Atmadja

Parte 1 : Aventuras?

Era uma manhã quieta e ensolarada no reino de Aura. Depois de tantas guerras e desavenças, o grande rei Tolkius trabalhava duro para cuidar de seus afazeres diários para com o seu povo que ainda se recuperava dos conflitos recentes. E enquanto os adultos tratavam de trabalhar para restaurar a prosperidade do reinado, a esperança fluía grandemente nas crianças que cantavam e brincavam, trazendo energia revigorada para seus pais e para todos aqueles que, envolta, trabalhavam para lhes garantir uma terra boa para prosperar futuramente.

Entre essas crianças, estava Selena Hauri de Linora, filha do grande Rei Tolkius Arthen de Linora, princesa do reino de Aura, a qual corria e procurava por insetos nos pátios do castelo, não podia ser menos do que idéia de Jim Vollenkauser, filho de Marc Vollenkauser, um andarilho das terras ermas que sempre deixava seu filho sob os cuidados de sua avó, cozinheira chefe do castelo de Aura, o que não dava ao garoto um status mais alto entre as crianças do castelo.


Jim e Selena sempre foram muito amigos e ligados e quase todo o tempo estavam juntos. Apesar de ser muito bem educada Selena não seguia a risca todas as regras e princípios ditados ao porte de princesa que ela tinha. Ela gosta de se sujar na terra e de subir em muros e árvores. Seu amigo Jim era menos flexível, porem bem mais forte e a ajudava a alcançar cada vez lugares mais secretos dentro dos domínios do castelo.

Um dia, durante suas aventuras pelos corredores dos castelos, Selena e Jim resolveram de ir se aventurar pelas catacumbas antigas dos ancestrais de Aura, Jim encontrou uma portinhola secreta que há muito tempo não era utilizada, ela dava acesso aos antigos túmulos dos heróis que lutaram por Gaia em antigas guerras do passado contra criaturas abomináveis, isso seria para eles sua maior aventura ali dentro, pois tudo o que faziam, desde a escalar uma árvore até descer até os esgotos subterrâneos para coletar aranhas eram mirabolantes aventuras nas suas cabeças imaginativas.


Munidos das suas coragens e ávidos por saber o que se escondia por dentro daquelas antigas tumbas, os dois jovens seguiram salão adentro, revistando cada sarcófago e cada túmulo que encontravam. Olhando deslumbrados para aqueles velhos e empoeirados esqueletos. Porém, algo os deixou ainda mais curiosos… Selena encontrou um sarcófago deitado com algumas inscrições diferentes nas suas laterais, e ao abri-lo se depararam com um vazio inesperado para aquele local. E Jim, como não poderia perder uma graça oportuna como aquela, foi logo se enfiando no sarcófago e fingindo ser um Rei antigo que morreu lutando contra espectros do mau.
Entretanto, ao deitar no sarcófago vazio, a madeira do fundo do mesmo cedeu e Jim desabou no que parecia ser mais uma cova secreta dentro daquele antigo salão…

 

Parte 2 : A Luneta

Jim caiu por alguns metros antes de tocar o solo com as costas, teve uma queda suave, amaciada por tecidos velhos, algumas madeiras podres e teias de aranhas tão grossas quanto as cordas dos balanços da área de brincar do castelo. Selena estava preocupadíssima e aos berros perguntava se estava tudo bem com Jim, mas ele, após alguns segundos sem fôlego, que pareceram ser horas, respondeu para a amiga com uma grande risada e dizia que estava bem e não havia quebrado nada.

Ele disse que Selena precisava achar um jeito de descer até lá a todo custo, pois havia encontrado algo muito, mas muito legal dessa vez, e ela com certeza ia querer estar presente, pois essa sim, seria a maior de suas aventuras.
Selena conseguiu achar uma maneira de escalar entre as rochas e desceu de encontro ao amigo.

Ao chegar ao fundo da cova, as duas crianças estavam em um corredor longo e iluminado magicamente através de alguns cristais espalhados pelo chão e pelas paredes. Os dois olhavam deslumbrados por estarem vendo uma mágica dessas sendo mantida em um lugar escuro, sujo e que nunca é visitado. E então, mais uma vez motivados por suas curiosidades, os dois decidiram continuar explorando…


O corredor descia, e fazia algumas dobras, e quanto mais eles andavam, mais aquela escuridão iluminada parcialmente por cristais mágicos ficava interessante, pois os cristais mais profundos começavam a apresentar runas e isso os deixava ainda mais curiosos pelo que estava por vir. Eles seguiram o corredor até o seu fim, onde encontraram uma parede com uma palavra escrita a qual eles sabiam ler, mas desconheciam seu significado. Jim queria ler, mas estava com medo, pois não era uma palavra comum, ela tinha presença e era feia aos olhos das duas crianças, mas Selena era corajosa e não agüentava ver o amigo se moendo de curiosidade para saber o que tinha por trás dela. Então decidiu ler! E sem se preocupar falou em um tom alto e limpo com sua voz melodiosa:

“Vrestskyonna!”.

A grande porta se abriu com um ruído alto de pedra raspando pedra, e dentro dela estava uma sala limpa, iluminada, bem espaçosa, com o teto alto e abaulado, segurado por uma grande e bem esculpida coluna de pedra no centro, a sala também tinha o que pareciam ser grandes janelas iluminadas magicamente, representando a luz da superfície. Jim saiu correndo olhando deslumbrado as mágicas escritas nas paredes da sala e os fabulosos lustres de cristais que pendiam do teto. E Selena foi direto para o fundo da sala, olhando fixamente para uma caixa dourada com uma espécie de cúpula de vidro no seu interior. Durante esses instantes ela não ouviu sequer uma palavra do que Jim disse, mesmo ele estando falando alto e correndo sem parar de um lado para o outro da sala.

Selena olhava para o que parecia ser um pequeno cilindro dentro daquela cúpula incrivelmente limpa e lustrada. Sua mão se movia praticamente sozinha em direção à caixa, ela acabou abrindo instintivamente a cúpula e alcançando o pequeno objeto que ali estava. Era como se ela estivesse destinada a fazer aquilo, Selena abriu o cilindro e tirou o seu conteúdo… Uma pequena luneta simples e prateada com adornos nas suas extremidades e presa por uma corrente de prata, ela emanava uma energia nunca sentida por eles, era como se a própria luneta tivesse anima. No mesmo instante, algo dentro de Selena lhe dizia para guardar a luneta, ela era sua nova dona e um objeto tão maravilhosamente não deveria estar ali, trancado numa sala velha e afastado do conhecimento de todos. Mal sabiam eles que essa energia acabava de selar um destino inimaginável para os dois…

 

Parte 3 : A Mágica

Ali estavam os dois jovens, um deles ainda parado olhando com entusiasmo para todos os cantos da sala secreta que achara enquanto a outra segurava a pequena luneta nas mãos. Em instantes, como se o pequeno objeto tivesse vida, ela inconscientemente o levou até os olhos e olhou através das suas lentes.
O que aconteceu a seguir foi tão assustador que botou os dois pequenos para correr imediatamente daquele lugar que havia passado de fantástico para obscuro e malévolo em alguns segundos.

 

Selena havia olhado através da luneta para uma pequena aranha que entrava pela parede da sala. Entretanto, o objeto não proporcionava ao seu usuário uma visão comum, ela mostrava um mundo obscuro e distorcido onde apenas uma energia de maldade podia ser sentida e no instante em que ela avistou a aranha na parede, ela viu uma criatura terrível, algo que ela e praticamente qualquer outra pessoa desconhecia ser desse mundo.
E o que aconteceu não foi diferente. O pequeno inseto mudou de forma e de atitude, em segundos ela havia ficado maior, com aspecto asqueroso e medonho além de passar a ser muito agressiva saltando e tentando alcançar Jim para atacá-lo.

Enquanto isso, chegava no castelo um jovem que há pouco tempo estava nas terras de Aura e já tinha feito alguma fama com suas poesias e músicas sobre feitos fabulosos de heróis esquecidos, ele andava com passos finos e leves usando roupas elegantes com um grandioso casaco de folhas mágicas sobre as costas e que estranhamente tinha um pássaro acomodado em seu ombro durante o tempo todo. Ele desejava encontrar com o grande rei Tolkius, pois gostaria de lhe oferecer uma premonição e se possível, contar algumas histórias e fazer uma canção sobre seu magnífico reino.

As crianças corriam e gritavam sem parar, o aracnídeo que os atacava agora havia se tornado um monstro e eles estavam com medo. Agindo num instinto de coragem, enquanto Selena começou a jogar pedras na criatura, Jim alcançou um pedaço de madeira que estava na sala e depois de algumas investidas, conseguiu a atingir em um ponto vital, derrubá-la no chão e matá-la. O episódio foi tão aterrorizante para os dois que eles saíram correndo imediatamente da sala, passaram pelos corredores sem sequer olhar as runas ou se tinham deixado alguma coisa para trás e subiram novamente para as catacumbas sem nenhuma dificuldade e continuaram correndo até alcançarem o pátio aberto do castelo onde finalmente pararam e perceberam que estavam feridos, assustados e sujos. E queriam muito que seus pais aparecessem.


“Kundizanye un iaul tu bay
Esintar na mavyra
Vondelainy in a vur tu fray
Apdrá na mamyra
Kuntefela kuntefila dar
Kundizanye kundyzan na mamyr

 

Lai lai lai, lai lai lai
Lai lai lai, lai lai.”

Essas palavras em forma de uma canção calma e bela, foi o que fez cessar o choro de Selena e Jim ao sentir uma mão pairar sobre suas cabeças enquanto que tudo o que acabara de acontecer parecia sumir de suas mentes e um grande alívio tomou conta de suas animas. Selena olhou para o jovem e perguntou quem ele era.
E com seu carisma grandioso ele respondeu que ali não era ninguém, mas podia se dar o luxo de adquirir um “apelido” e se auto-entitulou Moiro, Moiro Trovante, um trovador do além mar.

Parte 4 : A Maldição

O trovador misterioso levara as duas crianças até a sala do trono onde Selena pode encontrar seu pai enquanto Jim saia correndo para o encontro de sua avó em seus aposentos.

O Rei queria saber o motivo de sua filha estar tão alvoroçada, mas ao mesmo tempo tinha de prestar sua cordialidade ao novo visitante, o qual chegara sem avisar, e não tinha sido anunciado.

 

Selena desandou a falar, falou tudo de uma só vez sem para nem sequer pra pegar fôlego, não foi sem motivos que acabou se afogando e com isso dando motivos para seu pai mandá-la descansar um pouco em seu quarto enquanto conversava com o bardo que ali esperava calmamente.

A história de Selena deixou tanto Moiro quanto o Rei bem apreensivos, pois ela contou sobre uma tumba secreta e uma luneta que ambos já tinham ouvido falar antes e a coisa não era boa. Por fim, o Rei deixou que Moiro se identificasse e contasse o motivo de sua visita ao seu reino. E ele assim o fez, dizendo que o principal motivo de sua estada ali era de fato a sua filha, e o objeto que ela tinha encontrado e isso deixou Tolkius ainda mais Intrigado com seu visitante.

Então Tolkius pediu para que ele explicasse em detalhes essa história. E Moiro começou a contar sobre a luneta…

“Há muito tempo atrás, numa guerra esquecida pela maior parte da humanidade, os deuses lutaram contra seres obscuros usando de armas criadas com o anima do planeta. Tais armas existem até hoje trocando de dono de tempos em tempos, pois a ambição dos homens sempre os motiva a buscar mais poder.
Contudo, existiu uma outra arma poderosa feita com o intuito de vencer os humanos e obter o domínio do poder total sobre quem a possuísse… Mas essa arma terrível foi destruída e de seus cacos vieram as grandiosas espadas dos reis denominadas de “As Seis” e muitos outros artefatos os quais se espalharam pelo mundo e até hoje tem seus paradeiros ocultos da maioria dos seres vivos em Khali.
Um desses artefatos criados se chama “Ldalheus” e é uma luneta com poderes obscuros e com um único intuito: Dominar e corromper os seres vivos.”

E era essa luneta que Selena havia desenterrado…

Tolkius estava inconformado ao ver que sua filha estava amaldiçoada com a posse da luneta, pois segundo Moiro, aquele que lê a mágica de ativação, se torna detentor da luneta e seu único dono o qual tem como função corromper todas as criaturas possíveis ao seu redor e em todos os lugares que fisitasse, até que por fim se tornaria um ser tão corrompido quanto o mundo que estaria criando, vivendo em conflito eterno com sua própria consciência.

Mas, prevendo tudo isso, Moiro estava ali. E tinha vindo para ajudar Selena a se livrar disso, pois o poder da luneta é tão grande que ao simples vislumbre do objeto, ninguém sente a menor vontade de destruí-la, mas sim, de usa-la. E por este motivo, Selena deveria manter a luneta em segredo, escondida de todos.
Segundo Moiro, Selena é uma criança muito pura, então será trabalhoso para a luneta conseguir corrompe-la rapidamente, por isso eles devem achar uma forma de destruir a luneta logo.

Tolkius prometeu deixar a filha trancada durante esse tempo, para que nada lhe aconteça e para evitar que ela venha a usar a luneta sem querer nas pessoas a sua volta.

Entretanto, Selena estava ouvindo toda essa conversa e tratou de sair dali em busca da tal maneira para destruir a luneta. Ela rapidamente fez uma pequena mochila com suas coisas, e chamou Jim para que se aprontasse também, pois dessa vez teriam uma missão de verdade: Encontrar alguém que soubesse como destruir a luneta. Em instantes estavam os dois prontos para usar sua saída secreta do castelo e partir em busca de alguém que pudesse saber algo sobre a luneta.

No entanto, a dúvida deles agora era… por onde começar?

Parte 5 : Dance, Dance.

Selena e Jim andavam pelas ruas da cidade admirados com a quantidade de pessoas que circulavam por ali sem parar, e com todas as roupas diferentes e tipos de pessoas as quais chamavam a atenção com seus sorrisos, deconfianças, lábias, iras e todas as mais variadas formas de expressão que podiam ver nos rostos dos cidadãos de Praani, a capital do Reino de Aura.

