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O Último Ritual

Parte 4 : Corredores

Marc seguia por entre as vias formavam os esgotos de Leyas, ele andava sorrateiramente seguindo as marcas deixadas no chão pelos seqüestradores. Ele andou até ouvir alguns sons vindos de uma pequena entrada a sua frente. Como estava escuro demais, os passos que Marc deu na direção do som não melhoraram em nada a sua visão, então decidiu se concentrar mais e apurar sua audição.

Enquanto tentava ouvir  os sons a sua frente, percebeu que a sua retaguarda também estava ameaçada, pois nesse momento também conseguia ouvir sons vindos do caminho que havia feito para chegar até ali. E estavam bem próximos. Quando Marc virou o rosto para trás na intenção de ver alguma coisa, se deparou frente a frente com um grande bastão iluminado na ponta como se fosse uma tocha que emitia luz, mas não tinha chamas.

Assustado, ele tirou sua adaga e com um rápido movimento de reflexo, tentou golpear a fonte de luz, mas por sorte atingiu apenas o cajado, pois era um humano que estava vindo atrás dele. O outro homem usava roupas ornamentadas e coloridas, visivelmente um estudioso da anima e da arte de manipulá-la. Ele se identificou como Eiry e disse que tinha vindo ali ajudar, pois tinha acabado de o ver entrar ali atrás de óbvios perseguidores que haviam seqüestrado alguém.

Marc também se apresentou e assim que terminou de dizer seu nome, os dois imediatamente se reconheceram dos tempos em que compartilharam do mesmo teto no orfanato. Em seguida, entre condolências e jovialidades, o som que vinha da frente de onde eles estavam agora aumentou drasticamente e da sua direção saltou um enorme rato caçador em direção a eles.

Era grande, feio e estava visivelmente com fome. Ele se preparava para atacar enquanto Marc preparava sua adaga e Eiry começava a pronunciar palavras mágicas e raios de luzes brilhantes saíram da ponta do seu cajado em direção ao rato gigante, enquanto Marc esquivava majestosamente do salto do animal e o apunhalava embaixo do peito com um golpe fatal.

Antes que eles pudessem se animar com a derrota do monstro, outros três iguais a ele surgiram de outros corredores e também partiram para o ataque em cima dos dois.

 

Enquanto isso, na praça, os outros envolvidos no tumulto dessa noite excêntrica, se concentravam em tentar entender o que acontecia ali, e em planejar como prosseguir e resolver esse mistério. Após conversarem e Ark explicar para Feowyn o que aconteceu, Garen lhes avisou que encontrou alguns rastros que mostravam que um caminho havia sido percorrido por outras pessoas ali. As marcas indicavam que várias pessoas estavam no local e aparentemente arrastavam algo grande, algumas pegadas eram pequenas, outras eram de humanos aparentemente.

E os três decidiram que seguiriam elas em busca de novas pistas.

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O Último Ritual

30/10/2010 4 comentários

Parte 3 : Mais Chamas

Ark, como o primeiro capitão da brigada sul de Leyas preferia ser chamado, saiu de sua casa correndo pegando apenas sua espada.

Chegando ao local do incidente, ele viu apenas alguns corpos que usavam os mantos negros estendidos no chão e outro homem, igualmente alto e que também portava apenas uma espada, estava chegando por ali.

Os dois se entreolharam e quando estavam prestes a se questionar sobre o ocorrido, muitos outros guardas com o símbolo estrangeiro saíram pela porta da estalagem armados e preparados para enfrentar qualquer que fosse o perigo que estivesse ali fora.

 

Os dois se viram cercados por muitas pessoas que tinham todos os motivos do mundo para acreditar que o atentado à sua princesa, tinha sido obra deles.

Entretanto, quando eles se preparavam para atacar os dois curiosos, um brilho forte surge em meio a eles, e com um som estridente sai dele um homem alto, que tinha um cavanhaque bem feito e cabelos penteados para trás, ele usava uma túnica vermelha rica em detalhes, adornada com orlas em ouro e com o símbolo do fogo desenhando na parte das costas.

 

Era Loreno de Val’aar, o mago supremo da cidade de Leyas. Ele viera até ali dar cabo de uma vez por todas na confusão que conturbava aquela noite.

