Arquivo

Posts Tagged ‘Atmadja’

Atmadja – Final : Parte III

13/11/2009 9 comentários

Holy acordava de um pesadelo terrível, estava nos braços de Moiro e lembrava-se de estar sonhando que era consumida por trevas quando subitamente uma música invadiu seu interior e a libertou.

Estavam todos em pé ali observando os efeitos de luzes que se formavam no céu diante de si, no pico de uma das montanhas ao norte, onde Selena estava com sua luneta. Moiro, Jonos e Jim ainda não tinham certeza sobre o que tinha acontecido, mas ganharam esperanças ao verem que algo acontecia no altar, alguém tinha que estar lá, e esse alguém só podia ser Selena.

A sacerdotisa Holy agora estava de olhos bem abertos, pedindo para que Moiro a colocasse no chão, pois queria poder ver o fim do dia em pé, aplaudindo a pequena princesa Selena pelo seu magnífico feito. Ela sim tinha certeza que a missão de todos ali fora cumprida com sucesso, sabia desde o começo que iria conhecer pessoas maravilhosas e que teriam uma importante tarefa a cumprir na vida.

O anão Jonos, vendo o show de luzes que acontecia nas montanhas a sua frente, deu um largo sorriso e começou uma gargalhada que se estendeu por muitos minutos. Moiro e Jim foram contagiados e começaram a rir também, satisfeitos com um estranho sentimento de vitória súbito e sem sentido, mas que veio como uma certeza.

Ondas de anima envolviam a todos ali, espalhando um belo sentimento de felicidade e alegria ao mesmo tempo que curavam e recuperavam as energias de todas as criaturas ali. Numa plataforma que se formava entre os picos, estava sentada Selena, sorrindo alegremente e enviando a todos seu sentimento através do anima de Faeh que se espalhou por ali.

E, ao olhar em direção ao sul, por entre as ruínas, a princesa viu Melissa no céu voando rápido junto com vários grifos, os mesmos que eles tiveram que deixar para trás quando o monstro-furação apareceu.

griffon

Ela deixou os grifos nas ruínas, para que Jim e Jonos tivessem novamente suas montarias e um jeito de saírem das ruínas. Moiro só estava esperando Mardoll recuperar suas energias para montar sua ave extraordinária e poder ir dar as felicitações à pequena princesa e sua missão cumprida com sucesso.

Melissa fez questão de ir buscar Selena pessoalmente, apesar de continuar cansada, não podia deixar de carregar a pequena menina que acabou de salvar Khali de um destino terrível. Certamente este era o desejo de todos ali, mas Melissa era quem teve o privilégio de sair na frente.

E então todos se reuniram no céu sobre as montanhas e começaram a voltar para casa, voando devolta a Seh’das, capital de Kah Lad de onde partiriam devolta para Aura e para o castelo onde moravam Selena e Jim.

Enquanto voavam, os sorrisos dos dois jovens que começaram isso tudo se encontraram e com um jovial aceno sentiram que, apesar de todas as últimas desavenças, sua amizade continuava inabalada.

A viagem de volta foi rápida e tranqüila, pois tudo ficava mais fácil quando não se tinha tamanho peso nas costas. Eles chegaram em Seh’das sem nenhum problema e ali pararam para se despedir de Holy, Jonos e Melissa, pois a amazona disse que precisava apresentar os dois ao rei-sultão Yonehad. Ela sabia que Jonos era detentor de alguns segredos antigos que poderiam ser utilizados pelo rei em suas pesquisas sobre o mundo antigo do deserto.

Para a jovem Holy, Melissa reservara um espaço especial. Queria que a pequena agora começasse a fazer parte das suas jornadas, queria saber mais sobre a menina e os mistérios que ela guardava dentro de si.

indexpic

Para sair de Kah Lad rumo ao seu lar, as duas crianças contaram com uma agradável viagem sob as plumas de Mardoll e ao som de Moiro Trovante e suas melodias, o que fez com que tivessem a melhor viagem das suas vidas.

Passaram por montanhas, terras, campos e fazendas até alcançarem os limites das muralhas do castelo onde viviam e, com uma cordial saudação de todas as pessoas que trabalhavam para o rei, eles desceram ao solo cheios de orgulho por terem cumprido uma missão da qual nunca seriam lembrados, pois não foi algo divulgado a todos os cantos do mundo, mas certamente foi algo grandioso e que marcaria suas vidas para sempre.

Selena correu segurando na mão de Jim, os dois dispararam de encontro ao seu pai, que os abraçou com força e em seguida a pegou no colo, com um enorme sorriso no rosto, enchendo os olhos da pequena princesa de lágrimas de felicidade por reaver seu pai.

Olhando para Moiro, que acabara de chegar ali, o grande rei Tolkius acenou com a cabeça, como gratidão por ele ter ajudado em tamanha missão e tomado conta da sua filha, seu tesouro mais precioso.

A noite caiu mais uma vez em Aura, e Jim foi ver sua amiga antes de dormir, estava muito curioso para saber o que era, afinal, aquela palavra que ela tinha pronunciado na sala da ilha voadora que fez com que a criatura das sombras deixasse o seu corpo, foi uma cena que marcou o garoto e para o resto de sua vida, ele veria a sua pequena amiga de infância com outros olhos. Selena encontrou com Jim na porta de seu quarto,  e eles sentaram nas pedras que tinham no corredor para um conversa amigável que não tinham desde que deixaram o castelo.