A essa hora o Rei Tolkius, já chamava o seu conselho para achar um jeito de mandar buscar sua filha. Ele começava a pensar que a maldição da luneta já haiva começado e ele tinha muito medo de perder seu tesouro mais precioso. Moiro disse para Tolkius continuar com seu trabalho ali, e que ele iria atrás da mãe de Selena e Rainha de Aura no reino vizinho de Kah Lad, e de lá traria algo que talvez pudesse ajudar na busca pela criança, pois apesar de ela ser uma menina ainda muito jovem, a cidade de Praani é grande e existem muitas pessoas ali com intenções não dignas.

As duas crianças andaram por muito tempo conhecendo os lugares da cidade e dando um jeito de escapar da vista dos guardas reais, pois era óbvio que já estavam a procura dos dois.

Contudo a fome começou a bater e eles resolveram que teriam de parar para fazer um desjejum. Escolheram uma pequena pracinha para faze-lo, e em alguns instantes ali estavam as duas crianças sentadas em uma pequena toalha, comendo pão com a famosa geléia de morangos que a avó de Jim preparava.

Tolkius reuniu a guarda real e mandou que em segredo eles procurassem pela sua filha e pelo seu amigo Jim, pois os dois haviam escapado para a cidade e não deveria estar longe, apesar de ser uma capital grande, não deveria ser problema para seus soldados encontrar duas pequenas crianças.

Enquanto os dois comiam, chegavam por ali perto vários pássaros esperando pra receberem um pouco de comida dos humanos e o fato de ter duas crianças sentadas na praça comendo pão junto a vários pássaros, certamente chamou a atenção das pessoas que circulavam por ali e em alguns instantes, chegara junto aos dois pequenos um jovem de longos cabelos e com boa aparência que se apresentou como Rozer Mãos Leves.
Ele parecia ser um jovem muito animado e não demorou muito pra conquistar as crianças, se oferecendo para servir de guia para os dois enquanto caminhavam sozinhos pela capital, afinal isso era perigoso. Ainda mais para duas crianças.

A guarda real começara de imediato a busca pelos dois jovens. Percebendo isso Rozer tratou de rapidamente leva-los para seu esconderijo subterrâneo nos esgotos da cidade, dizendo que ali eles estariam seguros dos guardas. Selena e Jim acreditaram nas suas palavras e o seguiram. Mas suas intenções eram vis.
Rozer levou as crianças para o que era na verdade uma guilda de ladrões muito conhecida no submundo de Praani ele iria usar os dois como o prêmio que lhe daria direito de entrar para a guilda.

Mas seu plano não foi bem sucedido, pois enquanto ele se apresentava para o chefe da guilda, e garantia que a menina era filha do rei, a Luneta dentro da bolsa de Selena começou a vibrar e brilhar de uma maneira estranha e, mesmo contra sua vontade, Selena sentiu uma vontade incontrolável de olhar pela sua lente, e assim ela o fez. Podendo perceber que as pessoas ali não precisavam ser corrompidas, elas já eram tomadas por vários tipos de maldade. Passar essas pessoas pela luneta apenas os fez colocar essa maldade para fora causando uma grande confusão e iniciando muita briga ali dentro.
Então ela pegou Jim pelo braço e os dois saíram correndo assustados pelos muitos corredores que ali existiam.

O lugar era um labirinto e eles não tinham idéia de como sairiam dali. E foi só uma questão de tempo até que eles estivessem encurralados novamente, mas dessa vez por outros bandidos os quais os usariam para conseguir maiores graduações e riquezas dentro da guilda.
Jim cerrou seus punhos e se preparou corajosamente para enfrentar os ladrões enquanto Selena sentou no canto e deixou que escorressem algumas lágrimas. Nesse momento, vários som combinados em uma suave harmonia se intensificavam e colocavam os bandidos para dormir calmamente, deixando o caminho livre para que as crianças pudessem escapar.

Pensando que novamente o bardo encantado tinha voltado para lhes salvar Selena não quis sair dali enquanto ele não aparecesse, mas o que saiu das sombras foi uma belíssima mulher usando um majestoso vestido vermelho, ela dançava e brandia um leque no ar enquanto a música ia surgindo pelos corredores, vinda de várias pétalas de rosas que voavam ao seu redor conforme ela dançava.
Ela estendeu a mão para as crianças dizendo que os tiraria dali. E desta vez Selena não tinha dúvidas nesta mulher eles poderiam confiar…

Parte 6 : O Ancião

A linda moça de vestido foi levando as duas crianças pelos corredores daquele labirinto como se conhecesse o lugar há anos. Em alguns minutos estavam fora dali, e incrivelmente não tinham sido seguidos por ninguém.
Selena estava maravilhada, parecia que tinha sido enfeitiçada pelo carisma da jovem, e não conseguia parar de olhar para ela, admirada. Jim estava igualmente admirado, mas ele, no entanto, estava mais preocupado em sair de lá vivo.

 

Depois de algum tempo correndo, eles alcançaram o que seria uma espécie de saída secreta daquele lugar, e caminharam por mais alguns minutos para dentro de um bosque de eucaliptos que tinha por ali.

Finalmente Selena conseguiu deixar sair sua voz e perguntou qual era o nome da moça que lhes salvou.
E ela se apresentou para os jovens como Faeh Kizha, uma dançarina errante. E Jim apressou-se em questionar o que é que um dançarina estava fazendo naquele lugar cheio de bandidos. Ela novamente explicou para eles que estava lá a pedido de um velho amigo, com o qual viajava junto, e que tinha ido lá para investigar um homem suspeito que tentou lhes roubar o pouco dinheiro que carregavam.

Mas ai foi a vez de Faeh perguntar o que é que duas crianças estavam fazendo lá, e era sem dúvida mais estranho 2 crianças estarem naquele lugar do que uma dançarina.
Então Selena lhe contou toda a história com detalhes. Ela não sabia o motivo, mas tinha em sua cabeça um incontestável sentimento de confiança sobre esta jovem e belíssima mulher.

Contudo Faeh a interrompeu quando Selena, após contar a história, resolveu pronunciar o nome do seu artefato mágico.
Faeh ficou meio aflita com aquilo, tapou a boca de Selena com a mão e pediu pra que ela não repetisse aquele nome nunca mais, pois a cada vez que o falasse, poderia deixar o item ainda mais poderoso.

A preocupação da jovem era clara, e ela apressou-se em leva-los até uma estalagem e deixar tudo pago para que eles dormissem e se alimentassem bem, pois ela tinha de ir embora e não poderia mais acompanha-los.
Selena e Jim ficaram tristes, pois teria a certeza de que estariam sob a proteção da mulher de vermelho até o fim de sua jornada.
Mas estavam enganados, Faeh logo desaparecia no horizonte, e a expressão de preocupação na sua face era clara.

Assim que Faeh chegou novamente em seu acampamento, explicou para o velho o qual ela chamava de ancião sobre o dia curioso que ela teve e sobre a luneta, em posse da pequena princesa Selena. O velho não gostou nada da história e disse que precisaria encontrar as duas crianças, pois um destino muito obscuro poderia estar a espreita dos dois pequenos, e talvez do resto do mundo…

Parte 7 : Sequestro

Agora desamparados e sem saberem como dar continuidade na sua viagem, Selena e Jim passaram o resto do dia calados em seus quartos na estalagem, olhando ora para o teto, ora para o horizonte, a espera de que Faeh voltasse ou o Bardo do castelo chegasse para lhes mostrar o caminho.As horas passaram e era noite já quando Selena teve uma idéia, ela disse a Jim, qua na próxima manhã, eles teriam de achar um jeito de viajar até Kah Lad, o reino ao sul, pois ela ouvira de sua mãe muitas histórias sobre este reino e tinha certeza de que lá alguém poderia lhes ajudar, principalmente o seu rei Yoneh Ihabed, o qual, segundo sua mãe, conhecia todos os artefatos mágicos do mundo.

Jim se empolgou com a história de Selena e os dois conversaram muito até a hora em que foram abatidos pelo sono e dormiram profundamente, pois na manhã seguinte, estariam novamente na estrada e dando continuidade na maior das suas aventuras.
Entretanto, no meio da noite, o dono da estalagem conferiu os retratos que lhes foram mandados pela guarda real, e tinha certeza que ele hospedava ali a princesa real e seu amigo, os quais foram dados por desaparecidos e o Rei estava oferecendo um título nobre dentre a realeza para quem os trouxesse devolta.

Quando amanheceu, as duas crianças acordaram sem pressa alguma, levantando preguiçosamente e empolgados para começar a sua nova viagem.
Jim terminou de se arrumar antes, e caminhou em direção as escadas da estalagem, mas assim que conseguiu avistar o andar de baixo, onde ficavam as mesas para servirem o desjejum, seus olhos arregalaram-se com o que ele tinha visto. Ele apressou-se em voltar para o quarto correndo e avisar Selena que eles tinham que dar um jeito de fugir dali, pois alguém havia chamado Marc Vollenkauser, seu pai, para buscá-los.


Rapidamente, as duas crianças acham um jeito de descer pela janela da estalagem, afinal, subir e descer paredes, muros e árvores era uma das especialidades dos jovens e seria fácil para eles escaparem dali sem que fossem pegos.
Mas a pessoa que fora mandada em seu encalço não era um simples guarda do rei, era aquele que era conhecido como “O Cavaleiro Mágico” e não seria fácil escapar dele.
Os dois jovens andavam rapidamente para um bosque que havia no lado leste da estalagem e eles tinham certeza que estariam livres de qualquer perseguição logo que entrassem no mato.

Jim puxava Selena pela mão enquanto corriam pelo mato raso em meio às árvores e já começavam a se dar por livres quando o tal cavaleiro mágico os surpreendeu pulando de trás de uma arvore grande e os pegando pelos ombros.
As duas crianças se debatiam e esperneavam tentando escapar mas não surtia o menor efeito, eles eram como plumas nas mãos de Marc, o qual ria e dizia para eles que eles não precisavam ter feito isso e que deixaram todo mundo muito preocupado no castelo. Entretanto Selena não admitia ser capturada assim, gritava para ele que a própria bondade poderia acabar caso ela não completasse a sua missão.

Marc não sabia da historia da luneta e nem fazia idéia dos poderes malignos que ela detinha e por isso não deu muita bola para o que as crianças falavam. Ele levantou e começou a carregar as crianças devolta para casa. Mas no minuto seguinte as árvores começaram a mostrar um comportamento diferente, começaram a sussurrar e a balançar uniformemente, Marc chegou a perceber isso, mas era tarde, ele não foi capaz de reagir de outra maneira a não ser ficar fascinado com a dança das plantas e quando voltou a si, já tinham levado as duas crianças embora e tudo o que ele lembrava era de ter seus olhos verdes se encontrado bem de perto com lindos olhos azuis de uma mulher que usava um vestido vermelho…

 

Parte 8 : Principe

Uma brilhante linha azul cruzava o horizonte dos olhares das duas crianças e conforme o tempo passava, vários riscos que pareciam pequenas fadas os circulavam e emitiam luzes de todas as cores tornando efetiva a magia que lhes fora lançada.
Fascinadas, as crianças não sabiam o que estava acontecendo e só voltaram a si quando perceberam que não estavam mais no bosque e que o pai de Jim também não estava mais com eles.

 

Faeh, os saudou assim que os dois perceberam onde estavam e explicou o que tinha acontecido:
O ancião e ela, haviam lançado duas magias uma de teletransporte para os dois pequenos e uma de ilusão, ambas feitas a uma grande distância e com certo grau de maestria, o que indicava que um grande poder era possuído pelo velho, por isso todos ali lhe respeitavam tanto.
Selena ficou muito feliz ao ver Faeh novamente e com Jim não foi diferente. Os dois correram e chegaram a derrubar a jovem dama no chão quando saltaram para lhe abraçar.

Depois de matarem a saudade com risos e uma boa caneca de chá de maçã com canela, Faeh pediu para que o velho ancião lhes contasse outra parte da historia da luneta e para que eles entendessem melhor para onde teriam de ir agora.


E assim o velho começou a contar suas historias.

“A principio, era tudo um grandioso conto de fadas, sobre um príncipe antigo, exímio espadachim o qual havia conseguido a mão da princesa do reinado visinho com a qual ele iria casar para que os dois pequenos reinos fossem unificados, entretanto, a princesa amava um amigo desse príncipe o qual era muito belo e muito carismático.
Tendo conhecimento dessa situação, o príncipe, mesmo depois de casado com a jovem princesa, abriu mão desse falso amor e lhe deixou livre para seguir atrás de seu verdadeiro amor dando a ela toda a posse do pequeno reinado e sumindo daquelas terras para sempre.
Os mais antigos dizem que enquanto esteve sumido, o jovem e desapontado príncipe ficou com muita inveja do poder que o seu velho amigo tinha de convencer as pessoas somente com a lábia, coisa que ele nunca conseguiu fazer, mesmo sendo dotado de grandes conhecimentos e resolveu buscar uma fonte de energia que lhe desse poder suficiente para superar esse defeito que ele tinha e esquecer a inveja que sentia de seu amigo, contudo tal energia não podia lhe ser concedida de graça, pois ele foi busca-la nos precipícios esquecidos, lugar onde as animas humanas eram proibidas de ir, pois lá era onde haviam sido enterrados os corpos das criaturas abissais mortas.
O preço a ser pago seria que toda a energia maligna gerada pela sua inveja seria depositada em um pequeno pedaço de metal o qual se tornaria uma luneta mágica e tal item teria de ser oculto da humanidade, pois tal poder jamais poderia ser controlado.
O jovem príncipe pegou em mãos o pequeno metal e o viu se transformar na tal luneta, a qual foi amaldiçoada com toda a inveja do mundo fazendo com que, qualquer criatura que seja observada através de suas lentes se torne maligna e horrenda, a qual odeia tudo que não possa ter para si.
O príncipe passou por um pequeno estágio de iluminação, quando sentiu que não precisava mais ter inveja do seu amigo, pois tudo aquilo que ele conseguia, era pra ser seu, e ele não precisava se sentir magoado por não ter aquilo que as pessoas a sua volta tinham, pois o seu valor interior era maior do que todas as coisas do mundo. Pensando nisso, ele foi tomado por um arrependimento enorme e decidiu que destruiria a luneta, pois ele era o único com poder para isso.
Entretanto, a luneta respondeu por si só e tomou o príncipe por uma força incontrolável de olhar seu reflexo na água pela luneta. Com muito medo, confuso, e sem conseguir controlar suas mãos, o príncipe acabou se olhando nas águas de um rio através da luneta e se transformando numa criatura a qual não cabe em nossas mentes humanas e destinado a vagar pelos mundos destruindo-os com seu majestoso poder, mas como o príncipe sabia das suas condições deformadas, ele rapidamente tomou sua espada e decapitou a própria cabeça monstruosa para que não pudesse fazer mal algum ao mundo em que vivia.
Em meio a tudo isso, a pequena luneta foi perdida e de tempo em tempo ela dava um jeito de mudar de lugar até que pudesse encontrar um novo dono o qual ela escravizaria e usaria para destruir tudo a sua volta.”

