Os Mitos Esquecidos

Raízes do Cosmo

Até hoje as pessoas procuram saber qual foi a verdadeira origem do universo, pois a cada geração que se passa, é descoberto uma nova fraqueza nas entidades conhecidas como “deuses”, as quais regem o poder e governam soberanos todas as crenças e a maioria das vidas pelo mundo conhecido.

Entretanto, teorias mais antigas dizem de que o mundo surgiu da divisão de uma grandiosa energia superior em outras divindades menores, as quais se cometeram a tomar conta do cosmo e deixá-lo em harmonia.

Com o contar das eras, essas divindades foram ganhando características singulares e ficando cada vez mais específicas de acordo com o tipo de cuidado que se auto-incumbiram de fazer. Isso acabou fazendo com que cada uma delas exercesse suas atividades concentradas em um tipo de ação.

Essas energias-guardiãs se autonomearam depois de certo tempo, conforme iam reforçando suas personalidades.

A primeira delas a conseguir um nome foi Helena, a energia que era o que conhecemos hoje como “amor”, pois era devotada a tudo aquilo que fazia e tocava com uma paixão ímpar.

A segunda energia foi denominada de Mérien, pois observou as areias do tempo escoarem pelas entranhas da criação distribuindo e organizando uniformemente tudo o que foi criado em toda a extensão do cosmo.

Então, outras duas energias, ao trabalhar em conjunto, encontraram uma esfera vagando pelo espaço e dando a esta uma forma específica e única até então conseguiram seus nomes como Liane, a qual, por ser capaz de dar vida própria para as coisas criadas ajudou sua energia-irmã Flora a criar animais e plantas para povoar o jovem planeta líquido que ambas encontraram e sentiram tamanho interesse.

Em seus êxtases de criações, Liane e Flora acabaram por superpovoar o pequeno planeta com suas criações até que não existia mais lugar para comportar tanta coisa o que acabou a levar a pequena esfera a um colapso ambiental.

Tal fato despertou uma satisfação enorme àquela energia que até então havia ficado sempre a espera de algo para tomar a energia, tirar a vida. Ela viajou até a pequena esfera azul e acabou destruindo toda a sua existência, devolvendo para Liane e Flora a energia que haviam usado em sua criação e composição. A essa energia foi dada o nome de Évora a qual representa até hoje o que toda a humanidade conhece por “morte”.

Uma tristeza enorme começou a surgir entre as divindades e o cosmo estaria destinado a ficar parado daquela forma para sempre, mas a última das energias se manifestou após muito tempo esquecida longe das outras. Energia esta, a qual foi capaz de dar a todo o cosmo aquilo que chamamos de “esperança” e, como última das energias foi nomeada pelas outras cinco de Levine.

Mérien deixou o tempo correr e as energias continuavam cuidando do vasto espaço o qual lhes servia de lar eterno.

Após milhares de anos esperando, Flora finalmente encontrou aquilo que esperou por tanto tempo: um planeta esférico, com 80% coberto por águas claras e cheio de vida natural. A esse planeta ela deu o nome de Gaea, e seria onde ela estabeleceria seu lar diante de todo o vasto cosmo.

Com o passar do tempo, Liane percebeu que a vida que ela poderia dar para as coisas podia criar esperança e felicidade nas suas energias-irmãs e decidiu que faria isso em outras partes do cosmo. Se isso foi realmente feito, continua sendo um mistério até os dias de hoje…

Vida e Morte

Flora criou plantas e animais para povoar sua pequena Gaea, a qual estava se tornando muito monótona após séculos de existência povoada apenas com vegetação simples e várias espécies de insetos. O planeta ficava cada vez mais belo, a energia-mãe trabalhava dia a dia construindo, modelando. Estava resultando em um trabalho perfeito e em completa harmonia.

Enquanto isso, Liane, que havia se cansado de procurar lugares para colocar vida, decidiu passar uma parte de seu poder para as criaturas vivas, para que todas elas pudessem criar novas vidas por si mesmas e com isso, ela poderia ver sua função sendo feita por todos os seres vivos espalhados pelo espaço. Assim sendo, todas as criaturas do universo se tornaram capazes de se reproduzir e criar novas vidas.

Contudo, Flora percebeu que os planetas poderiam ficar super povoados com essa dádiva que lhes fora passada. E para evitar que o mesmo erro do passado fosse cometido novamente, ela começou a criar seus animais com sexos definidos, fazendo assim de cada criatura precisasse do seu par, de sexo oposto para se criar uma nova vida, começando com isso uma nova era na população e criação do universo.