Ela começou a contar para Jim sobre o pergaminho, disse que quando o olhou, não viu as imagens que todos os outros viram, para ela parecia a imagem de um punhado de anima em volta de uma esfera azul e verde, então a imagem mudava e o punhado de anima começava a envolver a esfera enquanto a palavra “Atmadja” não parava de ecoar na sua cabeça. A pequena sabia que aquilo significava a capacidade que o mundo tem de se curar através da Anima, e naquele momento ela sabia que curar o mundo poderia estar nas suas mãos.

Jim ficou deslumbrado com a magia que aconteceu neste ato, e começou a admirar ainda mais sua amiga.  Levantou-se para dar a ela um abraço antes de ir se deitar e domir. Esta seria uma noite que os dois não tinham há muito tempo e que pode propiciar a eles um sono tranqüilo e cheio de sonhos bons.

Ao amanhecer, Selena saiu à sacada de seu quarto no castelo para olhar os jardins e os pássaros que cantarolavam por ali toda manhã. Ela debruçou os cotovelos na borda da sacada, apoiando o rosto com a palma das duas mãos e, enquanto observava os caminhos na grama, viu uma pessoa passando por ali ao longe, alguém que tinha delicadas linhas femininas, trajando roupas vermelhas e caminhando lentamente por entre as folhas que caiam anunciando a chegada do outono em Aura.

A moça olhou para Selena ao longe e acenou com uma das mãos, virando-se em seguida para os portões e seguindo seu caminho. Selena sorriu sozinha, grata por ter podido mais uma vez contar com o contagioso astral de uma das pessoas mais importantes que conheceu na vida.

be_my_autumn_by_cat_woman_amy

E assim voltou para o seu quarto terminar os seus afazeres e continuar com sua vida, agora guardando dentro de si o orgulho de ter protegido o mundo todo da maldição da luneta das trevas.

Categorias:Atmadja, CONTOS Tags:,

Atmadja – Final : Parte II

Sem opção, Selena apenas olhava o céu, nunca antes visto de tão perto, pois tinha acabado de sair da região mais escura pela qual passaria em toda a sua vida e queria poder aproveitar este momento mágico o máximo possível antes que a razão voltasse ao seu corpo e ela percebesse que estaria caindo para uma inevitável morte.

Contudo, tão logo a jovem começava a perceber sua queda, uma energia mística se formou em sua volta e ela pode sentir um caloroso toque ao mesmo tempo em que ouvia uma melodia agradável no ar e quando ela percebeu que estava prestes a despencar em direção aos picos abaixo de si, viu que tinha uma presença ali junto com ela a qual a estava carregando em direção ao altar nas nuvens onde supostamente a luneta deveria ser destruída.

Ao olhar em direção a tal presença, Selena se deparou com o olhar que ela tinha como o olhar mais belo que ela conhecia. Aquela energia em volta da jovem tomava forma e mostrava que não era apenas um punhado flutuante de anima, mas sim a energia que formava o Anima de Faeh Kizha e a elegante dançarina estava ali naquele momento para assegurar que a princesa chegasse a salvo em seu destino.

Lágrimas caiam dos olhos da pequena princesa, lágrimas de felicidade por poder reencontrá-la mais uma vez, e em resposta a isso, ela pode sentir lágrimas caindo dos olhos de Faeh ao mesmo tempo que as suas.

Depois de voarem todo o caminho até o altar, elas precisavam se separar novamente. As mãos de Selena segurando firme nas de Faeh que a deixava aos poucos, encantando e abençoando a jovem princesa com seu magnífico sorriso e ouvindo sua voz lembrando-a da palavra mágica que ela deveria pronunciar mais uma vez para poder destruir a luneta sem ser prejudicada.

E assim Selena ficou sozinha naquele lugar, em pé sobre as nuvens em frente a uma pedra circular flutuante que continha em sua superfície o buraco mais profundo que qualquer pessoa em Khali poderia encontrar.

Ela sabia que era ali era o local onde a luneta seria destruída, só faltava saber como. Sua primeira e mais óbvia idéia seria a de jogar a luneta naquele buraco medonho, mas quando ela pensou em chegar mais perto do altar, ela sentiu uma energia negativa muito grande que começou a puxá-la para o seu interior, mudando então de idéia e tentando voltar para longe da pedra.

Contudo a força que aquilo exercia sobre a menina era tão grande que ela era incapaz de vencer e, mesmo resistindo o máximo que conseguia, Selena continuava a ser puxada para dentro da pedra com o buraco, a chegada dela naquele lugar pareceu ter ativado uma espécie de mágica ali.

Faeh final

Então a jovem Selena decidiu usar sua palavra mágica mais uma vez, e pronunciou em voz alta a palavra ao mesmo tempo que trazia em sua mente as formas dos desenhos contidos no pergaminho que ela leu minutos atrás.