Ao final de toda a historia, o ancião lhes aconselhou a seguir para o sul novamente, para o deserto de Na’haari, e buscar pela antiga tumba da princesa e de seu amado, e procurar nelas, uma espécie de testamento o qual lhes indicaria qual caminho seguir para encontrar o local de origem da luneta, só lá ela poderia ser destruída.

 

Parte 9 : Kah Lad

Estavam todos arrumando as malas para começar a viagem até o Reino de Kah Lad, onde procurariam por um testamento esquecido em meio ao deserto de Na’haari. A Princesa Selena expressava uma certa e incomum angústia quanto a essa viagem, Jim se preparava com uma adaga e fazia sua mala com mantimentos e Faeh, que seria a responsável pela viagem dos pequenos, trocava seu vestido por um mais curto enquanto pensava em novas canções e em qual das suas flautas ela levaria consigo.
O velho ancião estava deitado em sua cama de palhas murmurando algo em uma língua estranha que Faeh preferia não prestar atenção, sempre que ele fazia isso, uma notícia ruim era dada.

 

Dentro de algumas horas eles estariam partindo, mas Selena estava estranha, ela estava sentada no galho de uma árvore com o olhar desfocado e perdido, era como se estivesse em uma espécie de transe.
Jim precisou chamá-la mais de três vezes até que ela conseguisse ouvir o chamado e prestar atenção no amigo aos seus pés. Mesmo com a insistência do amigo, ela preferiu não comentar nada sobre o que ela estava sentindo naquele momento.

Então seguiram, rumo ao sul ao som da belíssima e encantadora voz de Faeh, a qual entoava hinos que faziam o vento se movimentar a favor dos seus cavalos, hinos que davam energia renovada para todos eles e que inspiravam as crianças a cantar junto com ela.
Durante o percurso todo, Selena esteve com aquele mesmo olhar perdido várias vezes, não quis falar sobre esse assunto com ninguém e isso, claramente deixou Faeh apreensiva, mas ela fez a vontade da menina e deixou o assunto de lado.

Depois de muitos dias viajando e muitas paradas ao luar, finalmente os três alcançaram as terras ermas do sul que faziam a fronteira entre Kah Lad e Aura o que significava que dentro de alguns dias estariam alcançando a grande cidade-capital de Kah Lad, Seh’das e seu maravilhoso castelo-oasis, de lá Faeh sabia que poderia contar com as montarias aladas do rei-sultão Yonehad, ficando assim muito mais fácil para eles alcançarem o deserto que lhes era de destino.

Passaram-se os dias de sol forte, como era de costume em Kah Lad, e eis que finalmente Selena e seus companheiros alcançaram o majestoso castelo de Seh’das, rodeado por uma grande cidade em um inacreditável Oasis em meio a areia e pedra.
Sem muitas delongas, Faeh tratou de convencer os guardiões das muradas da cidade a deixá-los entrar logo, pois eram viajantes do norte e tinham assuntos importantes a tratar.
Entretanto, apesar de terem entrado facilmente na cidade, foram impedidos de alcançar o castelo sem uma identificação apropriada e mesmo com todo o carisma e lábia de Faeh, não foi possível que eles passassem dos portões do castelo.
Estranhamente, Selena começou a chorar e a gritar com os guardas, implorando para que lhes deixassem entrar, pois ela não agüentava mais toda essa historia e queria voltar pra casa, mas isso de nada adiantou, os guardas continuaram inflexíveis.

Logo em seguida, desce dos céus uma enorme ave dourada a qual a simples presença fez com que os guardas fizessem suas reverências e abrissem os portões e logo que a ave pousou, seu “domador” por assim dizer, disse aos guardas que estava tudo bem, que as duas crianças e a jovem dama eram seus convidados e parceiros de viagem, e que nenhum guarda em Kah Lad poderia negar passagem a amigos de Moiro Trovante!


Parte 10 : Imprevisto

Os olhos de Selena brilhavam ao contemplar a imagem de Moiro, o trovador que novamente veio dos céus para lhe ajudar. Jim saltou de felicidade e começou a gritar para Faeh que seu amigo havia chegado que agora tudo ficaria bem.

 

Faeh fitou o bardo nos olhos, olhava-o fixamente, como se tentasse lançar um feitiço de charme sobre ele, mas a serenidade no olhar do homem era tamanha que ele parecia imaculado ali, em pé, com o seu pássaro sagrado.

Moiro, ao notar o olhar intenso da jovem cigana, se apresentou cordialmente dizendo que demorou um pouco para alcançá-los porque teve de resolver uns problemas de ultima hora em Aura antes de vir até Kah Lad.

Selena andava ao lado de Moiro completamente renovada, aquela angústia que tinha começado a dominar a jovem princesa parecia ter completamente desaparecido. Enquanto andavam, Selena tentava se aproximar de alguma maneira do companheiro alado de Moiro, agora transformado em um pequeno pintassilgo dourado. A ave rodeava a pequena princesa com um suave e fino bater de asas, enquanto Moiro e Faeh trocavam poucas palavras sobre os conhecimentos de ambos sobre a luneta e a ameaça que ela pode oferecer.


Enquanto os jovens caminhavam pelo pátio do castelo, numa tenda distante dali, uma jovem sofria sozinha para manter seu pequeno acampamento em pé diante da tempestade de areia que se aproximava. A pequena era iluminada por uma luz sagrada e ela parecia ter plena confiança nessa luz diante da tempestade que parecia vir com força, e parecia estar mais preocupada com sua tenda do que consigo mesma, devia guardar ali coisas importantes e que não poderiam ser perdidas…

Finalmente Selena e seus amigos chegaram à sala do trono, enquanto Moiro e Faeh explicavam para o Sultão Yonehad a situação em que eles se encontravam e a importância de se destruir a luneta antes que alguma coisa ruim aconteça.

A jovem princesa observava atentamente a conversa dos três adultos, no entanto, algo começava a perturbar a pequena Selena. Sua bolsa começava a brilhar num tom vermelho fraco, mas intenso o suficiente para fazer a mão da jovem se mover e abrir a bolsa para que ela pudesse checar o seu conteúdo.

Jim percebeu que sua amiga estava agindo de maneira estranha e correu até ela, pegando suas mãos e desviando sua atenção da luneta amaldiçoada. Cantando uma música, ele chamou a atenção da princesa para a conversa séria entre o Sultão, Faeh e Moiro, mas logo que os dois se distraíram com a conversa deles, Selena incontrolavelmente levou sua mão até a bolsa e removeu seu conteúdo. Jim foi o primeiro a notar e falou para ela guardar a luneta, que não era bom deixar ela a mostra daquele jeito, ainda mais brilhando de vermelho da forma que estava.
Selena, em resposta, levou a luneta até o seu olho, mirou para um dos guardas que estavam na porta do salão e pronunciou uma frase medonha e sem significado:

“Adhraba vstneskis askid tempor vrestskyonna!”


 

Parte 11 : Melissa Hayle

O guarda começou uma rápida mutação e em instantes tinha se tornado uma criatura horrenda, ele havia se modificado de tal forma que os olhos estavam agora dispostos no seu peito, uma bocarra tomou lugar da sua cabeça e os braços eram agora duas grandes e afiadas pinças com garras e isso tudo era demais para a mente das pessoas sãs que estavam ali e todos que conseguiram sairam correndo do salão imediatamente. Jim sacudia Selena e chamava por seu nome, mas ela estava com os olhos completamente desfocados e não dava nenhum sinal de sua consciência estar ali para responder ao chamado de seu amigo.

 

Uma nuvem vermelha encobriu o lugar enquanto a monstruosidade começava a destruir o salão e a devorar os outros guardas que ali estavam. Yonehad moveu suas mãos rapidamente e lançou um feitiço sobre a criatura, mas pareceu não surtir nenhum efeito imediato, Moiro e seu pássaro estavam caminhando para o centro do salão onde ele sacou sua flauta e começou a tocar uma canção do mundo antigo, Faeh tomou Selena nos braços e, passando sua mão na fronte da pequena, cantava e clamava para que ela voltasse a si, pois precisava da sua ajuda para fazer a criatura desaparecer.

A criatura começou uma grande destruição e nenhuma das armas que eles tentavam usar parecia surtir efeito, ela andava em direção a Selena, com seus seis olhos fixos na luneta pendurada em seu braço. Faeh continuou ali e junto com Jim, que havia tomado em suas mãos uma das espadas que haviam sido derrubadas por ali, estavam determinados a proteger a princesa de qualquer maneira, mesmo com aquela enorme criatura se aproximando.

Quando o mosntro chegou perto deles e parecia que eles teriam de abandonar suas vidas, Moiro cessou sua canção e gritou do centro da sala para que flechas fossem lançadas sobre a criatura, pois sua proteção estava desfeita e agora ele poderia se derrotado.
Assim foi feito. Precisamente, uma flecha foi disparada contra o corpo criatura atravessando-a inteiramente e perfurando o chão do salão.

Aquele ser mostruoso cambaleava, parecia grande demais para se parada com apenas uma flecha. E de fato não seria, se esta fosse uma flecha comum, mas não era, tampouco havia sido disparada por um arco comum e por uma pessoa comum.
Em uma das janelas do castelo refletia sob as luzes coloridas do pôr do sol uma bela jovem com longos cabelos negros e um magnífico arco em suas mãos.

Ela desceu e examinou a criatura morta, removeu do chão a flecha lançada, verificou se ela continuava intacta e a guardou em sua aljava novamente. Enfim virou-se para todos ali presentes e fez uma sutil referência ao Sultão, o qual a apresentou aos demais como Melissa Hayle, uma heroína do mundo antigo e sua amiga.
Melissa sorriu para todos e disse ter vindo para ajudá-los a enterrar Lkalhi novamente antes que ela comece a causar destruição.
Moiro olhou para a garota e ficou tentando imaginar como alguém tão jovem poderia ser do mundo antigo, afinal dessa época só restaram os reis e as lendas, nem mesmo os dragões conseguiram escapar.

Contudo Melissa parecia ser amigável, apesar de ser uma pessoa meio selvagem para sua aparência, ela tratava a todos com respeito e educação dignas das mais nobres famílias.
Depois de feitas as devidas apresentações, Yonehad estava certo que realmente essa luneta era um perigo e precisava ser destruída de uma vez, pois se ela pode fazer aquilo com um simples guarda, o que não poderia fazer se fosse apontada para alguma criatura mais poderosa?

(…)
No deserto, a tempestade de areia havia chegado com muita força no local onde a pequena jovem tentava inutilmente cuidar da sua tenda. Tudo havia se perdido, com exceção de uma pequena caixa de jóias e alguns papéis que ela guardou em meio aos trapos que usava de roupa. A jovem em si, no entanto, continuava imaculada em sua aura sagrada e indiferente com relação a tempestade a sua volta…

Moiro, Faeh e Melissa estavam ali pra isso, mas como Faeh havia explicado, eles precisariam caminhar até o deserto de Na’haari para encontrar a antiga tumba que revelaria todos os seus segredos. Só assim eles saberiam qual a maneira correta de se destruir a luneta. Contudo tal deserto ficava longe, e o caminho para lá era cheio de muitas bestas e criaturas indomáveis.
Mas Yonehad estava disposto a lhes dar todos os recursos que seu reino pudesse oferecer, e com isso lhes permitiu que tomassem emprestadas suas montarias aladas, os famosos Grifos de Kah Lad. O sultão dispôs aos cinco heróis 4 de seus grifos, provisões de viagem e domadores os quais os acompanhariam até a tal tumba, aguardariam seu retorno e os trariam novamente para a segurança do castelo.

E assim eles partiriam, mais uma vez sentindo que o fim dessa jornada se aproximava, e que os perigos tendem a aumentar, mas com Moiro, Faeh e agora Melissa ao seu lado, as crianças estariam bem protegidas, pelo menos por enquanto…

 

Parte 12 : Deserto

A tempestade de areia castigava a vila conhecida como Albed no reino de Kah Lad. Os pacíficos moradores estavam todos trancados em suas casas, lutando para manter todas as frestas bem tampadas. A força do vento era grande e a quantidade de areia era enorme o que fez com que quase todas as construções ali ficassem parcialmente cobertas de areia e pedriscos. Algumas construções mais frágeis foram destruídas ou levadas pelo vento e isso significava que as famílias dali teriam muitos dias de trabalho para reconstruir sua vila.

 

Correndo por entre as grandes rochas que cercavam o lado sul da cidade estava um homem pequeno e robusto, encarava a tempestade como uma serpente do deserto encarando sua presa.
O que ele buscava, seja lá o que fosse, deveria ser realmente muito importante para que o tirasse de sua proteção e caminhasse por entre uma ventania de areia daquelas.

Alguém por ali abriu uma portinhola no meio das rochas, gritou seu nome e para que ele andasse rápido, antes que a areia resolvesse tomar todo o interior de seu esconderijo. Contudo o anão não tinha preocupação alguma para com a tempestade, a única coisa com a qual ele parecia estar preocupado era uma pequena caixa de madeira entalhada, a qual emanava um suave brilho multicolorido e realmente parecia ser algo de grande valor para seu portador.

O anão era Jonos, um minerador da vila, era reconhecido por sua habilidade em lapidar pedras preciosas e pela facilidade com que é capaz de decepar uma cabeça de orc.
Há alguns anos Jonos começou a ficar obcecado por encontrar as “jóias do deserto”, que dizem conter a essência de velhas animas e proporcionar a seus portadores o conhecimento do mundo antigo, o anão quer reorganizar sua cabeça para poder lembrar-se de tudo que aconteceu antes da “grande colisão”, onde, segundo ele próprio, acabou perdendo a memória, ele alega piamente que viveu junto aos grandes heróis das lendas antigas.