Enquanto Flora se preocupava apenas em criar seu planeta, Liane ficava cada vez mais entediada com a maneira que o tempo passava e nada de diferente acontecia, decidiu que daria mais uma dádiva aos alguns seres vivos: a capacidade do raciocínio.

Para tal fato, ela criou uma imagem para si mesma, pois decidira seguir o exemplo de Flora e cuidaria de um planeta para si apenas. Então assumiu a forma que nós conhecemos como os humanos de hoje e espalhou por seu planeta várias criaturas conscientes, as quais ela chamou de Alvi¹ os quais viviam em perfeita harmonia com o planeta e entre si mesmos, pois eram sábios e intelectuais e em suas singularidades tinham consciência de quando era chegado o tempo de procriar e dar vida para um novo Alvi, pois eles tinham uma característica que os diferenciava de todas as outras criaturas do cosmo: podiam se reproduzir apenas por vontade.

Os Alvi logo começariam a construir uma civilização primária e deixar sua mãe Liane cada vez mais orgulhosa de sua criação.

Vendo duas das suas irmãs fazendo a mesma coisa, mas em lugares diferentes, Évora decidiu que também teria direito sobre tudo aquilo que elas criavam. Mas ela não era capaz de criar vida, nem de dar personalidades para as coisas que existiam no universo, a única coisa que ela sabia fazer era destruir e reciclar a energia de tudo aquilo que já não servia mais. Isso a deixava cada vez mais triste e isolada das partes vivas do cosmo.

Então a entidade decidiu que tudo que nascia, deveria “desnascer” então ela saiu vagando por todo o cosmo colocando um tempo especifico de existência para tudo aquilo que um dia foi criado, Évora se extasiava fazendo isso, e aguardava pacientemente até o dia em que tudo deixaria de existir.

Isso não foi muito bem aceito pelas suas duas irmãs criadoras, mas Évora, contando com o apoio de Mérien, decidiram que seria mais fácil de tomar conta de tudo se as coisas tivessem um tempo de vida previamente estimado, então as duas começaram a trabalhar em conjunto para limitar a vida de tudo aquilo que existia.

Junto a isso, veio uma dúvida: Para onde iriam as coisas sem vida?

¹ – Referência para os Devas do Dungeons & Dragons 4e.

Anima

O cosmo começara a ficar “sujo” de corpos sem vida com o passar dos tempos, e isso não agradava Flora e Liane de maneira alguma, mas como era uma idéia plausível dada por suas irmãs, elas tinham de acatar essa terrível decisão de matar as coisas…

Mas Levine, com seu incrível dom de levar esperança até suas entristecidas irmãs, deu a elas a idéia de fazer o processo inverso ao que Évora fazia e criar as coisas com sua própria energia, então quando as coisas morressem, por assim dizer, a energia retornaria para elas e os corpos mortos voltariam a se tornar pura energia e não ficariam ocupando espaço e “enfeiando” a bela criação.

A idéia foi excelente e funcionou extremamente bem durante séculos, mas isso vinha desgastando demais as duas energias que se preocupavam em criar as coisas e as duas começaram a apresentar sintomas de fraqueza, até então desconhecidos por entidades tão supremas.

Évora, com sua sabedoria, concluiu que isso vinha acontecendo porque as duas estavam alterando a criação do universo parte por parte com suas próprias existências. Sua teoria era que, pra fazer isso funcionar, sem que Flora e Liane começassem a “morrer” por causa disso, era necessário que todo o cosmo fosse refeito, mas dessa vez, usando todas as suas energias em conjunto…

Chegou então o dia em que tudo aquilo que existia teria de desaparecer. Mérien voltaria tudo para o seu ponto de partida, deixando de fora de seu fabuloso feito de regressão temporal, apenas as seis essências primordiais.

Liane, em um ímpeto do que depois ficariam conhecidos como orgulho e egoísmo, não aceitou que seus tão estimados Alvis fossem destruídos desta forma, e os escondeu em suas próprias entranhas para que não fossem perdidos durante o evento que as energias chamariam de “O Renascimento”.

Depois de deixar Flora e Liane se despedirem de tudo aquilo que elas criaram, Mérien voltou o tempo até o início da criação e as seis energias se reuniram novamente para usar suas energias e recriar tudo novamente.

Os anos passavam, os séculos passavam, e tudo ia acontecendo novamente até que após algumas eras tudo estava praticamente como havia sido uma vez, com a diferença de que tudo agora era feito de pura energia divina, a qual retornaria para as suas entidades criadoras assim que as coisas morressem.