Isso fez com que um forte brilho azulado tomasse conta daquela região e um sentimento de calma invadiu Selena ao ponto dela ser capaz de compreender a própria existência da sua anima e de todas as coisas que se encontravam ao seu alcance naquele lugar, sendo assim, capaz de chegar tranquilamente na borda da pedra-altar, olhar o imenso espaço em seu interior seguramente depositando  a luneta em seu interior, onde ela ficaria para todo o sempre.

Categorias:Atmadja, CONTOS Tags:,

Atmadja – Final : Parte I

11/11/2009 1 comentário

No mesmo momento em que Selena disse a palavra mágica contida em forma de desenhos no pergaminho de Holy, houve na sala onde eles estavam um brilho forte o suficiente para ofuscar Jim e fazer com que a criatura que havia tomado o corpo da princesa fosse danificada a ponto dela emitir um agudo som de dor, era notável que ela era vulnerável àquela palavra, seja lá o que ela significasse.

A criatura se desligou completamente da pequena Selena, tornando-se outro corpo naquele lugar. A luz causada pelo poder da palavra a pouco pronunciada, fez com que a criatura se debatesse tanto a ponto de destruir as paredes da sala quase que por completo, tentando abrir uma passagem para poder sair dali.
O monstro começava a se desfazer em vários pedaços, mas antes que fosse completamente derrotado, pegou Selena pelos braços e levantou vôo céu acima, puxando consigo a jovem princesa.
A criatura se desmanchava ao mesmo tempo que a energia que a formava tentava voltar para dentro da luneta pendurada em seu peito, mas o monstro sabia que ainda tinha uma alternativa…
Graças ao pergaminho de Holy, ela não conseguiu concluir sua tentativa de corromper a jovem princesa, então, para não sair completamente derrotada, ela tentaria nesse momento, levar Selena o mais longe possível daquele lugar para poder matá-la e se apossar de seu corpo.

Moiro viu uma grande sombra negra subir pelos ares carregando a jovem princesa, obviamente ele concluiu que aquilo não era coisa boa e tratou de chamar seu pássaro Mardoll e enviá-lo para auxiliar a pequena.
Imediatamente ela se transformou numa grandiosa ave branca que brilhava de uma maneira desconhecida por qualquer um ali além de seu “dono”, era um brilho forte, mas que não machucava os olhos e podia ser apreciado totalmente.
Logo que seu pássaro subia ao encontro de Selena, Moiro começava a entoar alto mais uma canção de inspiração, uma que, de tão bela, se era possível ouvir de qualquer lugar dentro de um raio de mais ou menos cinquenta quilômetros e esta música, mais do nunca ajudaria Selena a recompor suas energias e seu anima, que até este momento estava muito enfraquecido.

5531171-md

Começava uma disputa pelo ar entre o monstro de escuridão e a ave de luz e no meio das duas criaturas estava Selena, a pequena princesa de Aura que segurava em seu peito a luneta que dera inicio a isso tudo.
Ao perceber que o pássaro majestoso estava em seu encalço, o monstro das trevas guardou Selena dentro de sua barriga, em meio às inúmeras animas perturbadas que ali habitavam. Então o real confronto começou entre o pássaro e as trevas, um duelo silencioso, mas que era capaz de perturbar toda a anima que existia naquela região. Flashes de energia serpenteavam pelo ar, ondas de vento se formavam em volta das duas criaturas e acabavam por viajar em todas as direções, eram efeitos causados cada vez que a luz tocava a escuridão, um tentando sobrepor o outro naquele momento.

Depois de um bom tempo em confronto, pode se deduzir quem era o real vencedor daquela luta. O pássaro Mardoll estava com sua anima muito ferida, pois era visível o quanto havia sido afetado pela escuridão do monstro das trevas, seu brilho estava reduzido quase totalmente e seus olhos estavam se fechando enquanto ele voltava para a sua forma mais singela.
Para os espectadores, agora reunidos na superfície mais alta da ilha voadora em ruínas, pode-se ver um pequeno pintassilgo caindo dos céus enquanto uma sombra negra se desfazia em pedaços morrendo por completo e arremessando a pequena princesa para longe.

birds,clouds,creative,flying,free,girl-1d4b40cd608f452f4386822b0cf3df59_h

Categorias:Atmadja, CONTOS Tags:,

Atmadja – Parte 21 : Palavra

06/11/2009 3 comentários

Por entre os corredores e escadas quebradas, Jim tentava alcançar Holy enquanto Jonos vinha logo atrás dele se assegurando que o caminho estaria seguro para que eles pudessem voltar mais tarde. O garoto gritava enquanto corria, perguntava pra menina Holy o que era esse pergaminho que ela tanto queria entregar pra Selena, o que tinha nele de tão importante para causar tanta prostração na pequena sacerdotisa a ponto dela ignorar o fato de estar caminhando sobre um monte de pedra voando a muitos metros de altura sem nenhuma hesitação por medo de cair céu abaixo.

Entretanto, ela apenas respondia com mais saltos, dizendo poucas palavras todas relacionadas com a chave para a destruição da luneta, e que Selena era a única pessoa que poderia ler o pergaminho, que apenas ela conseguiria identificar em forma de palavras os diagramas contidos nele.