Ele caminhava facilmente pela ventania de areia carregando sua pequena caixa até chegar à portinhola do abrigo, onde poderia descer novamente para sua casa subterrânea. Contudo, não foi isso que ele decidiu fazer. Ele chegou até o jovem encapuzado que cuidava da porta e o avisou que ainda tinha uma missão a cumprir no deserto. Que mesmo em meio a essa tempestade, ele ia atrás do “Oasis Móvel”, pois somente sob estas circunstâncias ele poderia achar uma das jóias preciosas que procurava.
O rapaz, meneou a cabeça e deu um suspiro sem se dar ao trabalho de discordar, pois sabia que tal ato seria inútil.

E assim, o anão Jonos seguiu novamente para o meio da tempestade enrolado em seu traje de viagem, alguns panos velhos para lhe proteger da areia e sua capa.
Ele vagou por muitas horas até que a tempestade tivesse diminuído sua intensidade e ele pudesse enxergar quase que normalmente, o que de fato foi uma surpresa, pois a visão que teve foi algo que ele não esperava ver de maneira nenhuma, pois viu praticamente toda a tempestade concentrada em um único lugar, girando em um furacão direcionado a um ponto no chão.

Para deixar o guerreiro ainda mais curioso, o intenso furacão estava concentrado exatamente no local que ele esperava encontrar sua jóia, e ao chão se encontrava uma pequena garota envolta em um traje sujo de terra a qual emanava uma aura que parecia deixá-la totalmente intacta em relação à tempestade que ambos haviam acabado de enfrentar…

 

Parte 13 : Haestiallis

Voar em grifos a princípio pareceu uma idéia excelente, mas depois de ficar sobre o lombo da criatura por um dia inteiro deixou as crianças exaustas. Os adultos também estavam cansados da viagem, mas eles resistiam melhor às condições que estavam, de qualquer forma, em alguns minutos eles iriam parar para uma refeição e quem sabe tirar um cochilo breve.

 

Depois de algum tempo, eles acabaram encontrando um lugar com uma lagoa e algumas árvores com grama e algumas folhagens ao seu redor, decidiram que seria ali o local da sua parada naquele instante. Durante da parada, Selena e Jim caíram num sono gostoso sob a sombra de algumas árvores que existiam em um “quase-oasis” que eles acabaram encontrando por ali.

O sol era forte e constante, o céu sem nuvens fazia com que os dias parecessem mais longos do que eles realmente eram, e a viagem era muito desgastante. O que lhes dava um alívio maior, era que esse vôo não seria muito longo, apenas mais dois dias e finalmente encontrariam a tal tumba que poderia por fim na sua jornada.

Os jovens eram os mais cansados, mas ao final, todos acabaram por dormir e relaxar um pouco.

Jim fora o primeiro a acordar, pois tinha ouvido alguns sons curiosos vindos da gruta que encontrara e onde repousava tranquilamente. Sem chamar a atenção dos outros, ele resolveu seguir a extensão da gruta para ver se encontrava o que quer que fosse que estava fazendo aquele som baixo e desconhecido, mas antes de terminar os seus primeiros 10 passos, Moiro já estava com seus olhos abertos e observava o pequeno garoto alimentar sua curiosidade juvenil. Ele resolveu seguir o garoto a distância, sem que ele percebesse com a intenção de ver como o pequeno iria proceder nessa situação, e para confirmar se o som era realmente o que ele desconfiava que fosse.

O menino desceu gruta abaixo, escorregando sobre pedras altas, e fazendo uma trilha pelo caminho percorrido. O interior da gruta era virgem, sem nenhum sinal de exploração, o que quer que fosse que vivia ali, jamais saíra, e se saia, com certeza não era pelo solo que eles percorriam agora.

Jim começava a ficar receoso, pois a luz do sol estava acabando conforme ele ia pro fundo da gruta e mais alguns passos e ele não estaria vendo mais nada. Contudo, quando Jim cogitou a hipótese de voltar, ele avistou a distância um pequeno brilho de cor azulada que de fato despertou sua curiosidade ainda mais.
Sem se importar com a escuridão, ele caminhava a frente apenas guiado pela luz.

Apesar de não estar muito longe do brilho azulado, o interior da gruta era bastante acidentado, o que deixava o percurso difícil e perigoso, mas isso não foi o que impediu Jim de prosseguir, mas sim, o próprio brilho que o incentivou a continuar pelo escuro. Agora ele começava a entender que não era um pequeno brilho que estava perto, na verdade era um brilho grande que estava bem longe. Jim parou, e levou o maior dos sustos quando Moiro chegou e tocou seu ombro.

Ele estava prestes a gritar quando o bardo tapou sua boca com uma das mãos e apontou para o brilho com a outra, dizendo para o garoto olhar com atenção para o evento que estava prestes a presenciar, e começou a entoar baixinho uma canção que estava totalmente sintonizada com a harmonia do interior da caverna.

Jim, com seus sentidos aguçados graças a canção de Moiro, pode perceber do que se tratava a tal luz, era um enorme besouro que ali estava e o brilho azul vinha de parte de seu chifre o qual servia como um convite para o seu padecer mágico.

Na sua canção, Moiro entoava a história da criatura mística para Jim o qual, cada vez mais se aproximou do inseto gigante.

Kalien, Alevish
Mostre sua luz
Vim apreciar sua partida

Hedea Adien Lievin
Fui chamado, fui chamado
Para herdar seu legado mágico

Kalien Adien Tish
Entrarei em harmonia
E serei parte de ti

Ó besouro das profundezas
Vieste até aqui para me encontrar
E em nome de ti, farei juz
a este merecido presente

Lai lai lai
Lai lai
Lai lai lai
La La

.

A grande criatura estava morta, e agora Jim inconscientemente sabia que deveria tirar o chifre do besouro sozinho, pois isso era uma missão apenas sua.

Moiro voltou a superfície, todos já estavam despertos e esperavam seu retorno junto com Jim de onde quer que tivessem ido, mas quando viram apenas um dos dois saindo da escuridão, se apressaram em perguntar o que havia acontecido.

E Moiro lhes explicou…

 

Parte 14 : Encontro

Jonos correu em direção à pequena garota, contudo ela não havia sequer notado a presença de mais uma pessoa naquele local, parecia estar apenas preocupada com um punhado de papel amassado que tinha nos braços…

Moiro melodicamente lhes contara o que havia acabado de acontecer dentro daquela inusitada gruta a qual eles haviam escolhido parar.

“Um besouro celeste,
Mágico, invisível,
Escolhe ao final da sua vida
Presentear uma pessoa
Com seu chifre mágico.

Encantador é o seu brilho,
Assim como aquele que o recebe
Se por assim lhe foi entregue,
Um belo fim espere ter
Pois o besouro escolhe o único
Que Haestiallis merecer”

Melissa parecia não dar muita importância pra historia do besouro, mas ela certamente quis saber o que significava “Haestiallis”. Moiro estava prestes a começar outra canção para explicar, mas Melissa o interrompeu e pediu para que ele falasse de uma vez e não enrolasse com musiquinhas.
E Moiro, olhando pacientemente para a jovem, assim o fez, e explicou que se tratava do chifre afiado e mágico do besouro, obviamente poderia ser usado como arma pelo garoto escolhido até que ele aprenda seu verdadeiro significado.

Faeh acordou entusiasmada com o fim da viagem se aproximando, pois ela finalmente poderia comprovar a versão da história que o velho ancião lhes contara. De certo modo sabia que o pressentimento que tivera noite passada estava correto, e o preço para o fim de toda essa trama com a luneta não seria barato.

Selena estava fascinada com o que o seu grande amigo tinha nas mãos, era um chifre que emitia um brilho azulado, era do tamanho do seu antebraço e não parecia ser nem um pouco pesado. Contudo, ninguém além de Jim podia tocá-lo, fora das suas mãos, era apenas um pedaço de esqueleto semi-invisível e sem mágica alguma.
Jim era quem parecia realmente mudado, alguma coisa nessa historia toda ainda não fazia total sentido pra ele, aquela mágica toda em suas mãos lhe era estranho e com certeza ia trazer conseqüências e mudanças inesperadas.

O anão correu e pegou a pequena nos braços, ela segurou com força os papeis que tinha nos braços, parecia realmente disposta a dar a vida por aquilo.
Contudo, Jonos queria mesmo era saber onde estava sua jóia. Queria pegá-la de uma vez e ir embora, estava enjoado de engolir areia.

Depois de passada toda a empolgação com a história de Moiro e Jim, Melissa apressava todos para que montassem seus grifos e seguissem viagem, pois estavam perto da tal tumba e ela queria resolver logo essa história da luneta, pois esperava um novo e grande desafio no desfecho da jornada dos dois jovens que ela optou por seguir.
Em poucos instantes todos estavam novamente no ar e com toda a sua bagagem arrumada. Moiro ajudou Jim a “lapidar” a base do chifre de modo com que ficasse fácil de empunhá-lo, como uma espada curta.
E entre canções e ventos, eles voaram por muitas horas até que longe no horizonte abaixo deles, eram capazes de enxergar uma construção que os olhos aguçados de Moiro identificaram como um velho mausoléu abandonado na areia.
Entretanto existia lá algo que chamava mais a sua atenção do que o simples mausoléu, alguns metros adiante eles eram capazes de ver um furacão intenso. Faeh tentou desviar a atenção de Selena desse assunto, tentou baixar a altitude do seu grifo e contava para Selena uma historia improvisada.
Selena estava em transe novamente, ela instintivamente queria saber o que era o tal furacão, queria vê-lo, e como se uma mão invisível a controlasse, suas mãos foram até o conteúdo proibido de sua bolsa e sem pensar ela levou a luneta até seu olho direito e olhou para o furacão.

O que se seguiu foi os mesmo instantes silenciosos que eles estavam sendo obrigados a se acostumar, o furacão começou a mudar, começou a ficar mais agressivo, mais intenso, começou a ganhar vida.

Jonos via aquela coisa enorme girar. Ele sabia que ela tinha mudado, e ele sabia que não tinha mudado pra melhor, que ia atacá-lo se continuasse ali, então ele se apressou em por a garota nas costas e correr dali.
Quando alcançou uma distância relativamente segura, ele deixou a menina escondida atrás de umas pedras, sacou seu machado e voltou para encarar a criatura que havia se formado, seja lá qual fosse.

Melissa viu que Selena tinha transformado mais uma criatura e saltou de cima de seu grifo em direção ao solo, eram alguns metros de queda livre, mas das suas costas nasceram duas asas plasmáticas e coloridas as quais a mantiveram no ar levemente enquanto ela sacava seu arco e começava a disparar contra a criatura.
Faeh levou as mãos nos olhos, alcançou Selena e tirou a luneta das suas mãos, a qual caiu de cima do grifo em que estavam, o toque na luneta causou duas conseqüências inesperadas e inéditas para eles: Selena estava desacordada, pois o que ela viu dessa vez, parecia ser muito mais aterrador do que qualquer outro previamente visto, e Faeh tinha ambas as mãos em chamas, pois o toque na luneta em uso, certamente as machucariam de alguma forma, Faeh fisicamente e Selena mentalmente…

Moiro começou a entoar um de seus cânticos, dessa vez em encantamento totalmente diferente de qualquer outro até então mostrado pelo bardo, este não tinha ritmo constante, as palavras eram medonhas e ele parecia estar fora de si. Seu pássaro, até então um pequeno pintassilgo amarelo, em um passe de mágicas se transformou em uma ave gigantesca, parecida com uma fênix dourada e voou em direção ao furacão corrompido enquanto Jim, com medo, tentava se esconder, mas sabia que teria que ajudar a cuidar de Selena, querendo ou não.

 

Parte 15 : Despedida…

Os ventos que giravam em forma de cone eram agora uma criatura com vontade de destruição, ao receber ataques das pessoas ali presentes, podia ser visto nos recém formados olhos do monstro uma vontade muito grande de matar, de causar dor, e isso foi sentido até o fundo das suas animas quando o monstro emitiu um som horrendo, algo que não cabia dentro das mentes humanas, e que poderia enlouquecer qualquer pessoa despreparada.
Melissa tinha muita dificuldade para ficar no ar devido à grande força dos ventos da criatura, Faeh com Selena nos braços e Jim haviam conseguido chegar ao solo sem problemas, mas era igualmente complicado se manter firme diante do tamanho e da força daquele monstro desgovernado e seus ventos devastadores.

 

Começava naquele instante um dos maiores confrontos em que eles estariam envolvidos durante toda a vida.
Faeh colocava todos os seus esforços em tentar curar Selena, seus ferimentos não eram físicos, sua dor era mental, era psicológica, a jovem princesa estava tendo sua mente invadida por aberrações de outro mundo, e graças a jovem cigana, a pequena Selena não caiu em completo desespero.
A criatura era impiedosa, com seus braços de vento atacava furiosamente tudo o que via pela frente, era claro que seu alvo era muito mais do que apenas as pessoas ali presentes, parecia que ela atacava o mundo diretamente, que o monstro queria machucar a própria anima em si.
O pássaro de Moiro refletia esplendor e desenvoltura em seus movimentos, era a única criatura ali que não era afetada pelos fortes ventos do monstro-furacão, junto a isso ele emitia um som agudo e sereno, que aparentemente afetava a criatura e a distraía as vezes, era a única coisa aparente que ele fazia.

Moiro cantava, mas estava sério, ele sabia que Selena havia feito algo muito pior do que os outros ali imaginavam, sabia que corromper algo que já era maligno resultaria em uma criatura capaz de trazer muitas catástrofes e tendo total ciência disso, ele cantava suas músicas mais antigas, todas refletindo seus selos proibidos ao redor do bardo.
As canções faziam com que, de alguma forma, os ventos da criatura diminuíssem sua força ao mesmo tempo que fazia surgir, em torno de todos os seus amigos, uma aura prateada que por vários instantes os deixavam de certo modo invisíveis aos olhos do monstro.