Essa energia ficou conhecida pelas criaturas vivas como “Anima” a alma das coisas.

Gaia

Assim como aconteceu uma vez, as energias foram em busca de um lugar o qual tivesse condições de abrigar seus seres vivos. Depois de passar muitos anos em busca de tal terra, elas acabaram por encontrar um planeta exatamente igual à antiga Gaea, elas decidiram que seria ali no novo começo e que esse novo lar se chamaria Gaia.

Entretanto, agora todas as divindades primordiais queriam povoar Gaia. Assim sendo, com a ajuda de Liane, cada uma delas criou vários tipos de criaturas para povoar esse novo mundo.

Novamente, Flora criou sua mais bela natureza, com plantas e animais de todos os tipos. E tudo na mais perfeita harmonia.

Liane, como havia escondido seus antigos Alvis numa parte dentro de si, não os chamaria para esse novo mundo onde tudo é feito de energia divina. Então ela resolveu criar as espécies humanoidees como conhecemos.

Merien usou de todo o conhecimento que possuía para criar todos os povos habitantes das florestas², seres amantes da natureza, os quais ela incumbiria da missão de cuidar das terras em Gaia.

Évora criou os seres que refletiriam sua paixão pela escuridão e supririam sua incapacidade de criar coisas, então ela criou os habilidosos Anões, os quais seriam apaixonados pela noite e pela escuridão das suas majestosas cavernas no coração das montanhas.

Helena colocou um pouco do seu sentimento em tudo aquilo que havia sido criado, tornando todas as criaturas capazes de amar seja racionalmente ou instintivamente.

E, por fim, Levine deu a todas as criaturas pensantes uma motivação para faze-los ter esperanças, ela os abençoou com a ambição.

Merien, prevendo o futuro de tal dádiva, não quis que algumas de suas criações fossem “contaminados” com tal dúbio sentimento e pediu que Levine os poupasse da sua dose de ambição, então os povos das florestas receberiam uma quantia muito menor de ambição e o excedente passaria para os Humanos, pois Liane gostou muito daquilo e viu que isso poderia fazer das suas criações, verdadeiros guardiões do planeta.

A partir de então, tudo que existia em Gaia seguiria o seu rumo sem influência das Divindades, pois as mesmas estariam inaptas por algumas eras de fazer qualquer evento cósmico. Isso aconteceu porque todas as seis haviam dissipado muito da sua energia sagrada criando um universo inteiro com sua própria essência mágica e depois disso povoando totalmente um planeta.

Merien, como a responsável por cuidar do tempo, usou grande parte da sua energia para prever o andamento das coisas nos próximos 10 mil anos, e viu que como tudo havia sido feito por elas e com especial carinho e cuidado, não aconteceria que pudesse as obrigar a um novo “recomeço”.

Isso a desgastou um pouco mais e a fez ficar num estado de hibernação ainda maior que o das suas energias irmãs, as quais ficariam sem interferir no mundo por muitas eras. Liane, aproveitando sua superioridade de energia, esperou todas as suas irmãs adormecerem para criar um pequeno espaço em Gaia para os Alvi, então usou um pouco mais da sua energia e lhes deu uma ilha voadora, na qual estariam confinados dentro de uma redoma de vidro para sempre.

Mas todas as energias primordiais não haviam pensado numa coisa muito importante: A ambição humana é capaz de muitas coisas, inclusive de mudar um destino já previsto…

² – Fato que inclui, elfos, eladrins, ferais e outras raças.

As Estrelas do Vale e os Marqueses

A partir de então, todas as energias estariam deixando o mundo aos cuidados das raças que criaram.

Cada qual com suas características, as raças habitantes do planeta foram moldando a sociedade em Gaia e desenvolvendo suas culturas e tecnologias. Durante muito tempo, as raças do mundo foram se desenvolvendo e erguendo suas civilizações espalhadas pelas duas grandes maças de terra. Foram construídos muitos castelos, todos com uma exuberância única. Apenas os humanos fariam deles suas moradias fixas, pois apesar de muitos anões terem ajudado na construção dos mesmos, estes preferiam ficar em suas moradas subterrâneas, os Elfos também ajudaram em muito na construção das maravilhas arquitetônicas com sua magia e o dom nato para a arte, mas assim como os anões, eles preferiam ficar em suas casas nas profundezas das florestas.

Sete eram os castelos mais bem estruturados e caprichados que foram criados pelas mãos de humanos, anões e Elfos. Três deles ficavam em Khaen Thil³ e os outros quatro em Lael Thil³ tais Castelos foram nomeados com palavras mágicas élficas para mostrar o laço existente entre as três raças.