 

Os três continuavam a correr para o fundo das catacumbas. Enquanto corria, Holy pronunciou algumas palavras mágicas no idioma dos elfos enquanto erguia um cristal azul. O cristal brilhou e a partir de então, um feixe de luz emanava de seu interior indicando um caminho, com certeza o caminho até onde estava Selena. A jovem Holy fez isso para não perder mais nenhum tempo tendo que procurar exatamente a localização da garota, mas tal feitiço, visivelmente desgastou a menina, pois seus passos se tornaram lentos e menos precisos em meio aos buracos e pedras caídas no chão.

blue-laser-crystal

 

Sabendo que a ilha não iria mais se mover e ainda faltava uma boa distância até o altar, Moiro começou a entoar uma de suas canções mágicas, uma lenta e com longas palavras, que conforme eram sendo pronunciadas atraíam minúsculos insetos mágicos que habitam as nuvens daquela região, os quais eram sensíveis ao anima e começavam a tecer fios com o anima da criatura que ainda restava no ar.

O bardo movia seus braços pelo ar, como se fosse um maestro comandando os movimentos dos seus insetos de forma que quanto mais eles trabalhavam, uma espécie de ponte-de-anima ia surgindo no ar. Moiro tinha noção do trabalho que isso ia lhe dar, mas estava determinado a concluir o máximo que fosse possível para facilitar a chegada de Selena ao seu destino. O misterioso Trovante se revelava um conhecedor de muitas coisas, inclusive parecia saber desde o começo sobre como seria o final da luneta e o destino da jovem princesa de Aura.

 

Depois de seguir a luz por mais alguns metros, finalmente Holy e os outros encontraram Selena em uma sala escura, com apenas pequenos feixes de luz do sol que conseguiam entrar ali por entre as fendas existentes nas paredes.

A jovem princesa estava em pé sozinha no centro da sala, mas algo estava estranho. Seu olhar estava morto, ela não tinha expressão nem demonstrava qualquer movimento. Holy foi rápido até ela e a pegou nas mãos, dizia que ela precisava sair dali e decifrar o pergaminho.

Contudo, a pequena sacerdotisa teve uma desagradável surpresa quando olhou Selena diretamente. Ela percebeu o que tinha acontecido e quase que imediatamente gritou por socorro para Jim e Jonos.

Os gritos da pequena não foram rápidos o suficiente, Selena havia sido absorvida pela anima que formava a luneta e com seu olhar agora era capaz de corromper todas as coisas e ela ia começar pela pequena Holy.

 

Jim percebeu isso e correu com sua espada para cima de sua melhor amiga. Ele  gritava desesperadamente para que ela parasse, pois se isso não acontecesse teria de usar sua espada contra ela.

O anão Jonos também correu, mas seu alvo era outro, ele tinha percebido a existência de um dispositivo naquela sala que aparentemente ativaria os cristais-de-luz das paredes daquele lugar, cristais como aqueles que Selena e Jim viram na tumba onde encontraram a luneta no subsolo do castelo.

O olhar da princesa machucava Holy de tal maneira que ela não conseguia sequer expressar dor ou algum outro tipo de mudança física, apenas chorava e soluçava tentando pedir ajuda aos amigos, mas sendo incapaz de desviar o olhar de cima de Selena.

 

Percebendo que seus gritos não faziam efeito, Jim continuou correndo até dar de encontro com a princesa, fazendo com que os dois caíssem no chão juntos.

Jonos acertou o dispositivo com as mãos causando uma certa trepidação em toda a ilha ao mesmo tempo que todas as salas de seu interior ficavam iluminadas, depois disso se moveu o mais rápido que pode em direção à pequena Holy caída no chão, aos prantos e a pegou no colo para tirá-la dali o mais rápido possível. Ele não sabia o que exatamente tinha acontecido, mas sabia que não tinha sido coisa boa e a primeira coisa que pensou foi em levá-la até o bardo misterioso para que ele lhes desse um diagnóstico.

 

Novos tremores aconteceram, desta vez anunciando que a ilha estava novamente ruindo, derrubando várias e grandes porções de si em direção ao solo muitos metros abaixo. Parece que ao ativar o mecanismo de iluminação mágica, Jonos fez com que a ilha precisasse gastar parte da energia mágica utilizada para manter tudo no ar.floating_ruins

Jim levantou-se rapidamente tentando se manter afastado de Selena, pois estava com medo de seu olhar após ver o estado em que ela deixara Holy, minutos antes, afinal, por mais estranha que a menina parecesse, até o momento eles nunca a tinham visto naquele estado.

A princesa levantara vagarosamente, deixando a cabeça pendendo ao corpo, sendo esta a última parte a ficar ereta. Com os seus olhos tomados por escuridão, ela fitou Jim fixamente, como se o convidasse para entrar em seu novo mundo de trevas, mas o jovem, com sua espada em punho não cedeu e a levantou sobre a cabeça, como aquele que golpeia a lenha com um machado.

Quase que imediatamente, sua espada mágica refletiu um brilho azul que tomou a sala toda por alguns segundos, refletindo sobre a cabeça da princesa uma enorme criatura que ele julgou ser capaz de transformar em maldade até mesmo o coração da sua pequena amiga.