Ele perguntou aos homens de armadura quem eles eram, e qual o motivo de tanta bagunça.

O que parecia ser o comandante do grupo se adiantou e respondeu a ele em um tom áspero, alto e claro:

“Somos a legião do abismo, e viemos barganhar a sobrevivência de suas espécies”

Tão logo ele terminou sua frase infeliz, Loreno os transformou em um monte de cinzas com uma explosão flamejante que encobriu todos aqueles que estavam concentrados ali no meio da praça, aos que ficaram mais ao longe, como Ark, e o outro homem, sobrou apenas uma visão caótica de corpos incinerados, enquanto, sem ao menos olhar na direção deles, o mago do fogo deixou o local.

 

Boquiabertos, os dois se olharam tentando confirmar se aquilo realmente aconteceu. O homem se apresentou como sendo Garen de Vermec e disse que como tinha ouvido muito barulho, resolveu sair de casa para averiguar essa situação incomum nas noites da cidade. O Draconato prateado respondeu dizendo que se chamava Ark e que comandava uma tropa da guarda sul de Leyas e que havia chegado ali pelo mesmo motivo.

 

Naquele momento, os corpos que haviam ficado no chão, remanescentes do primeiro confronto começaram a se mover. Envoltos por uma luz azul escura, aos poucos eles se ergueram revelando-se esqueletos com aspectos demoníacos. Garen e Ark ergueram suas espadas e se preparam para o combate.

As caveiras partiram para cima deles com suas lâminas em punho e dando risadas macabras, e isso penetrava a alma de qualquer homem. Em desvantagem numérica, aos poucos eles estavam sendo cercados. Cada golpe que eles desferiam, parecia não afetar em nada os inimigos, o que, certamente estava deixando os dois preocupados. Mas nem tudo estava perdido, pois logo em seguida pode-se ouvir uma foz firme recitando versos sagrados:

 

“Pelas minhas mãos Farius hei de condenar o caminhar destes seres das trevas”

 

Após isso, aquela aura escura que envolvia os corpos esqueléticos desapareceu e imediatamente, tanto Garen como Ark, se sentiram mais confiantes e inspirados para dar cabo daqueles seres.

Com vontade renovada, Ark bradou frases de comando realmente inspiradoras, o que fez com que Garen se sentisse ainda mais a vontade e confiante para acabar de uma vez por todas com os esqueletos.

 

Os golpes agora firmes e precisos dos dois começaram a surtir mais efeito e a batalha se tornara sob controle. Conforme eles iam afastando e derrubando seus inimigos, outros passos podiam ser ouvidos e mais um homem, na realidade um elfo chegara ao local, este, empunhando uma maça em uma das mãos enquanto virtuosamente brandia a Chama Sagrada de Cheos sob sua cabeça fazendo com que cada esqueleto que se mantinha a sua frente tombasse em um monte de ossos inanimados.

Acabando com o último dos esqueletos, o recém chegado se apresentou. Dizendo que seu nome era Feowyn Endil e que criaturas como estas não tinham direito de caminhar nas mesmas terras onde pessoas caminham.

Eiry Souldragon

Nascido em um berço de ouro e herdeiro do nome de uma família de magos muito conhecida dentro do reino de Lérien o pequeno Eiry jamais sonharia com o destino que lhe aguardava. Os poderosos membros da família Souldragon de uma hora pra outra o abandonam num orfanato quanto tinha apenas sete anos de idade.

Eiry via os anos passarem e foi perdendo a fé de que um dia seus pais poderiam ir buscá-lo. Durante os anos em que passou no orfanato, mesmo sendo muito reservado, pode fazer algumas amizades e aprender muitas coisas interessantes, uma vez que era facilmente dominado pela sua curiosidade e não media esforços na hora de estudar para aprender algo novo.

Ele, assim como as outras crianças, fora obrigado a deixar o castelo de uma maneira estranha. Depois de alguns anos ele encontra um homem de meia idade chamado Déurus que o criou como fosse seu próprio filho.