O primeiro deles se situava ao sul de Khaen Thil e foi batizado como Lisden, que significava “união”.

O segundo deles ficava ao norte de Khaen Thil, próximo das terras gélidas e foi batizado de Arieen, que significava “amizade”.

O terceiro que foi construído ficava no meio das terras desérticas em Lael Thil e foi chamado de Seh’das, que significa “trabalho”.

O quarto castelo a ser terminado foi Gol’dhas, ficava situado ao noroeste do continente Lael Thil e seu nome significa “prosperidade”.

O quinto castelo ficava no extremo nordeste de Lael Thil e foi chamado de Ceresti, que significava “soberania”.

O sexto deles foi construído em uma ilha separada do continente ao sul de Lael Thil e foi batizado de Allash, que significa “paz”.

E o sétimo e último castelo foi construído no centro do continente de Khaen Thil e seria a base de todas as civilizações, foi batizado de Khali, que significava “Ascensão”. Neste castelo ficariam abrigados os maiores representantes das raças e os responsáveis pelos projetos dos castelos. Em cada um desses castelos ficaria um “Marquês” que cuidaria do bem estar da estrutura e das pessoas que se abrigassem sob seus domínios. Por coincidência ou não, com exceção de Khali, todos os outros seis marqueses eram humanos.

No castelo principal ficaram reunidas muitas pessoas que entendiam e estudavam as coisas do mundo, estes formaram  uma equipe com 40 sábios e corajosos membros que se denominaria “As estrelas do Vale” e ficaria responsável por pregar a ordem e ensinamentos sobre a criação do mundo e a utilização com sabedoria da Anima do planeta. Eles também descobriram que as massas de terra na qual viviam, eram cercadas por uma infindável quantidade de água e não tinham como descobrir a vastidão de seu mundo.

Enquanto as Estrelas viajavam o mundo fazendo novas descobertas, os Marqueses ficavam e seus castelos pensando em como seria a delimitação das terras no continente para que nenhum deles trabalhasse mais do que o outro.

Os eladrins¹, desinteressados nessas discussões políticas, estavam mais preocupados com as incessantes escavações que os anões faziam perto de Khali, eles julgavam os anões como obcecados e demais e desconfiavam que eles estavam agindo sobre efeito de alguma coisa que não era normal deste mundo, a raça deles havia cortado relações com o mundo e ameaçaram toda a raça elfica caso continuassem a interferir nas suas escavações e descobertas.

¹ – Raça também conhecida como os “altos elfos”, nobres e mais ligados à natureza.

³ – Nomes dados para o continente oeste e leste, respectivamente.

O Submundo

Em sua sede por descobertas e por novos tipos de pedras e metais, os anões cavavam cada vez mais buscando alcançar o coração da terra. Mal sabiam eles o que estava escondido lá nas profundezas.

Um eladrin chamado Azhenól Lérien, investiu em mais uma tentativa de impedir os anões de continuarem com suas desenfreadas ambições de furar a terra. Azhenól era muito amigo de Borghus Stennor, que era um dos principais líderes dos anões e muito influente. Ambos fizeram uma reunião para tentar difundir o pensamento elfico dentre os desejos dos anões, entretanto os pequenos seres da terra não conseguiram enxergar a mesma ameaça que a sabedoria élfica os tentava alertar e continuaram a sua busca pelo desconhecido.

Com o passar do tempo, os ignorados elfos começaram a sentir um medo espontâneo de continuar caminhando pelas terras do continente e resolveram tentar pela última vez convencer os anões a mudar suas casas e abandonar aquela mina horrenda.

Azhenól reuniu doze dos seus mais confiáveis amigos para descerem até as minas onde ficava o principal lar dos anões e fazerem uma das suas fantásticas manipulações da anima para tentar mostrar aos anões o que poderia estar abrigado no fundo abaixo das suas casas.

Contudo, Azhenól e seu conselho de elfos chegaram tarde demais…

Os anões, liderados por  Farh Skupis, acabaram por perfurar a terra tão profundamente que, ao alcançar o fundo de um dos abismos subterrâneos libertaram antigas energias malignas que impregnavam as profundezas da terra.

Criaturas que se alimentam da escuridão e de sentimentos negativos estiveram lá, presas nas rochas desde a criação dos tempos. Estes seres foram criados em Gaia pela personalidade das pessoas que oscilavam entre o bem e o mau, pois a balança, de alguma forma, sempre deveria estar equilibrada.