 

Tomado por um ímpeto de coragem, o jovem Jim correu para cima da princesa, em meio aos flashes da lâmina de sua espada os quais denunciavam a posição exata do monstro que tomava conta de Selena. Ele estava determinado a ir a fundo com isso e, mesmo que custasse a sua vida, ele queria acabar com essa criatura, deixando assim a princesa com o caminho livre para terminar sua missão de destruir a luneta.

Contudo o olhar de Selena era muito intimidador, toda aquela vontade que o garoto tinha de atacar a criatura desapareceu em segundos, sua espada caiu ao chão e ele parou seu movimento, com vontade de chorar…

 

Selena começou lentamente a se mover em sua direção, com os braços esticados como quem vai dar um abraço, mas o garoto resistia firme, olhando para o chão, derramando lágrimas de tanto esforço que estava fazendo para evitar o olhar de sua melhor amiga.

olhos_arco_iris

Enquanto dava socos no chão, para tentar expulsar de si todos os sentimentos que o deixavam incapaz de reverter aquela situação, Jim notou um pedaço de papel caído por ali, um pequeno rolo amarrado com um fio dourado. Ele lembrou do pequeno pergaminho que Holy queria entregar a ela, então, juntou forças e esticou seu braço, pegando o pergaminho e abrindo-o, para mostrar a Selena, numa tentativa de expulsar do corpo dela, aquele monstro terrível.

 

Ao abrir o pergaminho diretamente no rosto de Selena, ela ficou parada olhando para uma imagem sem sentido, mas que aparentemente tinha um significado pra pequena princesa.

Lágrimas caíram dos seus pequenos olhos e, fazendo um esforço incrível, Selena conseguiu vencer a influência da criatura, olhou ainda mais fixamente para a imagem e pronunciou vagarosamente e em voz alta a palavra que se formara pela interpretação que ela teve da imagem:

AT…MA…DJ…A

 


Categorias:Atmadja, CONTOS Tags:,

Atmadja – Parte 20 : A Chave

29/10/2009 1 comentário

Depois de majestosamente derrotar o monstro-luz, Melissa se deixou relaxar e deitou no chão olhando para o céu e sabendo que, de alguma forma, Moiro e Jonos cuidariam para que o fato da ilha estar se destruindo não impedisse que Selena cumprisse a sua missão.
No interior da ilha voadora, Jonos estava sentado no chão ao lado de Jim, resmungando palavrões sobre ter se descuidado e quase caído.
O ambiente agora estava tomado pela calmaria trazida pelo anima de Melissa que ainda estava espalhado no ar, retornando aos poucos para o seu corpo deitado.

Moiro correu para a parte superior da ilha, ele queria saber a que distância estava do seu destino. Ele se surpreendeu ao notar que as nuvens que ele acreditava ser a chave para o destino final de Selena estavam a alguns metros a frente, mas não o suficiente para se alcançar com um salto ou uma corda, seria necessário a ajuda de sua ave mais uma vez, para que ela carregasse a pequena princesa, afinal, foi nesse tipo de coisa que ele pensou quando se dispôs a acompanhá-la nessa jornada.
Enquanto isso Holy saiu correndo para o fundo das ruínas deixando Jim e Jonos para trás, ela sentiu que não poderia demorar mais para entregar o pergaminho que estava em sua posse, mas era destinado à Selena, precisava encontrá-la rápido.
Os dois guerreiros, por sua vez ao verem a pequena Holy sair correndo dali, não hesitaram em ir atrás dela, era perigoso demais deixá-la andar sozinha por ali no estado em que as coisas se encontravam.

Holy estava atônita, ela precisava de qualquer maneira encontrar Selena antes que fosse tarde demais, pois sabia que já havia passado da hora de lhe entregar a chave para o final de sua missão e se ela falhasse, teria de enfrentar tamanhas conseqüências que nem ela, nem suas deusas poderiam mensurar e o mundo como é conhecido sofreria grandes mudanças. O lado bom era que de certo modo Holy sabia como e onde ia encontrar a princesa naquele momento.

A jovem Selena estava mergulhada em mais confusão. Ao ver a sua criatura de luz ser derrotada por Melissa, novamente ela colocou em cheque qual o motivo daquilo tudo estar lhe acontecendo, ela não sabia mais como lidar com essa situação, ela queria que Faeh estivesse ali para lhe dar a mão, queria que Moiro voltasse até ela e a carregasse de volta pra casa, queria que Jim nunca a tivesse deixado entrar naquela cripta onde encontraram a luneta…
Ela estava chorando em um canto escuro, chorando sozinha, ou pelo menos ela pensava que estava sozinha.

Das sombras no interior da sua mente, surgiu algo que poderia ser nomeado como o lado negro da sua persona, uma criatura que se criava dentro da cabeça da princesa desde o momento em que ela tomou para si aquela luneta que havia sido escondida em seu castelo incontáveis dias atrás.
Essa criatura veio para tomar Selena para si, sua intenção era claramente corromper a jovem e assustá-la o suficiente para que ela mesma abrisse mão de seu corpo e desse espaço para que o objeto tomasse forma humana e terminasse com êxito impar a função para qual fora criado.
Selena, contudo, não estava disposta a fazer isso. Ela estava assustada e confusa, mas ainda tinha seu jovem e forte espírito dentro de si. E isso teria que ser o suficiente para ela conseguir superar os seus temores que agora vieram assombrá-la.