Contudo isso era pouco, Melissa atacava sem parar, mirava nos braços modificados, na espécie de boca desforme que surgiu, mirava nos olhos e mesmo com toda a dificuldade em se manter no ar sem ser sugada pelo redemoinho de ventos, sua mira era impecável.
A criatura parecia sentir todos os ataques, entretanto ela não parava, nem por um segundo sequer, de bater nas coisas, de destruir tudo que fosse possível.

Jonos correu, só ele sabia de um detalhe que os outros ainda não tinham visto, o anão sabia a origem de todo aquele vendaval, e foi direto para lá que ele correu destemido, direto para a caixa brilhante que ficava no solo logo abaixo da base do monstro de vento. A pequena garota que ele deixou atrás das pedras se levantou e com os olhos voltados para Jonos recitou algumas palavras mágicas que ajudou ele a ganhar mais força para encarar a força do vento que aumentava constantemente conforme ele se aproximava da criatura.
Com toda a força que ele conseguiu juntar em seus braços, O guerreiro desferiu um golpe com seu machado na caixa de jóias que mantinha o furacão solto no ar, partindo-a em duas. Por alguns instantes ele ficou caído no chão, meio atordoado com o golpe, mas tão logo recobrou toda a sua consciência, ele foi jogado dali com uma força tão grande que nem os efeitos de todos os feitiços de proteção que haviam sido lançados sobre ele foram o bastante para impedir seus ferimentos.
Por outro lado, todos os outros que estavam vendo a criatura a distância presenciaram uma forte explosão de energia. Surpresos, Melissa, Faeh, Moiro e seu pássaro acharam que finalmente o monstro havia sido derrotado, pois os ventos se dissiparam junto com o surgimento de uma grande nuvem de poeira que se formou por ali.

Selena parecia estar mais calma dentro de si, Faeh a ninava como sua própria filha enquanto cantava para afastar seus temores e mantê-la em nosso mundo.
Quando a dançarina percebeu que a princesa já não estava mais sendo perturbada pelos pesadelos que invadiram sua mente, ela levantou e começou a dedicar sua atenção aos resultados da batalha até então, mas o que ela viu foram ondas de pó vagando no ar e um grande buraco no chão.
No fundo, Faeh via algumas pequenas pedras brilhantes espalhadas pelo chão, das quais emanavam raios de energia e que, aparentemente, estava tratando de absorver o que restou dos ventos que compunham o monstro furacão. Ela achou isso no mínimo, estranho, e correu para dentro do buraco e tentou juntar as pedras o mais rápido possível.

Moiro estava em transe, aparentemente as últimas canções que ele entoou o desgastaram e ele precisava de alguns instantes de meditação para se recuperar. Enquanto ele flutuava em cima de seu pássaro, Melissa descia ao solo levemente, como uma pluma caindo dos céus, respirando aliviada por ter ajudado a derrotar o monstro dos ventos.
Faeh ainda juntava as pedras quando as mesmas trincaram e quebraram, liberando no ar raios de uma energia vermelha. Os cristais fizeram com que o resto dos ventos da criatura que ainda estavam por ali se juntasse novamente, formando assim um novo furacão-monstro, feito da soma da energia das pedras com os restos de vento corrompido.

Jim conseguiu conter suas lágrimas, firmar bem seus pés no solo e com toda a coragem que tinha dentro de si, sacou sua nova arma e partiu em direção a Selena, caso a criatura estivesse vindo em sua direção, ele certamente estaria ali para detê-la.
Chegando ao local onde a jovem princesa havia sido deixada, Jim teve uma grande surpresa, ele viu sua amiga em pé abraçada com outra menina, as duas envoltas por uma aura de anima que claramente as mantinha protegidas. Selena viu seu amigo e correu abraçá-lo, ela sabia que nas ruínas abaixo deles estava o pergaminho da lenda que o ancião lhes contou e que era a chave para o fim dessa rigorosa aventura. Ele, feliz por ver a amiga bem, concordou e sentou-se junto as duas meninas.

Enquanto isso, dentro do buraco, o novo monstro se preparava para expulsar mais ira do que o que acabara de ser derrotado, raios de luz atingiam as paredes de dentro da tumba em ruínas e areia, pedra e restos de madeira voavam por todas as partes. Melissa, ao ver que este monstro era mais perigoso que o outro, empunhou seu arco e começou a mirar para novos disparos, mas notou uma coisa que ia deixar a luta um tanto quanto difícil: ele se alimentava de magia, o que significava que seus ataques não fariam mais nada além de deixar o monstro mais forte ainda.
Aos pés da criatura, Faeh tomou a maior decisão da sua vida, ela sabia que essa criatura não seria vencida facilmente, e que as conseqüências poderiam ser mortais. Então, a jovem cigana sacou seu leque de flores, começou a dançar e a cantar.
Magicamente, plantas e animais começaram a surgir em toda a tumba, todos juntos envolvendo o grande mostro de vento, Faeh com seus magníficos movimentos harmônicos, chamou para si toda a energia que estava emanada ali, tornando-se uma grande esfera vermelha de puro anima, que nascia ali para conter o furacão.

Melissa descia para ajudar a jovem dançarina e Jonos recuperava sua consciência, ambos, depois de alguns instantes, puderam ver que a linda esfera reluzente de anima vermelho, foi capaz de manter dentro de si, toda a energia que havia sido liberada pelas jóias e pela sua canção.
Por final, a esfera dissipou toda a energia mágica que tinha contido e desapareceu com todo o seu conteúdo, enchendo todo o local de vida natural, animais e água. Uma fina chuva de pétalas e minúsculos cristais líquidos caíam sobre as cabeças de todos ali, como um choro, não de tristeza, mas o choro da natureza com a emoção de uma despedida…

 

Parte 16 : A Tumba

Selena sentiu toda aquela energia se espalhando por ali e a vida que havia se criado subitamente naquele pedaço do deserto. Ela sabia que isso não teria acontecido por acaso. A jovem princesa levantou, e foi correndo em direção a borda do buraco que havia sido feito ali com a explosão do monstro-furacão.
Enquanto Jim, também sabendo o que tinha acabado de acontecer, sentava no chão sujo olhando para a própria espada em suas mãos, estava angustiado e arrependido por não ter feito absolutamente nada para ajudar. A outra jovem, calada e com um olhar triste, segurava com força seus papeis amassados e seguia Selena, caminhando com passos lentos e firmes.

 

A princesa olhou para o céu antes de olhar para o chão logo abaixo, ela via que nas nuvens estava escrito, subliminarmente, que sua amiga havia os deixado. Selena sabia que era para o seu bem, tinha certeza que ela só havia feito aquilo com a intenção de protegê-los e que, naquele lugar, estaria para sempre parte da essência inesquecível da cigana rubra.
Selena chorava, chorava muito enquanto a outra garota chegava ao seu lado, e com um abraço gentil, chorou junto com ela, lágrimas estas as quais fizeram Moiro despertar novamente e finalmente notar o que aconteceu nos últimos instantes. Ele observava com atenção o novo local onde se encontrava e apenas sentindo a mudança no ar, ele era capaz de saber qual sacrifício havia sido feito e se sentiu mal por não ter previsto isso.

Jonos estava em pé, apoiado no cabo de seu machado sentindo as gotas de água que caíam sobre si e tentando entender o que aconteceu com a moça de vermelho e as jóias que ele vira buscar. O anão era o único dentro das ruínas e sabia que aquilo tudo aconteceu por causa das suas jóias, aquelas que ele vira buscar, ele precisava ter juntado todas elas para ter sua missão cumprida, mas agora a maioria fora destruída e a sua tarefa içaria incompleta.
Contudo, ele encontrara algo mais interessante do que apenas juntar as jóias perdidas de seu povo, ele encontrara pessoas com o destino parecido com o dele, mas mesmo o anão sabendo que seu papel ali seria tentar ajudar os jovens, ele não fazia idéia do quanto seria necessário ao final de tudo que ainda tem por vir.

Melissa estava parada no ar, sentindo como se fosse a pessoa mais inútil do mundo. Resmungava em voz alta a utilidade de ter tanto poder quando não se pode nem ao menos impedir que uma pessoa tenha de se sacrificar para deter uma criatura mundana. Ela não admitia que, sendo uma amazona que viajou tanto e viu tantas coisas deste e de outro mundo, não fosse capaz de causar um mínimo de dano sequer naquela criatura que acabou exigindo o sacrifício de uma aliada. Ela estava envergonhada, voou alto e decidiu que por hora não ficaria junto de seus amigos, precisava meditar, precisava restaurar seu estado de espírito.

Moiro e seu pássaro se juntavam a Selena, e a outra menina, que acabava de se apresentar como Holy, uma sacerdotisa de Khali, que, respondendo ao que o bardo perguntava, contou que estava ali para impedir que certo pergaminho antigo fosse roubado, que ele deveria ser entregue a princesa do reino de Aura, pois estava escrito que só ela poderia ler seu conteúdo.
Ele não hesitou em concluir que a jovem estava com o pergaminho que eles vieram buscar, a pequena Holy sabia quem eles eram e que deveria entregar os papeis para a sua amiga princesa.
Entretanto, a menina revelou que estava ali por outro motivo também. Ela viera para encontrar com o anão guerreiro e entregar para ele as últimas peças da sua coleção.

Jonos, deixando de lado o momento comovente, começou a vasculhar o lugar. Encontrou escadas que o levavam a partes mais inferiores da tumba, ele tinha uma idéia do lugar onde estava, estava prestes a confirmar uma velha lenda de seu povo. Ele se empenhava em olhar tudo que fosse possível, em procurar em todos os cantos até encontrar a prova definitiva que ele precisava para se convencer. Ao encontrar um pequeno pedestal de pedra que tinha uma espécie de lmaparina com sete buracos na sua parte superior, Jonos deixou sair um grito de excitação. Ele encontrara aquilo que seus avôs lhe contaram como lenda há tanto tempo:
A tumba esquecida dos Alkh, uma família antiga conhecida por deter o segredo das forjas mágicas esquecidas. Tudo que ele precisava agora era ativar o mecanismo da tumba que o levaria até os pergaminhos antigos dos ancestrais da família Alkh, e ele sabia como fazer isso, então se apressou em começar a colocar as jóias no pedestal, mas ele falhara em conseguir as três últimas, pois elas haviam sido destruídas junto com o monstro pelo anima de Faeh, e mesmo contendo apenas sete espaços no pedestal, Jonos sabia que pelo deserto todo estavam espalhadas 10 jóias que foram criadas para tal finalidade.
E Era Holy quem tinha as outras três…

Parte 17 : Surpresas

Conforme Jonos encaixava as pedras na lamparina, feixes de luz saíam da mesma e começavam a encher as ruínas de luz mágica. Alguns mecanismos antigos, feitos de pedra e madeira pareciam começar a se ativar.
Todos na parte superior ficaram surpresos ao ver que o chão tremia levemente e que várias luzes emanavam em seu subsolo. A menina Holy sabia do que isso se tratava e desceu correndo procurando pelo anão com as pedras, pois era ela quem tinha de completar o adorno mágico da lamparina.

Enquanto Holy descia até Jonos, Moiro tentava consolar Selena sobre a perda de Faeh com uma de suas canções mágicas. Jim levantava e, com os braços caídos segurando a pequena espada brilhante, caminhava em direção ao bardo e sua amiga princesa. Ele também estava triste com a partida súbita de sua guardiã dançarina, estava confuso com tantas emoções e sentimentos repentinos, o jovem garoto tentava manter sua mente focada em se tornar forte, em ajudar, no entanto não era tão simples assim.
Selena não era a mesma. Não era mais possível ver aquela menina alegre e cheia de energia de antes, Mesmo com a canção de seu outro guardião, ela não entendia o motivo da sua grande amiga cigana ter partido.

A pequena Holy chegava até a sala onde estava Jonos e a lamparina, ela olhava pra ele com certo entusiasmo. O anão esbravejava palavrões por não ter as últimas peças e completar o sonho de seus ancestrais, mas Holy estava ali para isso, para entregar ao guerreiro as últimas pedras que faltavam para completar o conteúdo da lamparina e terminar a sua mágica.
Os olhos do anão brilhavam tanto quanto as próprias pedras e a luz que elas emitiam. Ele não acreditava no que acabava de ver. A pequena jovem entregava ao anão 3 pequenas e luminosas jóias que tinha guardado nos bolsos. Tão logo Jonos colocou as mãos nas pedras, ele as depositou na lamparina do pedestal e, muito entusiasmado, esperava por seus efeitos.

O lugar inteiro começava a tremer com maior intensidade, era certo que aquilo tudo iria ruir ainda mais. Percebendo isso, Moiro pediu para que Jim, mesmo em seu estado de desânimo, cuidasse de Selena que ele precisava descer para ver se os outros dois estavam bem e se realmente estava para acontecer algo que há muito tempo foi escondido das mãos humanas.

Ele concordou em ficar e cuidar de sua amiga, afinal desde que partiram, era mais do que sua responsabilidade olhar pela sua amiga.
Selena e Jim se abraçaram, os dois nunca imaginaram que sua aventura poderia tomar tal rumo, era um fardo pesado demais para duas crianças. Entretanto, eram duas crianças extremamente fortes, uma dava força e coragem para a outra e isso os fazia seguir em frente.
A jovem princesa sabia que teria de ir até o fim, pois ela tinha uma grande responsabilidade para cumprir, uma missão que pode garantir a paz no mundo todo, era algo demais para ela e por isso não podia se dar a menor chance de falha.

Luzes multicoloridas se espalhavam por todo o lugar, a tumba, agora repleta de vida natural, começava a se desprender do solo e flutuar, isso de fato não estava nos planos, nessas ruínas deveriam apenas estar guardados os segredos de como se destruir a luneta amaldiçoada, agora era uma fantástica construção flutuante em pleno deserto. Moiro conhecia as lendas sobre tal lugar e não ficara tão maravilhado como seus amigos, ele tinha uma idéia mais completa sobre as culturas antigas e algumas invenções da raça dos Jolies.
Jonos sabia que as histórias de seu avô eram reais e mais do que nunca se sentia extremamente satisfeito por poder comprovar isso com as próprias mãos. A jovem Holy estava ali, ajudando para que tudo desse certo para todos eles, nesse momento só faltava uma parte da sua missão, a de entregar o pergaminho a princesa de Aura, para que ela pudesse terminar sua jornada a salvo.