No inicio seria difícil a convivência, mas logo se acostumariam. Déurus começou a ensinar Eiry sobre magia, viu que o garoto levava jeito com a coisa, conforme os anos iriam passando as habilidades de Eiry evoluíam. Déurus reparou que o jovem se dedicou de tal forma ao aprendizado para esquecer que ele tinha sido abandonado por sua família, a solidão que ele sentia foi trocada por concentração e treinamento árduo. Ele não demonstrava nada. Nenhum tipo de sentimento com a
s pessoas além de seu pai adotivo e para com ele mesmo, ele se tornou frio.

Sempre dedicado nunca deixava algo sem terminar, não importava o que fosse ele iria até o fim. Seu maior sonho é ser reconhecido pela sua família que o abandonou.

Durante seu treinamento ele ganhou três marcas de seu pelo corpo como se fossem tatuagens, era uma em cada mão e a outra nas costas pro lado do ombro esquerdo, e cada uma delas tinha seu significado que ele ainda não sabia, pois seu pai adotivo lhe falou que ainda não era hora para que isso lhe fosse revelado…

Feowyn Endil

Nascido em um pequeno vilarejo élfico localizado ao norte de Lérien, dentro dos limites da grande floresta de Lothlórien. Filho de Adranian Endil e Liarandi Endil, ambos mortos na calada da noite por criaturas humanóides semelhantes aos elfos, mas completamente dominados pelas trevas do grande abismo.

Feowyn sente arrepios toda vez que se lembra daquela noite terrível. Ele não conseguira ver completamente as criaturas, pois usavam trajes negros que cobriam todo seu corpo deixando aparecer somente enormes garras em suas mãos com as quais dilaceraram os corpos de seus pais e, da mesma forma como surgiram, eles desapareceram em uma fumaça negra.
Durante o ocorrido, o pequeno garoto não conseguiu sequer se mover, talvez por algum encanto ou talvez somente o medo, afinal, ainda era um garoto de apenas 6 anos.

Sendo ele filho de uma longa geração de filhos únicos foi levado por Erdan, um velho clérigo e melhor amigo de seu pai a um orfanato chamado A Capela, passando boa parte de sua vida naquele local. Com muito ódio e com uma enorme sede de vingança que vinha alimentando seu coração, ele deixou o orfanato aos 21 anos de idade durante estranhos acontecimentos que obrigaram todos que habitavam aquele local a sair desesperadamente apressados.
Feowyn, deixou o local ajudado por uma senhora que ele sempre estimou como sendo uma espécie de “matriarca” do local, a qual ele viu morrer ao ser transformada em uma estátua de gelo por uma mulher humana que eles tiveram o azar de encontrar durante sua fuga.

Três anos depois de sair do orfanato, ele resolveu voltar para o vilarejo onde nasceu reencontrando Erdan, seu velho conhecido o qual, seguindo os últimos desejos de seu pai, Adranian Vandrói, ensinou tudo sobre a vida devota de um clérigo, fazendo com que pouco a pouco o ódio do passado deixasse seu coração.
Os dias passavam e Feowyn a cada dia sentia maior vontade de seguir os caminhos da fé e aprender sobre os poderes que os deuses nos deixavam usufruir uma vez que os seus devotos decidiam pregar seus ensinamentos e repassar seus passos.

Quatro anos após sua chegada no seu vilarejo, agora com 28 anos de idade, é nomeado clérigo, devoto de Farius e Keera, seguindo sempre o caminho que lhe fora ensinado, ajudando os necessitados e repassando seus conhecimentos por onde quer que andasse.

Certa noite, Feowyn vê em seu sonho o espírito de sua mãe, que lhe conta uma história dizendo que um mau misterioso se aproxima do reino e que ele seria de grande importância para evitar que um destino terrível aconteça.
Após isso, Feowyn decide que é chegada a hora de deixar a segurança de seu lar e seguir um destino que agora, mais do que nunca, ele sabia que lhe estava reservado.

O Último Ritual

Parte 2 : Estranhos na Noite

Marc estava perplexo, algo naquela mulher mexeu profundamente com seus sentimentos, misturando saudades, medo, raiva em uma coisa só. Levantou-se e se dirigiu logo a um dos soldados que estava parado ao lado da porta do banheiro da estalagem para perguntar sobre o que estava acontecendo ali.

O homem, no entanto, era uma das pessoas mais mal educadas que ele já conheceu, e o respondeu rispidamente dizendo que não era do interesse de plebeus saber o que eles estavam a fazer ali.