A criatura era disforme, ela tinha os rostos amedrontados de todos os pesadelos que assombram os humanos há eras, era feita de escuridão e sua principal face não tinha expressão alguma. De sua boca imóvel saiam sons incompreensíveis os quais por sua fonética antiga e irreconhecível por qualquer outra coisa que Selena já tivesse visto, por si só eram aterrorizantes e faziam com que a menina tivesse vontade de correr para baixo de uma cama, ou qualquer outro lugar onde pudesse se esconder, mas sua mente ali, era um espaço plano, amplo e sem arestas onde ela pudesse tentar correr para se proteger.
Então, para a jovem princesa não restava nenhuma outra alternativa a não ser enfrentá-la ou ceder sua anima para quaisquer fins que a vontade criatura quisesse.

O monstro estendeu uma de suas mãos sombrias para Selena, seu rosto morto não refletia qualquer vontade, o que fazia com que Selena sentisse certa pena por ter tamanha presença a sua frente e perceber que essa entidade não tinha personalidade alguma dentro de si.
A jovem decidiu que tamanho poder não podia ser tão solitário e desolado assim, ele precisava de alguém, ao menos para brincar. E assim, carinhosamente ela estendeu a mão para o monstro aceitando seu toque gélido…

Categorias:Atmadja, CONTOS Tags:,

Atmadja – Parte 19 : Poder

19/10/2009 3 comentários

Momentos antes…

A pequena Selena estava triste, ela se escondera na parte mais baixa da tumba voadora e lá, sozinha, conversava consigo mesma sobre o que estava fazendo ali afinal. Se a sua missão era realmente destruir esta luneta, ou se ela era a escolhida para mudar o mundo. A jovem estava confusa, não sabia mais qual rumo tomar, e foi nessa hora que ela decidiu por usar a luneta voluntariamente dessa vez.
Dali de onde ela estava, a princesa era capaz de ver, por entre as paredes, alguns dos feixes de luz que carregavam a ilha. Por alguns instantes ela ficou envolvida por uma luz escura a qual a envolveu por completo em brumas negras. Apontando a luneta para o canto com as luzes, Selena proferiu algumas palavras enquanto transformava as luzes-guias em mais uma criatura, desta vez, uma poderosa o bastante para dar cabo daquilo tudo de uma vez por todas.

A mão gigantesca foi ao encontro do anão com a intenção clara de tentar esmagá-lo e o guerreiro não teria tempo para encontrar um lugar para se proteger contra aquele tipo de ataque. Ele tentou correr para uma parte coberta da estrutura mais próxima, mas a mão desceu dos céus com tanta velocidade que acabou não dando tempo dele chegar ao seu destino.
Contudo, a mão foi subitamente detida a poucos centímetros da cabeça de Jonos. Algo parecia tê-la atravessado e uma espécie de corda feita de anima subia em direção ao céu até se encontrar aos braços de Melissa, que a segurava com força.

A visão que se tinha dela não era a de uma mulher normal, mas sim de uma entidade beirando o divino, seus olhos brilhavam como o reflexo da luna maior, seus cabelos tomavam conta do ar e eram envoltos por inúmeros e cintilantes cristais de água, suas asas eram feitas completamente de anima amarelo e branco. E a sua voz, sua voz era algo marcante. Era metálica, ecoava, parecia que sua própria anima falava ao mesmo que o seu corpo. Essa era Melissa Hayle afinal, em sua forma e desenvoltura mais marcantes.

“Anão! Suma daí enquanto há tempo. Eu tentarei banir essa criatura deste mundo antes que o distúrbio causado pela sua manifestação aqui atraia outros monstros da mesma espécie. Se a pequena Selena foi quem a criou, aquela luneta é de fato maldita e deve ser banida também. O quanto antes!”

Dizendo isso, Melissa viu Jonos correr para dentro das catacumbas enquanto ela deixava a mão da criatura se chocar contra a ilha parada no ar.
Toda a estrutura construída ali começou a tremer, o chão começou a rachar e aos poucos a ilha voadora estava ruindo. Melissa olhou com atenção para a criatura que ali estava. Era um enorme mostro feito de luz, poeira escura e trevas, ela ficou surpresa ao notar que essa criatura também era feita de anima, o que a caracterizava como um mostro mágico altamente poderoso, e o pior… Com intenções destruidoras assim como o mostro de vento que eles enfrentaram tempo atrás.

Melissa sacou seu arco, agora muito mais majestoso do que antes. Ele irradiava energia mágica, parecia sair de fato de dentro da própria Melissa, uma arma assim já havia sido vista antes pelo pássaro de Moiro, há muito tempo…
Com sua arma em punho, ela disparou uma flecha na direção da cabeça da criatura, a qual a atingiu em cheio, causando uma onda de choque que empurrou o ar em todas as direções e fez com que a enorme criatura fosse jogada ao chão.
O monstro caído esticou seus braços na direção da amazona tentando agarrá-la, mas ela voava como se o próprio vento fossem seus pés, asas e pernas. Era praticamente impossível para a criatura completar sua intenção de capturar Melissa, pelo menos seria impossível enquanto ela continuasse usando aquele método.
Melissa deslizava pelos céus disparando suas rajadas de flechas contra o monstro, o deixando cada vez mais preso ao chão.