Selena decidiu que não ficaria ali, sem pensar, empurrou Jim para longe, fazendo-o cair na parte mais abaixo das ruínas e correu, sua bolsa brilhava intensamente refletindo a vontade que sua luneta amaldiçoada tinha de ser usada novamente.
Enquanto a construção toda subia aos céus, as duas crianças se afastavam cada vez mais, uma correndo, inconscientemente procurando cantos escuros enquanto seu amigo se recuperava da queda e tentava alcançar a parte mais alta onde estava antes. Era claro, mais uma vez a princesa estava sobre influência da luneta, que ficava cada vez mais forte a medida que eles se aproximavam de completar sua missão e destruir o artefato.

Jonos, Holy e Moiro estavam no subsolo da catacumba voadora e viram todas aquelas luzes desaparecerem diante de seus olhos. Moiro rapidamente sentiu que aquilo não foi um acontecimento natural, algo tinha mudado as luzes, alguém tinha mudado elas, e mudado para o lado mau.
A jovem Holy sentiu mais uma presença maligna naquele lugar, o que a fez sair dali correndo, chamado por seus dois novos amigos e dizendo que precisariam muito descobrir o que é que a perturbou tanto.

Jim terminou de escalar as pedras e se deparou com uma óbvia decepção, sua amiga não estava mais lá. O garoto tinha vontade de chorar, mas foi forte e conseguiu conter suas lágrimas, ele sabia que era chegada a hora de ser forte, de resolver seus problemas ao invés de correr deles. Com isso em mente, o garoto desceu novamente para o piso inferior da tumba e, com sua espada em punho, começou a procurar por sua amiga.
Ele ouvia sussurros por toda parte, barulhos de pessoas correndo de um lado para o outro e sons de galhos e folhas se mexendo aleatoriamente, Jim sentia medo, mas seguia em frente. Após caminhar um pouco por entre os corredores, ele se deparou com uma sala um pouco maior que as outras, com alguns caixões e sarcófagos antigos, nessa sala os sons que ele ouvia eram mais fortes e pareciam falar diretamente com ele.
Depois de caminhar por uns instantes, ele parou, sabia que das sombras daquela sala viria algo em seu encontro, tendo isso em mente, Jim parou no centro da sala muito concentrado, ele ouvia frases como “você não a conhece”, “quero lhe ver escolher”, “você é um inútil e vai cometer mais um erro”. Essas coisas iam entrando na sua cabeça e o deixando mais e mais confuso e com medo.
Quando Jim estava com toda a pressão na sua cabeça, os sons dos galhos aumentaram e do fundo da sala, surgiu não apenas uma, mas duas criaturas abomináveis as quais caminhavam em sua direção incessantemente.

Parte 18 : O Golpe

Holy foi a primeira a encontrar a sala onde estava Jim, tão logo ela vira o garoto no centro do salão com sua arma pronta para desferir um golpe, a pequena sacerdotisa chamou por seu companheiro bardo, que estava próximo e veio até ali o mais rápido que pode.
A cena que Moiro viu era nova, porém o misterioso trovador sabia do que aquilo se tratava e impediu que Holy tentasse ajudar o garoto Jim, na escolha que deveria fazer dentro de instantes.
Eles, tanto Holy como Moiro viam o jovem garoto no centro da sala sendo cercado por duas entidades possuídas. Uma delas sendo a abominável criatura feita de grama, terra e galhos e a outra a pequena Selena com a luneta nas mãos, mas era claro que ele estava sendo testado. Apesar da natureza momentaneamente maligna das duas entidades, ele deveria saber qual das duas escolher para desferir o primeiro golpe, afinal sua nova espada fora feita pra isso, para banir essas criaturas do nosso mundo, e isso poderia ser feito com um único golpe.

 

Enquanto os três estavam no interior das tumbas, Jonos havia ido procurar Selena e Jim na parte de fora, onde ele se deparou com duas coisas incríveis que o surpreenderam quase de imediato. Uma delas foi que a espécie de ilha voadora em que ele se encontrava estava “caminhando”, indo rumo a algum lugar em pleno ar e a outra era o que fazia a ilha se mover facilmente pelo céu.
As luzes que uma vez habitavam a lamparina esquecida e que foram libertadas graças as jóias mágicas eram agora um guia etéreo com a missão de deslocar aquela construção toda pelo ar rumo ao seu destino o qual, segundo as lendas de seu avô, era um velho altar escondido nas nuvens sobre os picos Hadah’naar, mais ao norte. As lendas diziam que tal altar era um laço mágico entre o mundo físico de Khali e algum plano inferior tão denso que apenas o toque no pequeno portal que existe sobre o altar era capaz de mutilar membros ou desaparecer indefinidamente com quaisquer coisas que ali fossem depositadas.
Para o anão, era mais do que certo que as luzes levariam a ilha flutuante até tal lugar.

Moiro segurava Holy pelos ombros impedindo que a jovem entrasse muito na luz a ponto de tirar a concentração do garoto Jim, o qual estava piamente concentrado nas criaturas a sua volta.
O jovem olhava para ambas com igual intensidade, em sua mente passavam milhares de coisas, como sua infância dentro e fora do castelo de Gol’dhas, como sua amizade com Selena podia acabar ou se tornar ainda mais forte caso ele fosse capaz de protegê-la até o final dessa jornada e de coisas como o medo que passava dentro da sua jovem anima que, por mais intenso que fosse de certo modo era isso que ainda o mantinha ali, em pé com vontade de vencer o inimigo e acabar de uma vez por todas com isso tudo.
Os dois monstros se aproximavam, agora mais rapidamente, em sua direção. E ele se matinha ali no centro, ereto, firme, pronto para desferir um golpe certeiro na criatura, ele só precisava decidir qual atacaria primeiro. Ele olhou na direção da criatura Selena, com uma das mãos segurando o peito enquanto a outra mantinha a sua espada firme. Ele a encarou firmemente pedindo para que seu coração o ajudasse a saber onde seria o melhor golpe.
As criaturas estavam a menos de cinco passos do menino quando ele, subitamente, tomou a sua decisão e escolheu a estratégia que julgou ser a melhor para levá-lo até a vitória.

Enquanto isso, as luzes-guias conduziam rapidamente a “ilha” voadora até o seu destino acima das montanhas, e faziam isso com uma velocidade incrível, nunca se poderia imaginar que um monte de terra e tijolos de tal tamanho fosse capaz de se mover pelos ares tão rapidamente, mesmo sobre influência mágica.
O anão Jonos era prova viva disso, ele estava vivendo em realidade um de seus grandes sonhos e aproveitava cada momento, como se fosse o capitão dessa inusitada embarcação dos céus.
Ele parou de sonhar acordado tão logo fora capaz de perceber que os picos onde deveria estar o altar místico estavam se aproximando e durante estes instantes, ele tinha esquecido por completo dos novos amigos que fizera momentos atrás.

Dentro da tumba, Jim se preparava para desferir seus ataques contra os monstros criados pela luneta de Selena, enquanto ali mesmo, Moiro e Holy o observavam e torciam para que ele tomasse o caminho correto, mas o Moiro pressentia não era uma coisa boa, ele estava muito apreensivo e se preparava para uma atitude mais drástica caso o garoto falhasse na sua escolha.
Jim observou as duas criaturas mais uma vez, se concentrou e chamou por sua amiga mais uma vez. Do fundo de seu coração ele apenas ouviu ecos da própria voz, o que apenas o deixou com mais medo ainda, pois sabia que se falhasse ali, nunca mais veria sua grande amiga, nunca mais sairiam juntos para aventuras, e, pesando exatamente nisso, ele olhou para um dos monstros, o que estava mais a direita, cerrou os dentes e, com os olhos fechados saltou em direção a essa criatura com toda a força que tinha e desferiu-lhe um golpe vertical certeiro. Ao fazer isso, logo que a sua espada, Haestiallis, começou o movimento no ar, ela se envolveu de anima de cor azul e ficou com 3 vezes o tamanho normal, dançando pelo ar e completando o movimento do garoto em um golpe de potência inigualável, e que fora capaz de partir a criatura em duas.


Jim foi preciso, certeiro, e, para o alívio de Moiro e Holy, ele escolhera o alvo certo. Contudo, esse alívio não durou por muitos minutos, pois tão logo o garoto percebeu que a criatura havia sido destruída, no fervor do momento, ele se preparou novamente e partiu com toda a força que ainda lhe restava no corpo para cima do outro monstro, que na verdade era Selena, mas ele não fora capaz de enxergar isso.
Antes de finalizar seu golpe e cortar o outro monstro ao meio, Moiro saltou em sua direção como um pássaro se deslocando pelo ar e segurou a mão do menino milímetros antes dele atingir a outra criatura e acabar ferindo sua preciosa amiga.
Nesse exato instante, Selena voltou a si e se deparou com uma lâmina brilhante bem em frente a seus olhos, pronta para lhe cortar fora metade da cabeça. Isso a assustou de tal forma que a pequena princesa deu um salto pra trás, olhou para o portador da espada para confirmar se era mesmo o seu grande amigo e, abismada, saiu correndo em meio aos túneis, e galerias que se formavam nas paredes daquela antiga tumba.

Moiro tentou alcançar a jovem, mas ela parecia estar tomada quase que por completo pela energia maligna da luneta e isso dera a ela uma incrível facilidade para sumir entre as sombras.
Holy fora tentar consolar Jim, que também estava muito abalado com o que acabara de fazer. E enquanto isso, Jonos descia para tentar encontrar seus aliados. Contudo, todos foram detidos em suas ações por uma brusca parada da tumba voadora, que colocou todos no chão.
Jonos olhou para o céu preocupado com o que podia ter acontecido mas não viu nada mais do que uma gigantesca mão multicolorida passando pelo céu…

 

Parte 19 : Poder

Momentos antes…

A pequena Selena estava triste, ela se escondera na parte mais baixa da tumba voadora e lá, sozinha, conversava consigo mesma sobre o que estava fazendo ali afinal. Se a sua missão era realmente destruir esta luneta, ou se ela era a escolhida para mudar o mundo. A jovem estava confusa, não sabia mais qual rumo tomar, e foi nessa hora que ela decidiu por usar a luneta voluntariamente dessa vez.
Dali de onde ela estava, a princesa era capaz de ver, por entre as paredes, alguns dos feixes de luz que carregavam a ilha. Por alguns instantes ela ficou envolvida por uma luz escura a qual a envolveu por completo em brumas negras. Apontando a luneta para o canto com as luzes, Selena proferiu algumas palavras enquanto transformava as luzes-guias em mais uma criatura, desta vez, uma poderosa o bastante para dar cabo daquilo tudo de uma vez por todas.

A mão gigantesca foi ao encontro do anão com a intenção clara de tentar esmagá-lo e o guerreiro não teria tempo para encontrar um lugar para se proteger contra aquele tipo de ataque. Ele tentou correr para uma parte coberta da estrutura mais próxima, mas a mão desceu dos céus com tanta velocidade que acabou não dando tempo dele chegar ao seu destino.
Contudo, a mão foi subitamente detida a poucos centímetros da cabeça de Jonos. Algo parecia tê-la atravessado e uma espécie de corda feita de anima subia em direção ao céu até se encontrar aos braços de Melissa, que a segurava com força.

A visão que se tinha dela não era a de uma mulher normal, mas sim de uma entidade beirando o divino, seus olhos brilhavam como o reflexo da luna maior, seus cabelos tomavam conta do ar e eram envoltos por inúmeros e cintilantes cristais de água, suas asas eram feitas completamente de anima amarelo e branco. E a sua voz, sua voz era algo marcante. Era metálica, ecoava, parecia que sua própria anima falava ao mesmo que o seu corpo. Essa era Melissa Hayle afinal, em sua forma e desenvoltura mais marcantes.

“Anão! Suma daí enquanto há tempo. Eu tentarei banir essa criatura deste mundo antes que o distúrbio causado pela sua manifestação aqui atraia outros monstros da mesma espécie. Se a pequena Selena foi quem a criou, aquela luneta é de fato maldita e deve ser banida também. O quanto antes!”

Dizendo isso, Melissa viu Jonos correr para dentro das catacumbas enquanto ela deixava a mão da criatura se chocar contra a ilha parada no ar.
Toda a estrutura construída ali começou a tremer, o chão começou a rachar e aos poucos a ilha voadora estava ruindo. Melissa olhou com atenção para a criatura que ali estava. Era um enorme mostro feito de luz, poeira escura e trevas, ela ficou surpresa ao notar que essa criatura também era feita de anima, o que a caracterizava como um mostro mágico altamente poderoso, e o pior… Com intenções destruidoras assim como o mostro de vento que eles enfrentaram tempo atrás.

Melissa sacou seu arco, agora muito mais majestoso do que antes. Ele irradiava energia mágica, parecia sair de fato de dentro da própria Melissa, uma arma assim já havia sido vista antes pelo pássaro de Moiro, há muito tempo…
Com sua arma em punho, ela disparou uma flecha na direção da cabeça da criatura, a qual a atingiu em cheio, causando uma onda de choque que empurrou o ar em todas as direções e fez com que a enorme criatura fosse jogada ao chão.
O monstro caído esticou seus braços na direção da amazona tentando agarrá-la, mas ela voava como se o próprio vento fossem seus pés, asas e pernas. Era praticamente impossível para a criatura completar sua intenção de capturar Melissa, pelo menos seria impossível enquanto ela continuasse usando aquele método.
Melissa deslizava pelos céus disparando suas rajadas de flechas contra o monstro, o deixando cada vez mais preso ao chão.

Enquanto isso, a ilha se despedaçava e deixava todos ali presentes preocupados com o que iria lhes acontecer ali se esse novo e gigantesco monstro que os atacava não fosse detido. Moiro enviou sua ave para auxiliar Melissa na luta contra a criatura de luz, mas a sua ave majestosa soube que isso seria desnecessário logo que viu a amazona usando seus poderes mágicos.
O anão Jonos havia saltado para dentro da construção e acabara por cair entre as rachaduras que lá surgiram, mas ele conseguiu se segurar em uma parte mais firme evitando assim que despencasse da ilha. O garoto Jim, vendo o anão rolando e se batendo pelos destroços, correu para ajudá-lo a ficar em segurança novamente, ele não sabia o que havia acontecido para a ilha estar daquela forma, se desmontando em pleno ar e estava muito preocupado com o paradeiro de Selena.

