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Exílio : A Lágrima das Águas

16/03/2009 9 comentários

Parte I – Prólogo

Era uma manhã fria, como de costume na região sul do Reino de Armétia, densas brumas cobriam a majestosa floresta que os nativos chamavam de “Esplendor”.
Ouviam-se passos em meio aos sons dos pássaros, alguém tentava correr em meio aos galhos, plantas e raízes que cobriam quase totalmente o chão da mata virgem.
Parecia ser uma pessoa, um ser humano e parecia desesperado, corria muito de forma a deixar claro que estava fugindo, mas não tinha nada atrás da pessoa, não dava pra saber de quem ou do quê ele estava fugindo.

O desespero e a correria do que revelava ter aspectos de um homem cessaram assim que ele avistou uma pequena flor amarela com longas pétalas e um talo comprido com duas folhas igualmente compridas, o homem arrancou a flor e a segurou nos braços junto ao seu outro pertence, uma criança que, apesar dele estar correndo tanto, ela aparentava estar dormindo um sono profundo e ininterrupto.

O homem tinha sua face coberta por uma escuridão mágica e horrenda, o que impedia que suas feições fossem reveladas, mas mesmo assim o ar que o rodeava era macabro e morto de alguma forma.
Ele pegou a bela e perfumada flor e a levou de encontro ao rosto do bebê o qual não demonstrou nenhuma reação a nao ser ter sua pequena face coberta por alguns esporos amarelos que caíram da flor. Notava-se uma palidez anormal no bebê juntamente com ausência de respiração, o que obviamente revelava que se tratava de um bebê morto.

Depois de correr tanto, o homem chegou no local onde queria, estava ao pé de uma gigantesca árvore a qual se destacava muito mais do que todas as outras árvores conhecidas em meio a tão diversificada floresta. Raríssimas pessoas são capazes de ver tal árvore devido ao seu poder mágico.
O homem depositou carinhosamente seu pequeno cadáver ao pé da majestosa árvore e tocou seu rostinho com as pontas dos dedos antes de deixá-lo lentamente e sem se voltar para uma última olhada.

Algumas horas mais tarde, uma leve chuva começou a cair floresta adentro, escorrendo lentamente por entre as folhas, flores, frutas e folhagens, os animais abrigando-se enquanto alguns ainda trabalhavam para manter seus lares seguros, o vento batia entre as árvores em uma grandiosa harmonia natural junto ao som das gotas de água caindo e essa harmonia natural se tornou completa quando, em meio à aquela chuva, ouvia-se um choro, o choro de alguém que acabava de nascer…

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