Enquanto isso, a ilha se despedaçava e deixava todos ali presentes preocupados com o que iria lhes acontecer ali se esse novo e gigantesco monstro que os atacava não fosse detido. Moiro enviou sua ave para auxiliar Melissa na luta contra a criatura de luz, mas a sua ave majestosa soube que isso seria desnecessário logo que viu a amazona usando seus poderes mágicos.
O anão Jonos havia saltado para dentro da construção e acabara por cair entre as rachaduras que lá surgiram, mas ele conseguiu se segurar em uma parte mais firme evitando assim que despencasse da ilha. O garoto Jim, vendo o anão rolando e se batendo pelos destroços, correu para ajudá-lo a ficar em segurança novamente, ele não sabia o que havia acontecido para a ilha estar daquela forma, se desmontando em pleno ar e estava muito preocupado com o paradeiro de Selena.

A criatura mais uma vez tentava atacar Melissa, dessa vez disparando raios de luz mágica em várias direções, alguns deles atingindo as montanhas, o chão abaixo e a ilha voadora em ruínas. A amazona, no entanto, desviou de todos eles e acabou voando até o meio entre as pernas do monstro. Dali mesmo, ela começou a mirar para o alto, enquanto ele procurava por ela.
Uma quantidade imensa de energia estava se acumulando ali, se podia sentir de uma longa distância o que quer que fosse que Melissa estava acumulando ali, o monstro-luz percebeu isso e virou-se para baixo visando acertá-la com um ataque fulminante com ambas as suas mãos iluminadas e carregadas de raios de luz.
Vários círculos mágicos apareceram em frente ao seu arco-de-anima e isso, evidentemente mostrava que Melissa não era apenas uma guerreira fabulosa, mas revelavam que ela detinha poderes a muito esquecidos, poderes do mundo antigo, e algo que ninguém nunca tinha usado desde o Exílio.
Alguns poucos metros antes que as mãos da criatura enterrassem Melissa na areia, ela disparou sua flecha mágica. Ao longe se podia ver um risco vertical que ia do chão até se perder de vista nos céus, ele era feito de todas as cores possíveis que a anima podia tomar, e tão logo a flecha partiu para o seu destino, o próprio som deixou de se proliferar para prestigiar tamanho feito. Desnecessário dizer que, depois disso, a criatura que estava a destruir tudo a sua volta tornou-se pequenos globos de luz cintilante que se dissipavam pelo ar até sumirem por completo deixando cair uma fina chuva juntamente com a formação de um arco íris para observadores mais distantes.

Selena continuava escondida, dessa vez em meio às rachaduras do que restara da ilha. Ela chorava, seus olhos eram fundos e cor de sombra. A pequena princesa, ora sorria, ora ficava séria, havia algo dentro da sua mente que a perturbava, algo que estava tomando conta de seu interior…

Categorias:Atmadja, CONTOS Tags:,

Atmadja – Parte 18 : O Golpe

07/10/2009 2 comentários
Holy foi a primeira a encontrar a sala onde estava Jim, tão logo ela vira o garoto no centro do salão com sua arma pronta para desferir um golpe, a pequena sacerdotisa chamou por seu companheiro bardo, que estava próximo e veio até ali o mais rápido que pode.
A cena que Moiro viu era nova, porém o misterioso trovador sabia do que aquilo se tratava e impediu que Holy tentasse ajudar o garoto Jim, na escolha que deveria fazer dentro de instantes.
Eles, tanto Holy como Moiro viam o jovem garoto no centro da sala sendo cercado por duas entidades possuídas. Uma delas sendo a abominável criatura feita de grama, terra e galhos e a outra a pequena Selena com a luneta nas mãos, mas era claro que ele estava sendo testado. Apesar da natureza momentaneamente maligna das duas entidades, ele deveria saber qual das duas escolher para desferir o primeiro golpe, afinal sua nova espada fora feita pra isso, para banir essas criaturas do nosso mundo, e isso poderia ser feito com um único golpe.Enquanto os três estavam no interior das tumbas, Jonos havia ido procurar Selena e Jim na parte de fora, onde ele se deparou com duas coisas incríveis que o surpreenderam quase de imediato. Uma delas foi que a espécie de ilha voadora em que ele se encontrava estava “caminhando”, indo rumo a algum lugar em pleno ar e a outra era o que fazia a ilha se mover facilmente pelo céu.
As luzes que uma vez habitavam a lamparina esquecida e que foram libertadas graças as jóias mágicas eram agora um guia etéreo com a missão de deslocar aquela construção toda pelo ar rumo ao seu destino o qual, segundo as lendas de seu avô, era um velho altar escondido nas nuvens sobre os picos Hadah’naar, mais ao norte. As lendas diziam que tal altar era um laço mágico entre o mundo físico de Khali e algum plano inferior tão denso que apenas o toque no pequeno portal que existe sobre o altar era capaz de mutilar membros ou desaparecer indefinidamente com quaisquer coisas que ali fossem depositadas.
Para o anão, era mais do que certo que as luzes levariam a ilha flutuante até tal lugar.