 

O jovem pensou rápido e sem se deixar levar pela resposta do homem, se apressou em bolar uma história irreal, porém suficientemente convincente para que ele mudasse de idéia e repensasse na resposta.

A dama olhou com o canto dos olhos para a cena que se desenrolava no canto do estabelecimento, mas decidiu aguardar mais uns instantes.

Marc havia deixado o fascínio repentino completamente de lado, enquanto se engajava no diálogo com o soldado, mas todo seu empenho para descobrir quem eram eles havia sido em vão. O homem sequer continuou a responder, alegando que não tem o hábito de criar vínculos com bêbados de plantão.

A essa altura, o rapaz já estava com a mão preparada sobre sua adaga para tentar uma ameaça mais convincente, porém a mulher chegou junto a eles, pedindo que baixassem o tom da conversa, pois poderiam resolver tudo pacificamente.

 

O soldado curvou-se rapidamente, envergonhado enquanto ela dirigia a palavra à Marc perguntando o que é que havia acontecido ali.

Ele, em contrapartida sentia algo que não sabia explicar. Em sua frente estava aquela criatura elegante e bela, apesar da aparência estranha. Uma mistura entre mulher e algum eqüino avermelhado, mas que sabia muito bem tocar a curiosidade das pessoas a quem se dirigia.

Marc conseguiu vencer todo o turbilhão de sentimentos que tomara a sua mente e repetiu o discurso previamente dito ao soldado, que nesse momento já não participava mais da conversa. Ele afirmou fazer parte da milícia real e trabalhar como guia para todos os visitantes que chegavam à Leyas.

Sem saber que aquilo estava longe de ser verdade, a dama sorriu e o pegou pelas mãos dizendo que era exatamente dele que eles precisavam.

 

Enquanto a maior parte dos soldados se alojava em alguns quartos da estalagem, ela juntou consigo três dos que pareciam ser os soldados de posto mais elevado daquela comitiva e pediu para que Marc os guiasse até os portões da torre de Loreno de Vaa’lar, pois eles teriam assuntos muito importantes a serem resolvidos e não poderiam ser deixados para o dia seguinte.

Marc não relutou, se dispôs a levá-los até a torre imediatamente, então, com um sinal estranho das mãos, a mulher autorizou os três cavaleiros a saírem do local, saindo logo em seguida acompanhada agora, por Marc.

 

Os homens montaram em seus cavalos enquanto Marc e ela entravam na charrete que tinha os estandartes a mostra.

Depois de acomodados, Marc preparava seus lábios para perguntar a ela o seu nome, e de onde vinham quando sentiu um arrepio na espinha enquanto um zunido crescente veio do lado de fora, provocado por uma bola de fogo que atingiu a charrete, explodindo-a pelos ares.

 

Marc apenas teve tempo de se jogar contra a porta com sua boa agilidade, o que bastou para que o acontecido não o causasse ferimentos mais graves do que alguns arranhões e uma pequena queimadura nas costas.

Ainda no chão, ele pode ver a mulher saltando na escuridão a uma altura fora do comum, enquanto disparava rajadas de energia na direção de onde a bola de fogo viera, porém antes de poder se certificar de que os seus agressores foram eliminados, uma rede mágica fora lançada sobre ela com tanta força que a derrubara de seu salto majestoso, a deixando muitos metros longe de Marc.

 

Seus soldados estavam totalmente preparados para enfrentar as muitas figuras vestidas em mantos negros que se aproximavam, cercando-os e impossibilitando que algum deles fosse ao resgate de sua senhora.

Fazendo uso de suas habilidades, Marc levantou e foi atrás da mulher. Ele teve de correr, pois só chegou ao local a tempo de conseguir ver ela ser levada arrastada por outros dos homens encapuzados que se moviam como ratos por entre as vielas escuras até desaparecerem no interior de onde seria a entrada da galeria subterrânea dos esgotos da cidade.

Movido por sua curiosidade e senso de justiça, ele seguiu sua coragem e sumiu na escuridão dos esgotos, junto com os homens e a dama prisioneira.

O Último Ritual

01/10/2010 2 comentários

Parte 1 : Anos depois…

Os cinco jovens cresceram, cada um passando por alegrias e dificuldades diferentes, trilhando caminhos ardilosos e tentando, aos poucos, deixar apagado em suas lembranças o passado terrível que tiveram nos meses em que passaram na Capela.

O mais velho deles, Lunail Valièn¹, o único jovem elfo que passou pelo orfanato, se tornou um homem honrado, com elevados princípios éticos e grandiosa fé em Magnus, Farius, e Keera. Um Clérigo de muito prestígio por parte da cidade de Leyas, onde prestou seus serviços durante todos estes anos como estudioso do Templo da Estrela Maior, que reverencia Farius e o Sol acima de todos.

Garen de Vermec era um garoto travesso. Por sua vantagem muscular sobre os outros, às vezes fazia um verdadeiro tormento da vida de algumas outras crianças do orfanato. Com o passar dos anos, carregando uma grande mágoa de infância, o jovem se tornou um valioso caçador de recompensas a serviço daqueles que não ousam deixar a segurança do muros da cidade.

Outro dos garotos escolhidos por Gaia era Marc Kriss, um jovem muito ágil e habilidoso com as mãos, vivia se metendo em encrenca com os professores por estar sempre desafiando a atenção deles ao tentar afanar suas moedas. O tempo passou e Marc não sentiu a menor vontade de mudar de rumo, tornou-se um ladrão de primeira classe, usando de suas habilidades para enganar, trapacear, roubar e conseguir informações de seus inimigos, usando quase sempre para ganhar  o dinheiro que o mantém vivo até os dias de hoje.

Eiry Souldragon era fisicamente o mais fraco dos cinco, no entanto, quando se tratava de estudar as complicadas artes da anima, ele era um mestre sem igual. Um prodígio dentro dos salões de estudo da Capela. Eiry continuou a estudar as artes mágicas, o que o levou a conhecer mais sobre sua própria origem, afinal, a família Souldragon era uma família conhecidíssima dentro de Ayleen, quase tão poderosa quanto os Val’aar. O jovem mago nunca entendeu o motivo de ter sido abandonado em um orfanato sem que deixassem qualquer menção à sua origem ou, quem sabe, destino.

E o mais jovem deles, Ark’jan Yadav era, sem dúvidas, a criatura que mais chamava a atenção no meio daquelas crianças, pois sua origem draconiana com certeza deixava muitas pessoas da Capela boquiabertas. Vitória com certeza guardava planos exclusivos para o futuro de Ark’jan. depois de terem deixado o orfanato daquela maneira, ele passou a seguir seus instintos cada vez mais fortes de liderança, com palavras e ações inspiradoras, incentivava e ajudava as pessoas, fatos que, facilmente o colocaram na milícia real em Leyas, como líder da patrulha sul da cidade. Onde ele vive até os dias de hoje.

Certa noite, na cidade, pode ser ouvido ao longe sons de uma caravana distante, movendo-se furiosamente por entre as ruas calçadas com pedras batidas, o que resultava em um som característico e alto, fazendo com que muitas pessoas acordassem, descontentes.

Entre essas pessoas estavam, Ark’jan, Eiry e Garen, que imediatamente saíram em suas janelas para ver o que estava acontecendo.

Notaram que os estandartes pendurados na charrete principal não pertencia a nenhuma família ou domínio que eles conheciam, era um brasão totalmente novo na região, o que, certamente despertou a curiosidade de alguns e o medo de outros.

 

A caravana era composta de suas charretes pretas, sendo que uma delas ostentava dois estandartes com bandeiras que tinham o brasão com o leão dourado de duas cabeças posto sobre um fundo losangular vermelho. Em volta das duas charretes tinham pelo menos dez soldados humanos altamente armados e preparados para um eventual combate. Logo em seguida vinham três carroças com suprimentos para longas viagens e acampamentos, estas ultimas também protegidas por guardas armados, porém em menor quantidade. Seja lá o que estes forasteiros vieram fazer, vieram prontos para enfrentar qualquer tipo de dificuldades.

 

Marc estava bebericando na Taverna Dos 12 Cascos, que ficava situada logo a frente de uma grande praça da região leste da cidade. Ele era um dos poucos que ainda restavam ali dentro, estava de olho em um velho homem que portava muitas jóias valiosas, porém ainda não estava bêbado o suficiente para poder ser enganado.