A criatura mais uma vez tentava atacar Melissa, dessa vez disparando raios de luz mágica em várias direções, alguns deles atingindo as montanhas, o chão abaixo e a ilha voadora em ruínas. A amazona, no entanto, desviou de todos eles e acabou voando até o meio entre as pernas do monstro. Dali mesmo, ela começou a mirar para o alto, enquanto ele procurava por ela.
Uma quantidade imensa de energia estava se acumulando ali, se podia sentir de uma longa distância o que quer que fosse que Melissa estava acumulando ali, o monstro-luz percebeu isso e virou-se para baixo visando acertá-la com um ataque fulminante com ambas as suas mãos iluminadas e carregadas de raios de luz.
Vários círculos mágicos apareceram em frente ao seu arco-de-anima e isso, evidentemente mostrava que Melissa não era apenas uma guerreira fabulosa, mas revelavam que ela detinha poderes a muito esquecidos, poderes do mundo antigo, e algo que ninguém nunca tinha usado desde o Exílio.
Alguns poucos metros antes que as mãos da criatura enterrassem Melissa na areia, ela disparou sua flecha mágica. Ao longe se podia ver um risco vertical que ia do chão até se perder de vista nos céus, ele era feito de todas as cores possíveis que a anima podia tomar, e tão logo a flecha partiu para o seu destino, o próprio som deixou de se proliferar para prestigiar tamanho feito. Desnecessário dizer que, depois disso, a criatura que estava a destruir tudo a sua volta tornou-se pequenos globos de luz cintilante que se dissipavam pelo ar até sumirem por completo deixando cair uma fina chuva juntamente com a formação de um arco íris para observadores mais distantes.

Selena continuava escondida, dessa vez em meio às rachaduras do que restara da ilha. Ela chorava, seus olhos eram fundos e cor de sombra. A pequena princesa, ora sorria, ora ficava séria, havia algo dentro da sua mente que a perturbava, algo que estava tomando conta de seu interior…


Parte 20 : A Chave

Depois de majestosamente derrotar o monstro-luz, Melissa se deixou relaxar e deitou no chão olhando para o céu e sabendo que, de alguma forma, Moiro e Jonos cuidariam para que o fato da ilha estar se destruindo não impedisse que Selena cumprisse a sua missão.
No interior da ilha voadora, Jonos estava sentado no chão ao lado de Jim, resmungando palavrões sobre ter se descuidado e quase caído.
O ambiente agora estava tomado pela calmaria trazida pelo anima de Melissa que ainda estava espalhado no ar, retornando aos poucos para o seu corpo deitado.

Moiro correu para a parte superior da ilha, ele queria saber a que distância estava do seu destino. Ele se surpreendeu ao notar que as nuvens que ele acreditava ser a chave para o destino final de Selena estavam a alguns metros a frente, mas não o suficiente para se alcançar com um salto ou uma corda, seria necessário a ajuda de sua ave mais uma vez, para que ela carregasse a pequena princesa, afinal, foi nesse tipo de coisa que ele pensou quando se dispôs a acompanhá-la nessa jornada.
Enquanto isso Holy saiu correndo para o fundo das ruínas deixando Jim e Jonos para trás, ela sentiu que não poderia demorar mais para entregar o pergaminho que estava em sua posse, mas era destinado à Selena, precisava encontrá-la rápido.
Os dois guerreiros, por sua vez ao verem a pequena Holy sair correndo dali, não hesitaram em ir atrás dela, era perigoso demais deixá-la andar sozinha por ali no estado em que as coisas se encontravam.

Holy estava atônita, ela precisava de qualquer maneira encontrar Selena antes que fosse tarde demais, pois sabia que já havia passado da hora de lhe entregar a chave para o final de sua missão e se ela falhasse, teria de enfrentar tamanhas conseqüências que nem ela, nem suas deusas poderiam mensurar e o mundo como é conhecido sofreria grandes mudanças. O lado bom era que de certo modo Holy sabia como e onde ia encontrar a princesa naquele momento.

A jovem Selena estava mergulhada em mais confusão. Ao ver a sua criatura de luz ser derrotada por Melissa, novamente ela colocou em cheque qual o motivo daquilo tudo estar lhe acontecendo, ela não sabia mais como lidar com essa situação, ela queria que Faeh estivesse ali para lhe dar a mão, queria que Moiro voltasse até ela e a carregasse de volta pra casa, queria que Jim nunca a tivesse deixado entrar naquela cripta onde encontraram a luneta…
Ela estava chorando em um canto escuro, chorando sozinha, ou pelo menos ela pensava que estava sozinha.

Das sombras no interior da sua mente, surgiu algo que poderia ser nomeado como o lado negro da sua persona, uma criatura que se criava dentro da cabeça da princesa desde o momento em que ela tomou para si aquela luneta que havia sido escondida em seu castelo incontáveis dias atrás.
Essa criatura veio para tomar Selena para si, sua intenção era claramente corromper a jovem e assustá-la o suficiente para que ela mesma abrisse mão de seu corpo e desse espaço para que o objeto tomasse forma humana e terminasse com êxito impar a função para qual fora criado.
Selena, contudo, não estava disposta a fazer isso. Ela estava assustada e confusa, mas ainda tinha seu jovem e forte espírito dentro de si. E isso teria que ser o suficiente para ela conseguir superar os seus temores que agora vieram assombrá-la.

A criatura era disforme, ela tinha os rostos amedrontados de todos os pesadelos que assombram os humanos há eras, era feita de escuridão e sua principal face não tinha expressão alguma. De sua boca imóvel saiam sons incompreensíveis os quais por sua fonética antiga e irreconhecível por qualquer outra coisa que Selena já tivesse visto, por si só eram aterrorizantes e faziam com que a menina tivesse vontade de correr para baixo de uma cama, ou qualquer outro lugar onde pudesse se esconder, mas sua mente ali, era um espaço plano, amplo e sem arestas onde ela pudesse tentar correr para se proteger.
Então, para a jovem princesa não restava nenhuma outra alternativa a não ser enfrentá-la ou ceder sua anima para quaisquer fins que a vontade criatura quisesse.

O monstro estendeu uma de suas mãos sombrias para Selena, seu rosto morto não refletia qualquer vontade, o que fazia com que Selena sentisse certa pena por ter tamanha presença a sua frente e perceber que essa entidade não tinha personalidade alguma dentro de si.
A jovem decidiu que tamanho poder não podia ser tão solitário e desolado assim, ele precisava de alguém, ao menos para brincar. E assim, carinhosamente ela estendeu a mão para o monstro aceitando seu toque gélido…

Parte 21 : Palavra

Por entre os corredores e escadas quebradas, Jim tentava alcançar Holy enquanto Jonos vinha logo atrás dele se assegurando que o caminho estaria seguro para que eles pudessem voltar mais tarde. O garoto gritava enquanto corria, perguntava pra menina Holy o que era esse pergaminho que ela tanto queria entregar pra Selena, o que tinha nele de tão importante para causar tanta prostração na pequena sacerdotisa a ponto dela ignorar o fato de estar caminhando sobre um monte de pedra voando a muitos metros de altura sem nenhuma hesitação por medo de cair céu abaixo.

Entretanto, ela apenas respondia com mais saltos, dizendo poucas palavras todas relacionadas com a chave para a destruição da luneta, e que Selena era a única pessoa que poderia ler o pergaminho, que apenas ela conseguiria identificar em forma de palavras os diagramas contidos nele.

Os três continuavam a correr para o fundo das catacumbas. Enquanto corria, Holy pronunciou algumas palavras mágicas no idioma dos elfos enquanto erguia um cristal azul. O cristal brilhou e a partir de então, um feixe de luz emanava de seu interior indicando um caminho, com certeza o caminho até onde estava Selena. A jovem Holy fez isso para não perder mais nenhum tempo tendo que procurar exatamente a localização da garota, mas tal feitiço, visivelmente desgastou a menina, pois seus passos se tornaram lentos e menos precisos em meio aos buracos e pedras caídas no chão.

 

Sabendo que a ilha não iria mais se mover e ainda faltava uma boa distância até o altar, Moiro começou a entoar uma de suas canções mágicas, uma lenta e com longas palavras, que conforme eram sendo pronunciadas atraíam minúsculos insetos mágicos que habitam as nuvens daquela região, os quais eram sensíveis ao anima e começavam a tecer fios com o anima da criatura que ainda restava no ar.

O bardo movia seus braços pelo ar, como se fosse um maestro comandando os movimentos dos seus insetos de forma que quanto mais eles trabalhavam, uma espécie de ponte-de-anima ia surgindo no ar. Moiro tinha noção do trabalho que isso ia lhe dar, mas estava determinado a concluir o máximo que fosse possível para facilitar a chegada de Selena ao seu destino. O misterioso Trovante se revelava um conhecedor de muitas coisas, inclusive parecia saber desde o começo sobre como seria o final da luneta e o destino da jovem princesa de Aura.

Depois de seguir a luz por mais alguns metros, finalmente Holy e os outros encontraram Selena em uma sala escura, com apenas pequenos feixes de luz do sol que conseguiam entrar ali por entre as fendas existentes nas paredes.

A jovem princesa estava em pé sozinha no centro da sala, mas algo estava estranho. Seu olhar estava morto, ela não tinha expressão nem demonstrava qualquer movimento. Holy foi rápido até ela e a pegou nas mãos, dizia que ela precisava sair dali e decifrar o pergaminho.

Contudo, a pequena sacerdotisa teve uma desagradável surpresa quando olhou Selena diretamente. Ela percebeu o que tinha acontecido e quase que imediatamente gritou por socorro para Jim e Jonos.

Os gritos da pequena não foram rápidos o suficiente, Selena havia sido absorvida pela anima que formava a luneta e com seu olhar agora era capaz de corromper todas as coisas e ela ia começar pela pequena Holy.

Jim percebeu isso e correu com sua espada para cima de sua melhor amiga. Ele  gritava desesperadamente para que ela parasse, pois se isso não acontecesse teria de usar sua espada contra ela.

O anão Jonos também correu, mas seu alvo era outro, ele tinha percebido a existência de um dispositivo naquela sala que aparentemente ativaria os cristais-de-luz das paredes daquele lugar, cristais como aqueles que Selena e Jim viram na tumba onde encontraram a luneta no subsolo do castelo.

O olhar da princesa machucava Holy de tal maneira que ela não conseguia sequer expressar dor ou algum outro tipo de mudança física, apenas chorava e soluçava tentando pedir ajuda aos amigos, mas sendo incapaz de desviar o olhar de cima de Selena.

Percebendo que seus gritos não faziam efeito, Jim continuou correndo até dar de encontro com a princesa, fazendo com que os dois caíssem no chão juntos.

Jonos acertou o dispositivo com as mãos causando uma certa trepidação em toda a ilha ao mesmo tempo que todas as salas de seu interior ficavam iluminadas, depois disso se moveu o mais rápido que pode em direção à pequena Holy caída no chão, aos prantos e a pegou no colo para tirá-la dali o mais rápido possível. Ele não sabia o que exatamente tinha acontecido, mas sabia que não tinha sido coisa boa e a primeira coisa que pensou foi em levá-la até o bardo misterioso para que ele lhes desse um diagnóstico.

Novos tremores aconteceram, desta vez anunciando que a ilha estava novamente ruindo, derrubando várias e grandes porções de si em direção ao solo muitos metros abaixo. Parece que ao ativar o mecanismo de iluminação mágica, Jonos fez com que a ilha precisasse gastar parte da energia mágica utilizada para manter tudo no ar.

Jim levantou-se rapidamente tentando se manter afastado de Selena, pois estava com medo de seu olhar após ver o estado em que ela deixara Holy, minutos antes, afinal, por mais estranha que a menina parecesse, até o momento eles nunca a tinham visto naquele estado.

A princesa levantara vagarosamente, deixando a cabeça pendendo ao corpo, sendo esta a última parte a ficar ereta. Com os seus olhos tomados por escuridão, ela fitou Jim fixamente, como se o convidasse para entrar em seu novo mundo de trevas, mas o jovem, com sua espada em punho não cedeu e a levantou sobre a cabeça, como aquele que golpeia a lenha com um machado.

Quase que imediatamente, sua espada mágica refletiu um brilho azul que tomou a sala toda por alguns segundos, refletindo sobre a cabeça da princesa uma enorme criatura que ele julgou ser capaz de transformar em maldade até mesmo o coração da sua pequena amiga.

Tomado por um ímpeto de coragem, o jovem Jim correu para cima da princesa, em meio aos flashes da lâmina de sua espada os quais denunciavam a posição exata do monstro que tomava conta de Selena. Ele estava determinado a ir a fundo com isso e, mesmo que custasse a sua vida, ele queria acabar com essa criatura, deixando assim a princesa com o caminho livre para terminar sua missão de destruir a luneta.

Contudo o olhar de Selena era muito intimidador, toda aquela vontade que o garoto tinha de atacar a criatura desapareceu em segundos, sua espada caiu ao chão e ele parou seu movimento, com vontade de chorar…

Selena começou lentamente a se mover em sua direção, com os braços esticados como quem vai dar um abraço, mas o garoto resistia firme, olhando para o chão, derramando lágrimas de tanto esforço que estava fazendo para evitar o olhar de sua melhor amiga.

 

Enquanto dava socos no chão, para tentar expulsar de si todos os sentimentos que o deixavam incapaz de reverter aquela situação, Jim notou um pedaço de papel caído por ali, um pequeno rolo amarrado com um fio dourado. Ele lembrou do pequeno pergaminho que Holy queria entregar a ela, então, juntou forças e esticou seu braço, pegando o pergaminho e abrindo-o, para mostrar a Selena, numa tentativa de expulsar do corpo dela, aquele monstro terrível.

Ao abrir o pergaminho diretamente no rosto de Selena, ela ficou parada olhando para uma imagem sem sentido, mas que aparentemente tinha um significado pra pequena princesa.