Moiro segurava Holy pelos ombros impedindo que a jovem entrasse muito na luz a ponto de tirar a concentração do garoto Jim, o qual estava piamente concentrado nas criaturas a sua volta.
O jovem olhava para ambas com igual intensidade, em sua mente passavam milhares de coisas, como sua infância dentro e fora do castelo de Gol’dhas, como sua amizade com Selena podia acabar ou se tornar ainda mais forte caso ele fosse capaz de protegê-la até o final dessa jornada e de coisas como o medo que passava dentro da sua jovem anima que, por mais intenso que fosse de certo modo era isso que ainda o mantinha ali, em pé com vontade de vencer o inimigo e acabar de uma vez por todas com isso tudo.
Os dois monstros se aproximavam, agora mais rapidamente, em sua direção. E ele se matinha ali no centro, ereto, firme, pronto para desferir um golpe certeiro na criatura, ele só precisava decidir qual atacaria primeiro. Ele olhou na direção da criatura Selena, com uma das mãos segurando o peito enquanto a outra mantinha a sua espada firme. Ele a encarou firmemente pedindo para que seu coração o ajudasse a saber onde seria o melhor golpe.
As criaturas estavam a menos de cinco passos do menino quando ele, subitamente, tomou a sua decisão e escolheu a estratégia que julgou ser a melhor para levá-lo até a vitória.

Enquanto isso, as luzes-guias conduziam rapidamente a “ilha” voadora até o seu destino acima das montanhas, e faziam isso com uma velocidade incrível, nunca se poderia imaginar que um monte de terra e tijolos de tal tamanho fosse capaz de se mover pelos ares tão rapidamente, mesmo sobre influência mágica.
O anão Jonos era prova viva disso, ele estava vivendo em realidade um de seus grandes sonhos e aproveitava cada momento, como se fosse o capitão dessa inusitada embarcação dos céus.
Ele parou de sonhar acordado tão logo fora capaz de perceber que os picos onde deveria estar o altar místico estavam se aproximando e durante estes instantes, ele tinha esquecido por completo dos novos amigos que fizera momentos atrás.

Dentro da tumba, Jim se preparava para desferir seus ataques contra os monstros criados pela luneta de Selena, enquanto ali mesmo, Moiro e Holy o observavam e torciam para que ele tomasse o caminho correto, mas o Moiro pressentia não era uma coisa boa, ele estava muito apreensivo e se preparava para uma atitude mais drástica caso o garoto falhasse na sua escolha.
Jim observou as duas criaturas mais uma vez, se concentrou e chamou por sua amiga mais uma vez. Do fundo de seu coração ele apenas ouviu ecos da própria voz, o que apenas o deixou com mais medo ainda, pois sabia que se falhasse ali, nunca mais veria sua grande amiga, nunca mais sairiam juntos para aventuras, e, pesando exatamente nisso, ele olhou para um dos monstros, o que estava mais a direita, cerrou os dentes e, com os olhos fechados saltou em direção a essa criatura com toda a força que tinha e desferiu-lhe um golpe vertical certeiro. Ao fazer isso, logo que a sua espada, Haestiallis, começou o movimento no ar, ela se envolveu de anima de cor azul e ficou com 3 vezes o tamanho normal, dançando pelo ar e completando o movimento do garoto em um golpe de potência inigualável, e que fora capaz de partir a criatura em duas.


Jim foi preciso, certeiro, e, para o alívio de Moiro e Holy, ele escolhera o alvo certo. Contudo, esse alívio não durou por muitos minutos, pois tão logo o garoto percebeu que a criatura havia sido destruída, no fervor do momento, ele se preparou novamente e partiu com toda a força que ainda lhe restava no corpo para cima do outro monstro, que na verdade era Selena, mas ele não fora capaz de enxergar isso.
Antes de finalizar seu golpe e cortar o outro monstro ao meio, Moiro saltou em sua direção como um pássaro se deslocando pelo ar e segurou a mão do menino milímetros antes dele atingir a outra criatura e acabar ferindo sua preciosa amiga.
Nesse exato instante, Selena voltou a si e se deparou com uma lâmina brilhante bem em frente a seus olhos, pronta para lhe cortar fora metade da cabeça. Isso a assustou de tal forma que a pequena princesa deu um salto pra trás, olhou para o portador da espada para confirmar se era mesmo o seu grande amigo e, abismada, saiu correndo em meio aos túneis, e galerias que se formavam nas paredes daquela antiga tumba.

Moiro tentou alcançar a jovem, mas ela parecia estar tomada quase que por completo pela energia maligna da luneta e isso dera a ela uma incrível facilidade para sumir entre as sombras.
Holy fora tentar consolar Jim, que também estava muito abalado com o que acabara de fazer. E enquanto isso, Jonos descia para tentar encontrar seus aliados. Contudo, todos foram detidos em suas ações por uma brusca parada da tumba voadora, que colocou todos no chão.
Jonos olhou para o céu preocupado com o que podia ter acontecido mas não viu nada mais do que uma gigantesca mão multicolorida passando pelo céu…

Categorias:Atmadja, CONTOS Tags:,