A atenção de Marc sobre o senhor foi completamente desviada quando muitos homens armados começaram a entrar na taverna, ele ficou pasmo com a situação acontecendo tão tarde da noite.

Logo em seguida, entrou o que parecia ser uma dama, muito bem vestida, com tecidos da melhor qualidade, e que usava uma coroa prateada. Ao notar a coroa, Marc sentiu um arrepio, alguma coisa no fundo da sua mente cutucava seu interior de forma melancólica e dolorosa, sentimentos que foram causados ao notar que a cabeça coroada era dotada de chifres escuros, como uma velha conhecida do passado…

 

¹ – Nome do personagem alterado devido a direitos sobre o nome original.

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Prólogo : A Casa Atrás dos Morros

No reino de Lérien, o famoso e próspero reino governado por humanos e elfos, a duas semanas de viagem para o norte da grande Leyas¹ existiu há alguns anos, uma instituição caridosa conhecida como “A Capela”, uma espécie de orfanato para jovens de várias idades e raças.

Este orfanato foi criado por um Tiefling² chamado Lashtet Beohr ou apenas de “Vitória” como era conhecido por seus amigos mais íntimos. Seu propósito inicial era de conseguir dar amparo a maior parte de crianças abandonadas quanto lhe fosse possível. Com isso conseguiu  a admiração e posteriormente o amor de Airis Zhtrxa, ou “Gaia” que foi o nome que adquiriu com o tempo devido a suas atitudes maternas.

Vitória e Gaia Conseguiram regir a Capela por muitos anos com grande respalde do reino que, com o tempo, começou a ajudar os custos para manter a entidade funcionando sem passar por dificuldades. Essa ajuda de custo nunca foi bem vista por Loreno de Val’aar, braço direito do rei e governante da cidade de Leyas, e ele sempre comentava que tal casa não era de confiança uma vez que quem a administrava eram antigos Habitantes do Abismo, mas isso apenas fazia com que as regalias do Rei não aumentassem, afinal, os dois Tieflings sabiam como usar todo o seu carisma e habilidades de conversa para manter o rei sempre próximo.

Contudo, com o passar do tempo, Vitória começou a mudar de atitude, ficava mais tempo trancado em seus aposentos, estudando papeis antigos e testamentos ancestrais de sua raça, o que começou a preocupar Gaia, que conforme seu amado mudava de atitude, sofria e enfraquecia cada vez mais. Passados mais de dois anos vivendo assim, a bela jovem descobriu que seu esposo estava completamente obcecado em realizar um antigo desejo de seus ancestrais de tempos remotos e isso envolvia todos que habitavam a Capela, que ainda continuava a receber incentivos do reino. Entretanto, quanto mais tempo se passava, mais fraca e submissa Gaia ficava à vontade de Vitória. O mesmo acontecia com todas as outras pessoas da casa.

O agora poderoso Vitória começava a reunir pessoas com diferentes interesses para fazer parte da sua instituição, como as gêmeas siamesas Zajahra, que eram responsáveis pelas aulas de “catequese” das crianças, mas esse estudo religioso era voltado agora para os deuses das trevas, senhores do mundo inferior, e Zajahra tinha um dom incrível de colocar isso tão firmemente na cabeça das crianças, que logo podia-se vê-los cantarolando as rimas macabras sobre estes seres.

Junto com a medonha professora, o orfanato também contava com Drom Vernus, um anão que teve o corpo todo deformado ao ser derrubado certa vez em um fosso de ácido, milagrosamente ele fora retirado de lá ainda vivo, porém por mais que rituais e magias de cura e restauração fossem usados, ele jamais pode ter a forma que tinha antes do incidente. Drom era quem cuidava das atividades físicas das crianças. Ele os colocava pra correr, escalar, montar acampamentos, usar armas e todas as outras atividades relacionadas à sobrevivência caso algum dia ficassem sozinhos. O anão não tinha piedade sobre as crianças, aplicando sobre eles treinamentos árduos e ininterruptos, punindo-os com severos castigos quando alguém saía da linha.