Lágrimas caíram dos seus pequenos olhos e, fazendo um esforço incrível, Selena conseguiu vencer a influência da criatura, olhou ainda mais fixamente para a imagem e pronunciou vagarosamente e em voz alta a palavra que se formara pela interpretação que ela teve da imagem:

AT…MA…DJ…A


Final : Parte I

No mesmo momento em que Selena disse a palavra mágica contida em forma de desenhos no pergaminho de Holy, houve na sala onde eles estavam um brilho forte o suficiente para ofuscar Jim e fazer com que a criatura que havia tomado o corpo da princesa fosse danificada a ponto dela emitir um agudo som de dor, era notável que ela era vulnerável àquela palavra, seja lá o que ela significasse.

A criatura se desligou completamente da pequena Selena, tornando-se outro corpo naquele lugar. A luz causada pelo poder da palavra a pouco pronunciada, fez com que a criatura se debatesse tanto a ponto de destruir as paredes da sala quase que por completo, tentando abrir uma passagem para poder sair dali.
O monstro começava a se desfazer em vários pedaços, mas antes que fosse completamente derrotado, pegou Selena pelos braços e levantou vôo céu acima, puxando consigo a jovem princesa.
A criatura se desmanchava ao mesmo tempo que a energia que a formava tentava voltar para dentro da luneta pendurada em seu peito, mas o monstro sabia que ainda tinha uma alternativa…
Graças ao pergaminho de Holy, ela não conseguiu concluir sua tentativa de corromper a jovem princesa, então, para não sair completamente derrotada, ela tentaria nesse momento, levar Selena o mais longe possível daquele lugar para poder matá-la e se apossar de seu corpo.

Moiro viu uma grande sombra negra subir pelos ares carregando a jovem princesa, obviamente ele concluiu que aquilo não era coisa boa e tratou de chamar seu pássaro Mardoll e enviá-lo para auxiliar a pequena.
Imediatamente ela se transformou numa grandiosa ave branca que brilhava de uma maneira desconhecida por qualquer um ali além de seu “dono”, era um brilho forte, mas que não machucava os olhos e podia ser apreciado totalmente.
Logo que seu pássaro subia ao encontro de Selena, Moiro começava a entoar alto mais uma canção de inspiração, uma que, de tão bela, se era possível ouvir de qualquer lugar dentro de um raio de mais ou menos cinquenta quilômetros e esta música, mais do nunca ajudaria Selena a recompor suas energias e seu anima, que até este momento estava muito enfraquecido.

 

Começava uma disputa pelo ar entre o monstro de escuridão e a ave de luz e no meio das duas criaturas estava Selena, a pequena princesa de Aura que segurava em seu peito a luneta que dera inicio a isso tudo.
Ao perceber que o pássaro majestoso estava em seu encalço, o monstro das trevas guardou Selena dentro de sua barriga, em meio às inúmeras animas perturbadas que ali habitavam. Então o real confronto começou entre o pássaro e as trevas, um duelo silencioso, mas que era capaz de perturbar toda a anima que existia naquela região. Flashes de energia serpenteavam pelo ar, ondas de vento se formavam em volta das duas criaturas e acabavam por viajar em todas as direções, eram efeitos causados cada vez que a luz tocava a escuridão, um tentando sobrepor o outro naquele momento.

Depois de um bom tempo em confronto, pode se deduzir quem era o real vencedor daquela luta. O pássaro Mardoll estava com sua anima muito ferida, pois era visível o quanto havia sido afetado pela escuridão do monstro das trevas, seu brilho estava reduzido quase totalmente e seus olhos estavam se fechando enquanto ele voltava para a sua forma mais singela.
Para os espectadores, agora reunidos na superfície mais alta da ilha voadora em ruínas, pode-se ver um pequeno pintassilgo caindo dos céus enquanto uma sombra negra se desfazia em pedaços morrendo por completo e arremessando a pequena princesa para longe.

 

 

Final : Parte II

Sem opção, Selena apenas olhava o céu, nunca antes visto de tão perto, pois tinha acabado de sair da região mais escura pela qual passaria em toda a sua vida e queria poder aproveitar este momento mágico o máximo possível antes que a razão voltasse ao seu corpo e ela percebesse que estaria caindo para uma inevitável morte.

Contudo, tão logo a jovem começava a perceber sua queda, uma energia mística se formou em sua volta e ela pode sentir um caloroso toque ao mesmo tempo em que ouvia uma melodia agradável no ar e quando ela percebeu que estava prestes a despencar em direção aos picos abaixo de si, viu que tinha uma presença ali junto com ela a qual a estava carregando em direção ao altar nas nuvens onde supostamente a luneta deveria ser destruída.

Ao olhar em direção a tal presença, Selena se deparou com o olhar que ela tinha como o olhar mais belo que ela conhecia. Aquela energia em volta da jovem tomava forma e mostrava que não era apenas um punhado flutuante de anima, mas sim a energia que formava o Anima de Faeh Kizha e a elegante dançarina estava ali naquele momento para assegurar que a princesa chegasse a salvo em seu destino.

Lágrimas caiam dos olhos da pequena princesa, lágrimas de felicidade por poder reencontrá-la mais uma vez, e em resposta a isso, ela pode sentir lágrimas caindo dos olhos de Faeh ao mesmo tempo que as suas.

Depois de voarem todo o caminho até o altar, elas precisavam se separar novamente. As mãos de Selena segurando firme nas de Faeh que a deixava aos poucos, encantando e abençoando a jovem princesa com seu magnífico sorriso e ouvindo sua voz lembrando-a da palavra mágica que ela deveria pronunciar mais uma vez para poder destruir a luneta sem ser prejudicada.

E assim Selena ficou sozinha naquele lugar, em pé sobre as nuvens em frente a uma pedra circular flutuante que continha em sua superfície o buraco mais profundo que qualquer pessoa em Khali poderia encontrar.

Ela sabia que era ali era o local onde a luneta seria destruída, só faltava saber como. Sua primeira e mais óbvia idéia seria a de jogar a luneta naquele buraco medonho, mas quando ela pensou em chegar mais perto do altar, ela sentiu uma energia negativa muito grande que começou a puxá-la para o seu interior, mudando então de idéia e tentando voltar para longe da pedra.

Contudo a força que aquilo exercia sobre a menina era tão grande que ela era incapaz de vencer e, mesmo resistindo o máximo que conseguia, Selena continuava a ser puxada para dentro da pedra com o buraco, a chegada dela naquele lugar pareceu ter ativado uma espécie de mágica ali.

 

Então a jovem Selena decidiu usar sua palavra mágica mais uma vez, e pronunciou em voz alta a palavra ao mesmo tempo que trazia em sua mente as formas dos desenhos contidos no pergaminho que ela leu minutos atrás.

Isso fez com que um forte brilho azulado tomasse conta daquela região e um sentimento de calma invadiu Selena ao ponto dela ser capaz de compreender a própria existência da sua anima e de todas as coisas que se encontravam ao seu alcance naquele lugar, sendo assim, capaz de chegar tranquilamente na borda da pedra-altar, olhar o imenso espaço em seu interior seguramente depositando  a luneta em seu interior, onde ela ficaria para todo o sempre.

 

Final : Parte III

Holy acordava de um pesadelo terrível, estava nos braços de Moiro e lembrava-se de estar sonhando que era consumida por trevas quando subitamente uma música invadiu seu interior e a libertou.

Estavam todos em pé ali observando os efeitos de luzes que se formavam no céu diante de si, no pico de uma das montanhas ao norte, onde Selena estava com sua luneta. Moiro, Jonos e Jim ainda não tinham certeza sobre o que tinha acontecido, mas ganharam esperanças ao verem que algo acontecia no altar, alguém tinha que estar lá, e esse alguém só podia ser Selena.

A sacerdotisa Holy agora estava de olhos bem abertos, pedindo para que Moiro a colocasse no chão, pois queria poder ver o fim do dia em pé, aplaudindo a pequena princesa Selena pelo seu magnífico feito. Ela sim tinha certeza que a missão de todos ali fora cumprida com sucesso, sabia desde o começo que iria conhecer pessoas maravilhosas e que teriam uma importante tarefa a cumprir na vida.

O anão Jonos, vendo o show de luzes que acontecia nas montanhas a sua frente, deu um largo sorriso e começou uma gargalhada que se estendeu por muitos minutos. Moiro e Jim foram contagiados e começaram a rir também, satisfeitos com um estranho sentimento de vitória súbito e sem sentido, mas que veio como uma certeza.

Ondas de anima envolviam a todos ali, espalhando um belo sentimento de felicidade e alegria ao mesmo tempo que curavam e recuperavam as energias de todas as criaturas ali. Numa plataforma que se formava entre os picos, estava sentada Selena, sorrindo alegremente e enviando a todos seu sentimento através do anima de Faeh que se espalhou por ali.

E, ao olhar em direção ao sul, por entre as ruínas, a princesa viu Melissa no céu voando rápido junto com vários grifos, os mesmos que eles tiveram que deixar para trás quando o monstro-furação apareceu.

 

Ela deixou os grifos nas ruínas, para que Jim e Jonos tivessem novamente suas montarias e um jeito de saírem das ruínas. Moiro só estava esperando Mardoll recuperar suas energias para montar sua ave extraordinária e poder ir dar as felicitações à pequena princesa e sua missão cumprida com sucesso.

Melissa fez questão de ir buscar Selena pessoalmente, apesar de continuar cansada, não podia deixar de carregar a pequena menina que acabou de salvar Khali de um destino terrível. Certamente este era o desejo de todos ali, mas Melissa era quem teve o privilégio de sair na frente.

E então todos se reuniram no céu sobre as montanhas e começaram a voltar para casa, voando devolta a Seh’das, capital de Kah Lad de onde partiriam devolta para Aura e para o castelo onde moravam Selena e Jim.

Enquanto voavam, os sorrisos dos dois jovens que começaram isso tudo se encontraram e com um jovial aceno sentiram que, apesar de todas as últimas desavenças, sua amizade continuava inabalada.

A viagem de volta foi rápida e tranqüila, pois tudo ficava mais fácil quando não se tinha tamanho peso nas costas. Eles chegaram em Seh’das sem nenhum problema e ali pararam para se despedir de Holy, Jonos e Melissa, pois a amazona disse que precisava apresentar os dois ao rei-sultão Yonehad. Ela sabia que Jonos era detentor de alguns segredos antigos que poderiam ser utilizados pelo rei em suas pesquisas sobre o mundo antigo do deserto.

Para a jovem Holy, Melissa reservara um espaço especial. Queria que a pequena agora começasse a fazer parte das suas jornadas, queria saber mais sobre a menina e os mistérios que ela guardava dentro de si.

 

Para sair de Kah Lad rumo ao seu lar, as duas crianças contaram com uma agradável viagem sob as plumas de Mardoll e ao som de Moiro Trovante e suas melodias, o que fez com que tivessem a melhor viagem das suas vidas.

Passaram por montanhas, terras, campos e fazendas até alcançarem os limites das muralhas do castelo onde viviam e, com uma cordial saudação de todas as pessoas que trabalhavam para o rei, eles desceram ao solo cheios de orgulho por terem cumprido uma missão da qual nunca seriam lembrados, pois não foi algo divulgado a todos os cantos do mundo, mas certamente foi algo grandioso e que marcaria suas vidas para sempre.

Selena correu segurando na mão de Jim, os dois dispararam de encontro ao seu pai, que os abraçou com força e em seguida a pegou no colo, com um enorme sorriso no rosto, enchendo os olhos da pequena princesa de lágrimas de felicidade por reaver seu pai.

Olhando para Moiro, que acabara de chegar ali, o grande rei Tolkius acenou com a cabeça, como gratidão por ele ter ajudado em tamanha missão e tomado conta da sua filha, seu tesouro mais precioso.

A noite caiu mais uma vez em Aura, e Jim foi ver sua amiga antes de dormir, estava muito curioso para saber o que era, afinal, aquela palavra que ela tinha pronunciado na sala da ilha voadora que fez com que a criatura das sombras deixasse o seu corpo, foi uma cena que marcou o garoto e para o resto de sua vida, ele veria a sua pequena amiga de infância com outros olhos. Selena encontrou com Jim na porta de seu quarto,  e eles sentaram nas pedras que tinham no corredor para um conversa amigável que não tinham desde que deixaram o castelo.

Ela começou a contar para Jim sobre o pergaminho, disse que quando o olhou, não viu as imagens que todos os outros viram, para ela parecia a imagem de um punhado de anima em volta de uma esfera azul e verde, então a imagem mudava e o punhado de anima começava a envolver a esfera enquanto a palavra “Atmadja” não parava de ecoar na sua cabeça. A pequena sabia que aquilo significava a capacidade que o mundo tem de se curar através da Anima, e naquele momento ela sabia que curar o mundo poderia estar nas suas mãos.

Jim ficou deslumbrado com a magia que aconteceu neste ato, e começou a admirar ainda mais sua amiga.  Levantou-se para dar a ela um abraço antes de ir se deitar e domir. Esta seria uma noite que os dois não tinham há muito tempo e que pode propiciar a eles um sono tranqüilo e cheio de sonhos bons.

Ao amanhecer, Selena saiu à sacada de seu quarto no castelo para olhar os jardins e os pássaros que cantarolavam por ali toda manhã. Ela debruçou os cotovelos na borda da sacada, apoiando o rosto com a palma das duas mãos e, enquanto observava os caminhos na grama, viu uma pessoa passando por ali ao longe, alguém que tinha delicadas linhas femininas, trajando roupas vermelhas e caminhando lentamente por entre as folhas que caiam anunciando a chegada do outono em Aura.

A moça olhou para Selena ao longe e acenou com uma das mãos, virando-se em seguida para os portões e seguindo seu caminho. Selena sorriu sozinha, grata por ter podido mais uma vez contar com o contagioso astral de uma das pessoas mais importantes que conheceu na vida.

 

E assim voltou para o seu quarto terminar os seus afazeres e continuar com sua vida, agora guardando dentro de si o orgulho de ter protegido o mundo todo da maldição da luneta das trevas.

Anúncios
  1. 28/03/2012 às 8:57

    Se quiserem ver os comentários de cada parte, basta clicar no título que ele encaminha para a página do post separado.

    ^^

  1. No trackbacks yet.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: