparo com a garota novamente?! E dessa vez eu passei bem ao lado dela.
Pensando que não seria ali nada mais do que outra pessoa do mundo, afinal, depois de tantas decepções e tristezas em minha vida, minha esperança nas pessoas já tinha desaparecido. Senti uma vontade muito grande de falar com ela, mas muitas barreiras ficaram em meu caminho me impedindo de sequer arriscar um “oi”.

Enfim, aquele dia teria marcado minha existência como o maior arrependimento da minha vida se não fosse pela minha curiosidade intuitiva e determinação, que me fizeram manter a esperança acesa durante muito tempo depois daquele dia.

Algum tempo depois, ao ver umas pinturas que uma amiga fazia, notei que ela tinha preparado uma exposição temática com pinturas que ilustravam um passeio que ela havia feito com uma grande amiga. Nesse dia eu tive a maior certeza de todas, pois ao olhar as pinturas não é que eu vejo a garota dos cabelos verdes desenhada ali? Nesse dia eu vi que o contato seria feito e que eu não poderia desperdiçar a chance, arrumei uma pena e um pedaço de papel e escrevi um bilhete para a minha amiga artista entregar à sua parceira de retrato.

“Vou querer te conhecer.”

 

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