Durante algum tempo o silêncio dominou todo o local e em seguida todas aquelas criaturas malévolas estavam a solta, espalhando o terror por toda a escavação dos anões. Em poucos minutos alcançaram a cidade subterrânea e em pouco mais de uma hora estavam saindo para a superfície.

Ninguém sobreviveu a este massacre, nem os anões, nem mesmo Azhenól e seus amigos, nem quaisquer criaturas vivas naquela região. As criaturas despertadas eram temíveis demônios do submundo e que agora conheciam o sangue e se alimentavam do terror das pessoas.

Guerra

As 40 Estrelas do Vale continuavam suas jornadas por toda a extensão territorial conhecida, fazendo descobertas, desenhando mapas, catalogando fauna e flora, e procurando por qualquer possibilidade de ameaça seja nas terras, nos mares ou nos céus. Nessas viagens, acabaram por descobrir espécies de “nodos” de anima, de onde poderia retirar energia para criar estruturas fabulosas e mágicas.

Enquanto isso, em Khali a situação ficava cada vez mais complicada. Eles sentiam o mau se aproximando cada vez mais e estavam apreensivos com o que quer que fosse que estivesse vindo ao encontro do castelo considerado o centro do mundo.

Ahrimus Deenas era o principal homem entre os marqueses, e tratou de enviar mensagens para todos os outros castelos sobre o que estava sentindo, e que não era nada bom para o mundo. Ele desejava que a mensagem alcançasse as Estrelas do Vale e que esses grandiosos sábios viessem com uma luz para o seu tormento invisível.

Os outros marqueses estavam muito longe de Ahrimus para poder ajudar a descobrir o que estava atormentando o principal líder de Khali, e decidiram montar pequenos grupos e viajar até lá e aconselhar seu amigo.

Entretanto, antes que qualquer ajuda pudesse aparecer, Ahrimus foi capaz de avistar ao norte de seu aposento em uma das altas torres do magnífico castelo, uma sombra que veio como uma mensagem sobre o que estava se aproximando, mas não era uma sombra comum, era feita de ódio e terror, sua simples visão fez com que o grandioso lorde de Khali se perdesse em seu próprio temor e caísse em uma loucura nunca antes vista pelas pessoas em Gaia.

Em sua insanidade, ele ordenou que todas as pessoas no castelo se preparassem para a guerra, queria que arrumassem armas que ferissem a ponto de matar, desenvolvessem proteções para seus corpos e armassem cada alma em Khali com tais equipamentos, fossem eles homens, mulheres, idosos ou crianças, Ahrimus Deenas queria expulsar essa criatura do mundo e livrar-se do terror que sentia.

Duas semanas e meia se passaram antes que as sombras e os demônios libertos alcançassem os portões de Khali e desse início a uma batalha injusta entre as pessoas vivas e as criaturas feitas de loucura, vindas de um mundo inferior.

Os humanos e anões resistiram por um dia inteiro ao tormento e insanidade levados às suas mentes pelos ataques das criaturas.

Muitas pessoas fugiram de lá, carregando aos quatro ventos mensagens e lembranças do terror que passaram nesse primeiro dia, e logo, a notícia chegaria aos ouvidos das Estrelas do Vale o que faria com que eles, bem como as companhias dos outros marqueses, se apressassem em chegar logo em Khali para impedir a destruição da capital do mundo.

Depois de seis dias de terror, os marqueses dos outros castelos chegaram a Khali, mas a ajuda não aconteceu como havia sido planejado, grande parte dos homens que chegaram, saíram correndo de medo ao ver o mau que ali se encontrava, enfraquecendo a moral até mesmo daqueles mais bravos.

A situação estava crítica, Ahrimus estava perdido, vencido pelo terror que assolava sua mente. Ver que o socorro teria chegado não lhe animou nem um pouco, pois ele sabia que tal ajuda de nada adiantaria e que o mundo já estava perdido. Os marqueses se reuniram e organizaram uma nova frente para conter esse mau, mas mesmo com o reforço do lado dos humanos, não daria para resistir por muito mais tempo e ao final da tarde, todos ali sabiam que suas horas estavam contadas, a menos que algum milagre os salvasse.

E ao final desse mesmo dia, quando tudo já estava dado como perdido, as Estrelas do Vale chegaram. Todos os 40 juntos, com suas armas feitas com o Anima de Gaia para mudar o trágico destino que a humanidade estava prestes a tomar.