Entre outros, Zajahra e Drom eram os principais ajudantes de Vitória com seu segredo, até mesmo Gaia fora deixada de lado nesse assunto, pois ele temia que ela descobrisse coisas indevidas e pudesse atrapalhar o futuro de seus planos.

Entretanto, nessa época, Gaia havia se apegado bastante com um grupo de crianças que, apesar das suas diferenças pessoais e raciais, estavam se tornando bons amigos ali dentro. Ela achava interessante a forma como eles se tratavam e se davam relativamente bem dentro daquele ambiente. A jovem ia todos os dias assistir ao tempo de recreação que os cinco amigos partilhavam juntos.

Certo dia, quando se menos esperava, algo incomum aconteceu naquela região. Durante dias, a movimentação nas dependências da Capela havia aumentado consideravelmente, parecia que algum perigo desconhecido estava se aproximando da mansão e tudo que fora feito e organizado ali até o momento, precisava ser removido e protegido, então Vitória separou todas as crianças em pequenos grupos e os deixou aos cuidados de cada um de seus funcionários funestos. Ele tomou cuidado em separar os melhores candidatos para seu plano e os deixou aos cuidados ou de Zajahra ou de Drom, que eram seus mais fiéis conselheiros.

Depois de dois dias era chegada hora de todos partirem. Seja lá o que vinha em direção à casa, estava próximo demais e não havia mais tempo para que tudo que eles tinham elaborado para as crianças até então fosse devidamente removido junto com elas. Então, o lorde da mansão ordenou que todos fossem embora, sem olhar para trás e que seus empregados continuassem com o treinamento que estavam fazendo com os jovens até que chegasse a hora de tudo ser revelado.

E assim aconteceu, estava tudo pronto e as crianças começavam a partir, cada uma junto com um “professor”. Gaia não conseguiu deixar aquilo acontecendo, ela se apressou em reunir seus pequenos favoritos e retirá-los de seus grupos, dizendo a cada responsável que Lorde Vitória deixou estes jovens sob sua tutela. E assim, fugiu por um caminho onde nenhum outro grupo havia seguido. Ela deixou alguma comida e poucas moedas com cada um de seus cinco jovens, dizendo que não poderia cuidar deles, e que cada um teria de seguir seu caminho dali em diante, mas que essa era a melhor saída para eles, que apesar de não saber dos planos de seu marido, ela pressentia que o que ele tramava não era coisa boa.

Gaia cometeu um único erro na sua tentativa de salvar as cinco crianças que mais gostava, escolheu seguir pelo caminho mais perigoso. A jovem esposa de Vitória deparou-se com uma figura solitária que caminhava pelas planícies de Alvendir, dando passos curtos e com a cabeça baixa, a figura que agora se revelava em uma mulher divinamente bela, remetendo a Gaia uma vontade incontrolável de se deixar dominar pela simples presença do outro ser.

Por instantes, Gaia sentiu-se apaixonada por aquela presença, mas antes de ser totalmente levada pela aura inconsciente da outra mulher, ela se apressou em preparar um ritual para salvar suas crianças. Ela se esforçava ao máximo para se concentrar no ritual e evitar olhar novamente na direção da jovem humana que caminhava em sua direção.

Um frio súbito e gradativo tomava conta do ambiente, enquanto a tiefling concluía os últimos detalhes do ritual que enviaria seus protegidos para longe do mau em forma humana que se aproximava. Colocando cada um dos jovens em seus lugares, Começou a pronunciar as palavras mágicas para efetuar a magia, quando a mulher de cabelos negros estava muito próxima. Os jovens puderam testemunhar sua protetora se transformar em uma estátua de gelo em sua frente enquanto o frio mais intenso que jamais sentiram tomou conta do local.

A última coisa que eles puderam ver, foi a estranha mulher acariciando a face congelada de Gaia e, abaixando-se no local onde o ritual incompleto acontecia, pronunciou algumas palavras e, ainda de cabeça baixa, sorriu para eles.

Um forte brilho irradiou o local e as cinco crianças sumiram no ar, deixando ali apenas uma figura solitária em uma campina cristalizada…

¹ – Observar o reino de Lérien ao norte do mapa no continente oeste.

² – Conhecidos em Khali como “Os habitantes do Abismo”.