Os Heróis de Gaia

Durante um dia inteiro, aqueles homens conhecidos como As Estrelas do Vale, lutaram ajudando os marqueses e suas tropas a eliminar o terrível mau que estava sobre o castelo. Foi uma batalha devastadora, o poder que as armas criadas com anima era enorme e contrastava em explosões de energia quando se chocava com as criaturas do abismo. Pouco a pouco, o céu voltava a aparecer claro sob Khali e as criaturas começavam a diminuir em número. As tropas que resistiam no castelo voltaram a sentir esperança e ver que a vida não estava perdida, que essa luta valeria a pena e que agora, mais do que nunca, eles deveriam lutar com todas as suas forças pela alegria das gerações seguintes.

O combate voltava a aquecer os corações de todos ali, e a cada criatura derrotada, era uma explosão de energia que engrandecia os soldados. Em três dias o castelo estava limpo, e as Estrelas do Vale lutavam para empurrar as criaturas novamente para o abismo de onde vieram.

Humanos, anões e elfos que ficaram vivos nas ruínas do castelo Khali viram os seus salvadores lutarem bravamente e mudar o rumo da antiga guerra. Eles viram também, que os heróis empunhavam as armas mágicas primordiais venciam definitivamente, obrigando as criaturas malignas a voltarem para o abismo. No entanto, ao chegar lá, eles se depararam com algumas criaturas ainda maiores, que não conseguiam sair pela abertura na terra. As Estrelas do Vale uniram suas forças grandiosas e, numa grande explosão de anima, acabaram por destruir essas criaturas e deixar apenas uma enorme e infindável fenda na terra no local onde um dia foi o berço da civilização dos Anões.

Com as criaturas derrotadas e expulsas de Gaia, o mundo então tomaria um novo rumo.

Os anões fizeram um juramento de jamais abusar da terra novamente, e que suas escavações seriam apenas nas montanhas e não mais para o fundo. Os elfos, desolados por terem perdido um de seus maiores sábios, resolveram se ocultar do mundo nas densas florestas do norte e que a ambição que lhes fira recusada era de fato algo perigoso demais para ficar sem observação. As forças do mal deixaram uma vasta área de destruição, que ocupou a parte central do continente Khael Thil inteira, e que posteriormente ficou ocupada apenas por monstros e criaturas malignas que haviam sido corrompidas pelas energias do abismo.

O Marquês de Arieen, em homenagem a Azhenol que tentou impedir que o mal fosse liberto, chamou toda a extensão das suas terras de Lérien o reino Élfico.

O castelo de Khali foi destruído na batalha e seu lorde, o marquês, Arhimus caiu totalmente em loucura e acabou se suicidando por não conseguir se livrar das visões malignas que tomaram conta da sua mente.

Os Marqueses formaram um conselho, junto com as Estrelas do Vale e decidiram, entre outras coisas, que o centro do mundo deveria ser abandonado e esquecido, eles chamariam esse o seu mundo de Khali, como forma de honrar o antigo castelo que um dia foi considerado o centro do mundo. Decidiram também, que a língua falada no mundo agora seria nova, e o idioma antigo não deveria mais ser pronunciado. O trabalho deles agora era fazer com que o mundo, esquecesse esse episódio trágico e trabalhar para o desenvolvimento da civilização.

Os territórios foram delimitados e seis grandes reinos foram criados, um reino para cada um dos grandes castelos do mundo antigo.

A humanidade tornaria a caminhar em paz para o desenvolvimento.

Ascensão

As Estrelas do Vale ficaram muito poderosas com a vitória sobre as criaturas do mal na guerra que ficou conhecida como “A Guerra do Mundo Antigo”, e estavam pensativos de como usariam todo esse poder, sendo que não eram nem ao  menos capazes de trazer seus amigos mortos de volta a vida.

De todas as Estrelas do Vale, vinte e três ficaram vivos depois da guerra, e eles desejavam, acima de tudo, que seus nomes ficassem na mente de todo e qualquer objeto palpável do mundo. Então decidiram que, em nome de seus amados companheiros mortos, eles se tornariam os deuses¹ protetores de Khali. E eles tinham poder para tal feito.

Dos 23 vivos, cada um era dotado de um foco especial de poder, o que delimitaria a sua influência na mente das pessoas, e todos eles concordavam com o poder e a dádiva que lhes fora dado para se tornarem deuses.

Magnus, o líder do grupo, se tornaria a ordem e a justiça em pessoa, sendo o deus que representava tais virtudes.

Bianca, adoradora da lua, tomaria o controle da escuridão, se tornando a deusa da noite e das trevas.

Klaus queria ser como Magnus e faria tudo para isso, se tornando o deus da trapaça, enganação, inveja e traição.

Linahliél, por ser o único elfo entre as Estrelas do Vale, se tornou o deus dos elfos em Khali.

Kaghlasherin foi quem catalogou as criaturas bestiais que existiam no mundo e ficou sendo o deus dos montros.

Farius era um estudioso do fogo e seus mistérios tornando-se o deus desse elemento.

Uranius era um mago que via poder nas terras e montanhas, tornando-se o deus do elemento terra.

Keera ficou sendo conhecida como a deusa da cura, pois era a melhor fazendo isso.

Thrith foi o homem que mais odiou ter perdido seus amigos e parte do mundo, e se tornou o deus da ira.

Heigh não havia se mexido muito para lutar pelos humanos, pois achava que as guerras avançavam o mundo, tornou-se o deus das guerras e conflitos pessoais.

Karyl era o vaidoso, amante da beleza e admirador das coisas bem feitas, tornou-se o deus da beleza e da vaidade.

Anibaal foi aquele que mais abusou do poder conseguido com as armas mágicas se tornando o deus da destruição.

Beros era o anão do grupo, e acabou por se tornar o deus dos anões.

Myst era mágica e fascinante, e usou seu poder para criar criaturas mágicas em Khali, ficando assim como a deusa da imaginação e das criaturas místicas.

Astis era a mais fantástica admiradora dos mares e por isso, tornou-se a deusa dos oceanos e das criaturas marinhas.

Sabrina era, sem dúvida, a criatura mais majestosa que exista entre as Estrelas do Vale, e se tornou a melhor manipuladora da anima do mundo, por isso, ficou sendo conhecida como a deusa da magia.

Sandal foi o responsável por catalogar todas as plantas do mundo conhecido, se tornando assim, o deus das plantas.

Hana, sempre ao lado de Sandal, fez sua parte catalogando os animais e se tornando a deusa dos animais.

Anabelle, sem mais, tornou-se a deusa da sua maior virtude, a paz e tranqüilidade.

Rheo, o manipulador dos ventos, tornou-se o deus desse elemento.

Donovan era o mais sábio e estudioso do grupo, tornando-se assim, o deus do conhecimento e da dedicação.

Sarthan era obcecado por encontrar coisas valiosas, como pedras, gemas e cristais, tornando o deus de tais luxúrias.

Ilmern era o maior de todos os deuses, e era apegado a tudo que tinha tamanho colossal, acabou por se tornar o deus das coisas gigantes ou de tamanho anormal.

E por fim, Dara, que em momento algum, desistiu de ajudar seus amigos e aliados, se tornaria a deusa da bondade.

Cada qual com suas habilidades específicas e extraordinariamente poderosos, as vinte e três entidades que um dia foram o grupo chamado de As Estrelas do Vale, se tornariam agora, o panteão de Khali.

Suas antigas armas, as quais estavam impregnadas com grande energia do mau, agora não eram mais necessárias e foram seladas em um único compartimento, que mais tarde viria a ser destruída e seus restos jogados no abismo de onde as criaturas vieram, pois sua energia maligna estava começando a afetar a mente das pessoas e a destruir o local onde estava sendo guardada.

E assim, ficou conhecido o nosso mundo como é hoje. Um mundo chamado Khali, onde se fala na nova língua batizada como lenda e na língua sindarin, dos elfos. Um mundo composto por seis reinos distintos, onde guerra, paz, desenvolvimento, magia e conhecimento reinam soberanos. Onde criaturas mágicas andam livremente e aventureiros buscam novos poderes e fortunas. Um mundo que é regido por deuses movidos pela ambição de cuidar de um planeta que agora tomaram como seu.

O tempo foi passando e prósperos reinos foram sendo erguidos, culturas foram se formando, heróis foram nascendo e mitos iam sendo criados. Os deuses de Khali estavam agora com poder total sobre as criaturas vivas, mas eles sabiam que muito, mas muito ainda teriam de ver até que pudessem se considerar entidades como aquelas que lhes deram origem.

Contudo, eles saberiam como resolver isso…

¹ – Ver “O Panteão” para melhor compreender cada um dos deuses.

Reinos

Cada domínio existente em Khali, agora se tornaria um reino. Cada um desses reinos seria regido por um Marquês, o qual seria o Rei da região, o qual estaria incumbido de fazer sua comarca prosperar.

Sentados em seus castelos, cada Rei desenvolveu características e filosofias diferentes, as quais eram aplicadas sobre seus súditos e disseminadas por toda a região na qual eles eram responsáveis.

Lisden seria o castelo que governaria Armétia, o reino das aventuras, onde heróis nasciam e fábulas eram espalhadas aos quatro ventos.

Com o passar dos anos, foi se formando ao redor do castelo, uma cidade, a qual foi batizada de Halen por Aaron Houten’i, rei de Armétia, rei este que foi responsável por nomear todas as cidades e vilarejos em seu reino conforme seu gosto.

Armétia ficaria famosa por sua cultura repleta de fábulas sobre heróis, mistérios e criações mundanas.

Arieen era o único castelo onde ainda se viam elfos caminhando. Ele seria o castelo que iria reger o reino de Lérien, onde alguns o povo das florestas ainda se sentiam à vontade para caminhar com os humanos e anões sem temer sua ambição de grande poder.

Ao redor de Arieen, também fora construído uma cidade para abrigar todos os decentes das famílias que perderam seus lares quando as sombras devastaram a terra. Esta cidade foi denominada de Ayleen que significava ‘Nova Aliança’ e abrigava pessoas de todas as raças.

Lérien era governado por Ayorien Lhed’as, que foi o responsável por fazer com que seu reino ficasse conhecido mundo a fora por suas elegantes vestimentas.

Ayorien concedeu as terras que ficavam além da floresta dos eladrins para as pessoas livres que lá viviam, essas terras ficariam conhecidas pelo nome de Deória, a terra da paz. Onde nenhum rei interferia nas vidas das pessoas.

Aquele deserto ainda parece aumentar a cada dia”. Mas Khan El, mesmo assim, construiu seu reinado dobre as pedras e a areia, prosperou, sem dúvidas, com seu reino e sua cultura. O reino foi chamado de Kah Lad, onde a comida típica e as vestimentas exuberantes se tornariam famosas e a sua capacidade de fazer crescer uma civilização onde só restavam terras mortas.

Um reino sem dúvidas interessante. Tornou-se um dos pioneiros na navegação, estabelecendo rotas seguras para a troca de culturas com Armétia via mar.

Gol’das foi o castelo onde reinou Talius Arthen, O qual criou rapidamente suas cidadelas distribuídas de forma organizada, visando facilitar o transporte de uma cidade até a outra, seja para viagens ou para o comércio.

Sem dúvida o reino mais organizado de todos, foi como Aura ficou conhecido como o reino dos avanços. Por algum motivo, Talius sempre teve como objetivo o avanço e desenvolvimento da sociedade como um todo de forma pacífica e ordenada.

Suas cidades são planejadas e seus campos sempre belos.

Essa paz jamais deveria ser perturbada pelas desavenças que tinha com Konar Beghtorn, o Rei de Mithra, que era regido pelo castelo Ceresti dos amantes das armas.

Konar e Talius engajaram em um conflito de culturas que um queria por toda lei impor ao outro, dizendo que o mundo iria melhorar se só uma cultura predominasse.

Contudo, Konar e seu reino eram bárbaros, selvagens e especialistas em combate. Mantinham a honra acima de tudo e juraram que enquanto Aura continuasse crescendo, Mithra iria mostrar seu poder.

E o último dos seis castelos que ainda existiam, Allash, seria regido por Takezo Azura, um líder espiritual para o seu reino, Isshin, a terra da luz. Essa terra está separada do resto do mundo e por isso os conflitos internos tiveram que nascer para alimentar a vontade inata dos seres humanos de crescer.

Uma terra que vive sob a linha entre a paz e a guerra, o espírito está acima de tudo na sua cultura.

Seus guerreiros são os mais honrados de disciplinados do mundo. Suas técnicas são puras e absolutas. E suas espadas são as melhores já criadas pelas mãos dos homens.

Assim caminhava a vida em Khali. A interação eterna entre os reinos, os conflitos entre Aura e Mithra mostravam ao mundo o poder do homem de avançar, os conhecimentos de Lérien fariam que a magia nunca desaparecesse, a vida em meio às terras inóspitas de Kah Lad motivava todos a dar valor para as condições que lhes eram postas quando nascidos perfeitos, o espírito imortal da cultura de Isshin ensinava ao mundo que a vida que reside em nós jamais deve ser usada com malícia ou corrupção, e o espírito de Armétia dava brilho no olhar das pessoas e aguçava a vontade de viver.

E assim nasceu definitivamente a sociedade como conhecemos hoje, cultuando e adorando aos 23 deuses do panteão, plantando, colhendo, comercializando e contando histórias de heróis e lendas de monstros fabulosos.

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